Um Empate com Gosto de Derrota no Maracanã
Que ninguém se engane. O gol de Serna, nos acréscimos, que selou o 2 a 2 contra o Vitória neste sábado, não foi motivo para celebração. Foi um suspiro de alívio, um resgate de última hora que nos poupou de uma derrota que seria, em uma palavra, caótica. No templo sagrado do Maracanã, a nação tricolor testemunhou um time que tinha a faca e o queijo na mão para iniciar uma recuperação, mas que preferiu desmoronar como um castelo de cartas ao primeiro sopro de adversidade.
A sequência de jogos em casa deveria ser o palco da redenção, o momento de restaurar a confiança antes das batalhas decisivas na Copa do Brasil e na Libertadores. Contudo, a mensagem enviada das quatro linhas foi a de um time psicologicamente frágil, que não consegue espantar a crise que o assombra. O empate não mascara a verdade: o Fluminense está doente, e o sintoma é a falta de confiança.
O Oásis Chamado John Kennedy
Nem tudo, porém, é terra arrasada. Em meio ao deserto de ideias e à fragilidade emocional, emerge uma figura que parece imune ao caos: John Kennedy. O nosso Urso é, hoje, a personificação da esperança tricolor. Foi dele o gol que abriu o placar, coroando um período de superioridade do Fluzão e fazendo justiça ao que se via em campo.
Com este gol, Kennedy chegou a 11 na temporada, ficando a apenas um de igualar sua melhor marca pelo clube, os 12 gols anotados no ano mágico de 2023. No Brasileirão, ele já soma sete, o que o coloca como vice-artilheiro da competição, na cola de Viveros e Pedro. Ele não é mais apenas uma promessa; é a nossa realidade mais contundente, o jogador que converte expectativa em bola na rede e um dos poucos que não sente o peso do momento ruim.
O Pênalti que Derrubou o Esquadrão
O Tricolor das Laranjeiras não fazia uma partida ruim. Longe disso. Dominava, tinha a vantagem e parecia caminhar para uma vitória tranquila. Até os 18 minutos do segundo tempo. Foi quando Alisson, em um lance que beira o inexplicável, cometeu um pênalti que serviu como gatilho para o colapso. A partir dali, o que se viu foi um time irreconhecível.
Enquanto o Vitória crescia, o que é natural após o empate de Renato Kayzer, o Fluminense implodia. Chances claras de ampliar, com Soteldo parando em Lucas Arcanjo e Lucho Acosta chutando rente à trave, foram desperdiçadas. A punição veio na forma de um descontrole total. O time entrou em “modo desespero” com quase meia hora de jogo pela frente, empilhando erros técnicos e táticos. A virada do adversário, com gol de Renê, foi um retrato da nossa displicência: uma bola perdida por nosso Renê no meio-campo, um Millán facilmente batido e um Ignácio que assistiu ao adversário finalizar. Uma sucessão de falhas que dói na alma.
A Confissão de Zubeldía e a Defesa que Sangra
O problema defensivo não é mais uma impressão, é uma estatística cruel. Fomos vazados em 10 dos últimos 12 jogos. Nos últimos quatro, sofremos sete gols. É um número inaceitável para um clube com as nossas ambições. O próprio técnico Luis Zubeldía reconheceu a gravidade do problema, mas foi além, apontando uma falha sistêmica.
“Estamos tendo um número mais alto em relação às bolas paradas, mas é a equipe em geral, não apenas a defesa. A equipe em geral não está tendo a segurança que precisa ter”, admitiu o treinador. “Você tem duas formas de ter segurança: com a bola e sem a bola. Sem a bola pode ter erros pontuais, mas o que mais se destaca são as porcentagens de gols de bola parada. E acho que aí estão os gols que estamos levando.” Uma análise honesta, que joga luz sobre a crise de confiança que afeta todo o elenco.
Uma Luz no Ataque, Mas o Futuro Preocupa
Apesar dos pesares, Zubeldía merece crédito por buscar soluções. A escalação do quarteto ofensivo com John Kennedy, Soteldo, Lucho Acosta e Savarino mostrou-se acertada. A conexão entre eles gerou as melhores jogadas do Fluminense, incluindo uma tabela rápida que quase resultou em pênalti sobre Acosta. Foi um vislumbre de um time que pode ser letal.
No entanto, de que adianta ter o segundo melhor ataque do campeonato se a defesa é uma peneira e a mente do time é tão frágil? O ponto salvo por Serna no apagar das luzes mantém a boa colocação na tabela do Brasileirão, mas não inspira segurança para as decisões que se aproximam. A pergunta que fica para a nação tricolor é: este time, que desmorona com um único erro, terá força para sobreviver às noites de Copa? A ver.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.