SAVARINO DESABAFA E CONFRONTA TORCIDA DO FLUMINENSE: ‘ACHO EXAGERADO’

Classificação garantida, mas o Maracanã responde com vaias. Autor de um dos gols, Savarino não se cala e manda um recado direto à nação tricolor.

Um Grito de Desabafo em Meio à Vitória

A classificação para as oitavas de final veio, o placar de 2 a 1 sobre o Operário no Maracanã está nos registros, mas o som que ecoou após o apito final não foi de festa. Foram vaias. Um protesto sonoro e inconfundível de uma torcida que, mesmo com o avanço, exige mais. E no meio desse paradoxo, uma voz se levantou para responder. Jefferson Savarino, autor do primeiro gol, não se escondeu e mandou um recado direto à nação tricolor.

Em uma noite que deveria ser de alívio, a relação entre time e arquibancada mostrou mais uma vez suas fissuras. Não é a primeira vez, afinal, o mesmo roteiro de vaias já havia sido visto contra o Vitória. Mas desta vez, um dos protagonistas do espetáculo decidiu falar.

Savarino Pede a Palavra: ‘Acho Exageradas Essas Vaias’

Com a elegância de quem sabe seu valor, mas com a franqueza de quem está incomodado, Savarino comentou a reação da torcida. Ele não negou o direito do torcedor de se manifestar, mas questionou a medida da cobrança. “A torcida tem todo o seu direito em reclamar de qualquer coisa, mas eu acho que a nossa vontade dentro do campo é ganhar o jogo”, iniciou o venezuelano, cravando a faca no queijo.

Para o atacante, o objetivo principal foi cumprido, e isso deveria ser o foco. “O que fizemos hoje, conseguir a nossa classificação para as oitavas de final, e eu acho que isso foi o mais importante”, ressaltou. E então, veio a frase que define a noite: “Eu acho exagerado. Para mim, eu sempre vou me cobrar, quando jogo bem, quando jogo mal, e, como falei, o time sabe quando joga bem, quando joga mal. Eu acho exageradas essas vaias, mas, para mim, o mais importante vai ser a classificação.”

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A fala de Savarino é um misto de apelo e autocrítica. Ele sabe que a performance pode e deve melhorar. “A gente tem que matar o jogo em certo tempo do jogo. Temos que melhorar nos próximos jogos para conseguirmos uma sequência ganhadora”, admitiu. A mensagem é clara: a cobrança interna existe, mas a pressão externa, segundo ele, pode ser desmedida.

Um Chamado à União e a Esperança Chamada Hulk

O desabafo de Savarino não é um caso isolado. Ele se junta ao coro de outras figuras importantes do elenco e da comissão técnica, como o técnico Zubeldía e o ídolo John Kennedy, que já haviam pedido publicamente por mais apoio e sintonia. A necessidade de remar na mesma direção é um mantra em Laranjeiras.

“A gente tem que caminhar juntos, tanto a torcida, como os jogadores, como a diretoria. Eu acho que isso vai ser muito importante para a sequência da temporada”, afirmou Savarino, reforçando o discurso de união. É um apelo compreensível, mas que esbarra na impaciência de uma torcida acostumada com a glória e que vê um time oscilar.

Em meio a esse cenário, surge uma nova esperança. O recém-chegado Hulk, que reeditará com Savarino uma dupla de sucesso, foi pauta na entrevista. Savarino não escondeu a alegria com a contratação. “Eu acho que (o Hulk) vai ser um jogador muito importante para a gente em qualquer lugar. Joga na ponta direita, jogo de centroavante, ele vai nos ajudar muito”, comentou, antes de, com sabedoria, passar a bola para o treinador. “Deixo isso para o treinador, ele é quem decide em que lugar vai usar ele. Eu fico contente pela contratação e espero que ele nos ajude muito.”

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Crônica de uma Vitória com Sabor Amargo

Para entender as vaias, é preciso olhar para os 90 minutos. O Fluzão começou de forma promissora. Logo aos 8 minutos da primeira etapa, Savarino, com a frieza que lhe é característica, deslocou o goleiro Vagno em cobrança de pênalti e abriu o placar. 1 a 0.

O que se esperava ser o início de uma atuação de gala, no entanto, transformou-se em acomodação. O Tricolor das Laranjeiras diminuiu o ritmo, viu o Operário crescer e ameaçar o gol de Fábio. O alívio só veio aos 3 minutos da segunda etapa, quando a bola sobrou limpa para Lucho Acosta, que com categoria, tirou do goleiro e fez o segundo, praticamente selando a classificação.

Com o 2 a 0 no agregado e a vaga na mão, a máquina tricolor pareceu desligar os motores, esperando apenas o tempo passar. Foi essa queda de rendimento, essa sensação de que o time poderia ter feito mais, que alimentou a frustração da arquibancada. A vitória veio, mas não convenceu. Não encantou.

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Savarino tem um ponto. A classificação é o que fica para a história. Mas a torcida tricolor, em sua eterna paixão exigente, também tem o seu. Ela sabe o potencial deste time e não aceitará nada menos que a excelência. O debate está aberto, e a temporada segue, com a certeza de que nas Laranjeiras, a paz é um artigo de luxo.

Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.