O QUEBRA-CABEÇA DE ZUBELDÍA: FLUMINENSE JÁ TEVE 24 TIMES EM 2026

A vitória na Copa do Brasil esconde um dado alarmante: Zubeldía já usou 24 escalações diferentes em 2026. Entenda o quebra-cabeça do treinador.

Martinelli em Fluminense x Atlético-MG — Foto: MARINA GARCIA / FLUMINENSE F.C.

A Vitória que Esconde um Dilema

A nação tricolor respira aliviada. A classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil, com uma vitória por 2 a 1 sobre o Operário em um Maracanã pulsante, cumpriu um dos objetivos do semestre. Vimos em campo, na última terça-feira, aquilo que a comissão técnica considera a formação “ideal”. Uma doce ilusão, caros amigos das Laranjeiras. Uma fotografia bonita de um momento fugaz.

A verdade, nua e crua, é que essa escalação “perfeita” foi a 24ª formação diferente que o técnico Luis Zubeldía mandou a campo em 2026. Sim, você leu certo. Vinte e quatro. Um número que revela, com a frieza da estatística, o verdadeiro desafio do nosso comandante argentino: encontrar consistência em meio ao caos.

A Dança das Cadeiras Forçada

Não se trata de um capricho de Zubeldía, um professor Pardal em busca de invenções mirabolantes. A realidade é que o departamento médico tem sido um dos setores mais ativos do clube. Lesões, o necessário controle de carga para evitar males maiores e as inevitáveis suspensões têm transformado a prancheta do treinador em um verdadeiro quebra-cabeça.

Recentemente, perdemos duas peças que são a alma e o motor deste time. O maestro Lucho Acosta, nosso cérebro e destaque absoluto na temporada, virou desfalque por problemas físicos. Como se não bastasse, o pilar do nosso meio-campo, o incansável Martinelli, trava uma batalha contra uma lesão de grau 3 na coxa esquerda desde o fim do mês passado. Perder um é um problema; perder os dois é um atentado à estabilidade de qualquer esquadrão.

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O Enigma do Meio-Campo Tricolor

A ausência de Martinelli, em particular, desmantelou o setor nevrálgico do Fluzão. A busca por um parceiro para Hércules virou uma saga. Zubeldía, em sua tentativa de achar uma solução, já testou um verdadeiro rodízio, promovendo um carrossel de volantes que expõe a dificuldade de substituir o insubstituível. O meio de campo, nosso centro de comando, virou um laboratório a céu aberto.

As variações testadas por Zubeldía ao lado de Hércules incluem:

  • Nonato
  • Bernal
  • Alisson

Essa constante troca de peças, somada às mudanças forçadas na zaga, laterais e ataque, explica por que a máquina tricolor, por vezes, parece engasgar. Falta o entrosamento fino, aquele que nasce da repetição, do treino, da constância que nos foi negada.

Uma Base Sólida em Meio ao Furacão

Mas nem tudo é desordem. Um olhar mais atento revela que, apesar da turbulência, Zubeldía conseguiu definir uma espinha dorsal, um núcleo de confiança sobre o qual ele tenta construir o resto da equipe. Há uma base bem definida que, quando disponível, forma o coração do nosso time.

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Essa base, o porto seguro do treinador argentino, é composta por nomes que já caíram nas graças da torcida:

  • Goleiro: Fábio
  • Zaga: Freytes
  • Meio-campo: Martinelli e Hércules
  • Armação: Lucho Acosta
  • Ataque: Canobbio

Além deles, Savarino e nosso predestinado, John Kennedy, também se consolidaram como peças fundamentais nesse xadrez, mesmo com a alternância que por vezes ocorre com Castillo no comando do ataque.

Os Números que Não Mentem

Desde que assumiu o Tricolor na estreia do Brasileirão contra o Grêmio, Zubeldía esteve à frente do time em 27 partidas. E aqui vem o dado mais impressionante: em apenas três ocasiões ele conseguiu repetir a escalação. Três. A última vez que esse pequeno milagre aconteceu foi na sequência entre a semifinal e a final do Campeonato Carioca, contra nossos rivais Vasco e Flamengo.

De lá para cá, o time foi um organismo em constante mutação. Guga e Guilherme Arana tomaram conta das laterais, Martinelli se lesionou, Serna perdeu espaço para a chegada de Savarino. É um fluxo contínuo, uma adaptação semanal que testa a resiliência do elenco e a paciência da nação tricolor.

É crucial notar que este levantamento considera apenas os jogos em que Zubeldía efetivamente esteve no banco. No início da temporada, ele se ausentou em quatro partidas para um procedimento no coração. A matemática, portanto, é clara e implacável. Montar o Fluminense de 2026 tem sido uma arte de improviso. A questão que fica é: quando o quebra-cabeça finalmente estará completo?

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.