Um Roteiro Clássico: O Herói que Emerge das Sombras
Há roteiros no futebol que, de tão repetidos, beiram o clichê. Mas quando o protagonista veste o manto tricolor, o clichê se transforma em épico. Mais uma vez, coube a John Kennedy, o Moleque de Xerém com estrela de veterano, a tarefa de salvar o Fluminense de um destino sombrio na Conmebol Libertadores. O empate em 1 a 1 com o Independiente Rivadavia, arrancado nos acréscimos, tem a assinatura inconfundível do nosso predestinado.
Se o Fluzão ainda respira por aparelhos, mas com a dignidade de depender apenas de si para alcançar as oitavas, é porque temos um talismã no banco de reservas. Aos 13 minutos do fim, quando a angústia já tomava conta da nação tricolor, ele entrou em campo. E, como de costume, nos acréscimos, encontrou um rebote e, com a canhota que parece guiada pelos deuses do futebol, finalizou. A bola ainda beijou a zaga adversária antes de morrer nas redes, superando o goleiro Bolcato. Um gol com a cara do Nense: sofrido, dramático e, no fim, glorioso.
O próprio herói da noite, com a serenidade de quem sabe seu papel, resumiu o sentimento. “Estou feliz por mais uma vez entrar e ajudar o Fluminense. É sempre importante entrar e ser decisivo, isso aumenta a confiança do jogador, da equipe e dos companheiros em você também. Tenho que continuar trabalhando para seguir sendo decisivo”, declarou o atacante. Palavras de quem entende o peso da camisa que veste.
O Paradoxo de Kennedy: Artilheiro e ’12º Jogador’
A situação de John Kennedy no esquadrão de Laranjeiras é, no mínimo, curiosa. Um enigma que desafia a lógica mais cartesiana do esporte. Ele é, nada menos, que o artilheiro do time na temporada, com dez gols marcados. Seus tentos são responsáveis diretos por uma parcela significativa dos nossos pontos no Brasileirão. E, ainda assim, nos momentos mais cruciais, seu nome figura entre os suplentes.
Parte da explicação reside no controle de desgaste. Kennedy, em um gesto de puro comprometimento, abreviou suas férias para se juntar ao elenco, tornando-se o atleta que mais atuou no ano, com 28 partidas. Um sacrifício que cobra seu preço físico. Contudo, a principal razão, segundo a comissão técnica, é sua assombrosa capacidade de alterar o curso de uma partida já em andamento.
Nas palavras do nosso treinador: “Me parece que John (Kennedy) é um jogador que entra muito bem, revoluciona o ataque quando a partida está difícil. É uma das qualidades principais dele. Sempre entra bem, isso tem valor agregado”. Uma análise fria, que enxerga no camisa 9 uma arma secreta, um trunfo para ser usado quando as defesas adversárias, já cansadas, abrem brechas. “É difícil encontrar jogadores que entram bem, mas quando é titular muitas vezes se desgasta, as defesas adversárias estão mais fechadas, difíceis”, completou o comandante.
A lógica é compreensível, mas não deixa de causar um certo frisson na torcida das Laranjeiras. Ter nosso artilheiro no banco é um luxo ou uma aposta arriscada demais?
Os Números Não Mentem: O Raio-X do Salvador Tricolor
A performance recente do Time de Guerreiros tem sido um teste para os corações mais fortes: nos últimos dez jogos, somamos apenas duas vitórias, com quatro empates e quatro derrotas. Uma campanha irregular que só não é desastrosa por um motivo: John Kennedy.
Vamos aos fatos, pois contra eles não há argumentos. Nesse período de turbulência, a estrela do nosso atacante brilhou intensamente:
- Vitória sobre o Santos: Gol decisivo nos minutos finais.
- Vitória sobre a Chapecoense: Mais uma vez, gol salvador no apagar das luzes.
- Empate contra o Coritiba: Arrancou um ponto precioso quando tudo parecia perdido.
- Empate contra o Independiente Rivadavia: Manteve viva a chama da Libertadores com seu gol nos acréscimos.
As duas vitórias e metade dos empates nesta sequência ingrata vieram dos pés dele, sempre saindo do banco para incendiar o jogo. A estatística é acachapante e reforça a tese do treinador, mas também alimenta o debate: um jogador tão decisivo não deveria estar em campo desde o primeiro minuto?
Agora, o Foco é no Maracanã e na Glória Eterna
Com o ponto heroico garantido na Argentina, o Fluminense agora vira a chave temporariamente. O próximo compromisso é no nosso templo sagrado, o Maracanã. No sábado, receberemos o Vitória, em partida válida pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. É uma oportunidade de ouro para buscar a vitória, se manter na parte de cima da tabela e, principalmente, recuperar a confiança antes da batalha final.
Pois a grande decisão se aproxima. No dia 19, o foco retorna à Conmebol Libertadores para o jogo que definirá nosso futuro na competição. Até lá, a nação tricolor viverá a expectativa e o eterno debate: com John Kennedy começando ou entrando para decidir, o importante é que a máquina tricolor siga em frente. Flu até morrer.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.