HERÓI, SALVADOR, RESERVA? O PARADOXO DE JOHN KENNEDY NO FLUMINENSE DE ZUBELDÍA

Ele salva na Libertadores, decide no Brasileirão, mas segue no banco. O que mais John Kennedy precisa fazer para ser titular absoluto no Fluminense?

Um Roteiro Repetido à Exaustão

De novo, John Kennedy. Para a surpresa de absolutamente ninguém, o nosso Urso saiu do banco para, mais uma vez, carregar o Fluminense nas costas. O empate em 2 a 2 contra o Vitória, neste sábado, teve a assinatura inconfundível do camisa 9. E, convenhamos, a da teimosia de um certo treinador argentino.

A pergunta que ecoa das Laranjeiras ao Maracanã é tão óbvia quanto dolorosa: o que mais John Kennedy precisa fazer para ser titular absoluto deste time? Quantos milagres ele precisa operar para que Luis Zubeldía finalmente se renda ao óbvio?

Contra o Vitória, o roteiro foi o de sempre. Kennedy foi, de longe, o melhor em campo. Marcou um gol, infernizou a defesa adversária, criou chances, desarmou, tabelou e, como se não bastasse, serviu uma assistência primorosa para Kevin Serna nos salvar de um vexame ainda maior. Mesmo com tudo isso, a sensação, nas palavras do próprio artilheiro, foi de derrota. Um sentimento que a nação tricolor conhece bem ultimamente.

O Salvador da Pátria (e do Treinador)

A memória do torcedor é curta, mas a nossa não. Há poucos dias, na Argentina, o cenário era de apocalipse. O Fluzão perdia para o Independiente Rivadavia e dava adeus precoce à Libertadores. A guilhotina já estava sendo afiada para o pescoço de Zubeldía.

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Quem entrou em campo para evitar a catástrofe? Ele mesmo. John Kennedy. Vindo do banco de reservas, precisou de meros 12 minutos para marcar o gol que nos manteve vivos na competição. Ele não salvou apenas a nossa honra continental; salvou o emprego do homem que insiste em deixá-lo como plano B.

Este padrão é preocupante. Depender de um herói solitário para apagar os incêndios causados por decisões táticas questionáveis não é um plano, é um atestado de desespero. O Fluminense não pode flertar com o caos esperando que Kennedy sempre tenha uma solução mágica na cartola.

A Teimosia Inexplicável de Zubeldía

E aqui reside o cerne do paradoxo. Enquanto Kennedy coleciona atuações decisivas, o treinador parece ter olhos para outro jogador. Nos três jogos mais cruciais da Libertadores – contra Bolívar na altitude e os dois duelos contra o Independiente Rivadavia – o escolhido para iniciar foi Rodrigo Castillo.

Com todo respeito ao centroavante argentino, os fatos são teimosos. Desde a estreia de Castillo, os números gritam a favor de Kennedy. Com minutagem praticamente idêntica, nosso camisa 9 produziu o dobro de gols, além de superar o concorrente em finalizações e gols esperados. A matemática é clara, mas parece que a comissão técnica está usando uma calculadora diferente.

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É uma escolha que desafia a lógica, o mérito e, principalmente, a paciência da torcida tricolor. Ver o nosso jogador mais decisivo no banco de reservas enquanto o time se afoga em campo é um espetáculo de pura teimosia.

Os Números Não Mentem, Presidente!

Vamos aos dados, para que não reste dúvida. John Kennedy vive sua melhor temporada desde o ano mágico de 2023. São 11 gols na temporada, quase o dobro do vice-artilheiro do time, Kevin Serna, que balançou as redes seis vezes.

Mas não são apenas os números frios. É o peso desses gols. Foi assim contra a Chapecoense, saindo do banco para marcar um golaço. Foi assim contra Santos e Coritiba. Foi assim na Argentina. E foi assim, mais uma vez, contra o Vitória. São gols que valem pontos, classificações e, como vimos, empregos.

O Urso amadureceu. Aquele jovem que viveu um ano anterior turbulento ficou para trás. Ele se reapresentou antes de todo o elenco, mostrando um comprometimento que agora se reflete em campo. Ele está mais forte, mais focado e, acima de tudo, mais letal.

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Até Quando, Zubeldía?

A situação chegou a um ponto insustentável. Manter John Kennedy como uma opção de emergência não é apenas um erro tático; é um desperdício de talento e uma afronta à inteligência do torcedor do Fluminense.

Ele já provou, em todas as línguas e de todas as formas possíveis, que seu lugar é em campo, desde o primeiro minuto. Ele é a personificação do espírito do Time de Guerreiros que tanto nos orgulha.

A pergunta, portanto, não é mais o que Kennedy precisa fazer. A pergunta é: até quando Luis Zubeldía vai ignorar a realidade? A paciência da torcida das Laranjeiras, essa sim, não é infinita. E ela está acabando.

Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.