‘TERMINAMOS SOFRENDO’: ZUBELDÍA ABRE O JOGO SOBRE PÊNALTI E O CAOS DO FLUMINENSE

Classificação garantida, mas com sufoco real. Zubeldía revela por que John Kennedy bateu o pênalti e não Savarino, e analisa o 'sofrimento desnecessário' do Fluzão.

Luis Zubeldía em Fluminense x Operário — Foto: André Durão

Um alívio que soa como um alarme no Fluzão

A classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil veio. Contudo, para a nobre torcida tricolor, o sentimento que paira no ar não é de pura euforia, mas sim de um alívio tenso, quase amargo. O Fluminense venceu o Operário, mas a forma como a vitória se desenrolou acendeu todos os sinais de alerta possíveis em Laranjeiras. O que era para ser uma noite tranquila, com 2 a 0 no placar, transformou-se em um drama desnecessário, culminando em vaias da arquibancada e um técnico tendo que dar explicações que beiram o surreal.

O estopim do caos? Um pênalti. O segundo da partida. O primeiro, cobrado com a frieza habitual de Savarino, estufou as redes. O segundo, que poderia ter selado a paz e a goleada, foi parar nas mãos de um John Kennedy que, visivelmente, não estava em seu dia mais iluminado. O erro do nosso “Urso” foi o combustível que o Operário precisava. Logo em seguida, diminuíram o placar, e os minutos finais foram um teste para os corações da nação tricolor.

O Mistério do Pênalti: A surpreendente revelação de Zubeldía

A pergunta que ecoava no Maracanã e nas redes sociais era uma só: por que John Kennedy bateu o segundo pênalti, e não Savarino? A resposta, vinda do próprio técnico Luis Zubeldía em sua coletiva, é daquelas que só o futebol proporciona. Com uma sinceridade desconcertante, o comandante do esquadrão de Laranjeiras desvendou o enigma.

“Sempre temos dois batedores. Colocamos um encarregado pelo pênalti, no caso é o Savarino e um segundo, que é o John Kennedy”, iniciou o treinador. E então, a revelação: “Como tivemos dois pênaltis, por uma situação que o Savarino não queria voltar a bater. Tem treinador que tem um batedor, eu tenho dois. Está programado”, concluiu. Uma decisão do jogador, portanto, abriu a porta para o segundo batedor. Zubeldía, com sua filosofia, apenas seguiu o protocolo. “Poderíamos fazer o terceiro. Terminamos sofrendo, tivemos chances. No final passamos, o que era a prioridade”, lamentou.

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A Defesa que Vacila: O fantasma de Jemmes e a insegurança coletiva

Se o ataque desperdiçou a chance de matar o jogo, a defesa, mais uma vez, fez questão de adicionar sua própria dose de drama. A falha do zagueiro Jemmes no gol do Operário foi de uma clareza dolorosa. Posicionado para cortar um cruzamento trivial, ele deixou a bola passar, oferecendo a Felipe Augusto o gol de bandeja.

Zubeldía não fugiu da questão, embora tenha admitido não ter conversado com o jogador. “Alguns gols são evitáveis. Parecia que ele tinha tudo para cortar, não sei o que aconteceu”, disse, refletindo a perplexidade de cada tricolor. O técnico aprofundou a análise sobre a fragilidade defensiva que assola o time: “Estatisticamente estamos tomando gols, mas nem sempre por domínio (do adversário), algumas vezes por coisas pontuais. Não sei te dizer o porquê. Pode ser insegurança porque não estávamos ganhando, o momento do ano. Pode ser falta de sorte. É algo que temos que melhorar”.

Quando um técnico cita “falta de sorte” para explicar problemas defensivos recorrentes, o torcedor tem o direito de sentir um calafrio. A lista de zagueiros do elenco, citada por ele — Freytes, Ignácio, Jemmes, e o recém-chegado Millán, além de Igor Rabello — mostra que há opções, mas a consistência parece uma miragem.

As Vaias, a Impaciência e o Futuro Imediato

A vitória interrompeu uma sequência de quatro jogos sem vencer, mas não foi suficiente para aplacar a ira da torcida, que vaiou o time ao final da partida. Zubeldía, em seu papel de líder, buscou blindar o grupo, defendendo jogadores criticados como Canobbio e Serna. “Se criticam a um ou outro, estamos acostumados. Temos que nos manter fortes como um grupo. Somos profissionais, então treinamos tudo, a parte mental sempre se treina”.

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Agora, o foco se volta para o Brasileirão. O próximo desafio é contra o São Paulo, no sábado, às 19h. A partida terá um atrativo especial: a apresentação oficial do atacante Hulk, a grande esperança de gols e força para o segundo semestre. Uma boa notícia em meio a um mar de incertezas.

Enquanto isso, a situação de Martinelli para o jogo contra o Bolívar segue em aberto, dependendo do departamento médico. Zubeldía sabe que o tempo para ajustes é curto e a pressão é imensa. “Uma vez mais, não merecíamos sofrer para selar a classificação”, admitiu. A verdade, nobre torcedor, é que não merecíamos mesmo. Mas o Fluminense, em sua essência, parece ter um pacto com o drama. Que as próximas cenas sejam de glória, e não de sofrimento autoimposto.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.