A paciência do torcedor tricolor (e da mídia) parece ter um limite
A noite de quarta-feira foi mais um capítulo no drama que se tornou a campanha do Fluminense na Libertadores. O empate em 1 a 1 com o Independiente Rivadavia, em solo argentino, soou quase como uma derrota. O sentimento de que o tempo está escorrendo pelas mãos, e a classificação, escapando por entre os dedos, é palpável. E, ao que parece, não somos apenas nós, da nação tricolor, que estamos com a pulga atrás da orelha. A crítica, desta vez, veio em alto e bom som, e de um nome de peso na mídia esportiva.
O comentarista Eric Faria, durante a transmissão do Sportv, não poupou o técnico Luis Zubeldía. Com a precisão de um cirurgião, o jornalista apontou o que para muitos de nós foi evidente: a inércia do nosso comandante à beira do campo. A demora em agir, em um jogo de vida ou morte, foi o estopim para uma análise contundente que ecoou pelas redes sociais e programas esportivos.
‘Passou do ponto’: a análise implacável de Faria
As palavras de Eric Faria foram diretas, sem rodeios ou meias-palavras. Ele verbalizou a angústia que tomou conta de cada tricolor que assistia à partida. A crítica central foi a inexplicável demora de Zubeldía para alterar a equipe após sofrer o gol.
“Ele demora muito a mexer no time. Na final do Carioca, já tinha sido assim”, relembrou o comentarista, mostrando que o problema não é novo. A questão é o tempo. “O Fluminense tomou o gol aos 20, ele só mexe aos 32. São 12 minutos. Até o gol do Kennedy, o Tricolor só tinha um gol na Libertadores, agora são dois. Poder de fogo baixíssimo.”
A lógica de Faria é irrefutável e espelha o nosso pensamento. “Então, você perdendo o jogo e vendo a classificação escapar, demora tanto tempo para mexer, tendo banco? Acho que ontem ele passou do ponto da demora”, concluiu. Doze minutos, em uma partida decisiva de Libertadores, podem parecer uma eternidade. Para o Fluminense, foram doze minutos de agonia, vendo a vaga se distanciar.
Um domínio estéril e o castigo na bola aérea
O roteiro do jogo foi cruel e, infelizmente, familiar. No primeiro tempo, o Fluzão teve a bola, controlou o meio-campo, mas de forma absolutamente estéril. A posse de bola, que deveria ser nossa arma, tornou-se um adorno inútil, incapaz de ser traduzida em chances claras de gol. Enquanto isso, o modesto time do Independiente Rivadavia, com suas limitações, apostava na única estratégia possível: o contra-ataque e a bola parada. E cada escanteio, cada falta lateral, era um suplício para a nossa defesa.
No segundo tempo, o que era um temor se tornou realidade. A bola aérea argentina, que já havia assustado, encontrou a cabeça de Arce e o fundo das nossas redes. O gol foi um soco no estômago do torcedor, o ápice da ineficiência de um time que dominava, mas não feria, e era ferido com pouco.
A salvação que veio (tardiamente) do banco
Foi somente após o gol sofrido e os longos 12 minutos de espera que Zubeldía, finalmente, decidiu agir. E a resposta veio de forma imediata, quase como uma provocação ao próprio treinador. As entradas de John Kennedy e Soteldo transformaram o Fluminense. O baixinho venezuelano, com sua habilidade e ousadia, começou a empurrar a defesa argentina para trás, criando espaços e desequilibrando pela ponta.
E então, ele. O predestinado. John Kennedy, o homem dos gols importantes, estava lá para mais uma vez nos salvar do vexame. Em uma bola que sobrou na área, ele não perdoou. Fuzilou para o gol, empatou a partida e garantiu que a decisão sobre nosso futuro na competição venha para o Maracanã. O gol de Kennedy não foi apenas o gol do empate; foi um grito de esperança e, ao mesmo tempo, um dedo na ferida da teimosia tática.
Agora, com apenas dois pontos no grupo, a situação é dramática. O empate arrancado na raça nos mantém vivos, mas a pergunta que fica no ar é dolorosa: se as mudanças tivessem vindo antes, não poderíamos ter voltado da Argentina com uma vitória? A crítica de Eric Faria não foi apenas uma opinião; foi um diagnóstico. Cabe a Zubeldía entender a doença antes que o paciente entre em estado terminal. A nação tricolor espera, e a Libertadores não costuma perdoar quem demora a agir.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.