O Herói que Vem do Banco: Zubeldía Explica a Estratégia
A noite na Libertadores parecia destinada a mais um revés amargo, mais uma daquelas partidas em que o destino parece zombar das nossas cores. Perdíamos por 1 a 0 para o Independiente Rivadavia até os acréscimos, quando a mística tricolor se fez presente. E ela atende pelo nome de John Kennedy. O camisa 9, o predestinado, precisou de poucos minutos em campo para fazer o que faz de melhor: balançar as redes e salvar o Fluzão. O empate em 1 a 1, embora não seja o resultado dos sonhos, nos mantém respirando na competição. E após o apito final, coube ao técnico Luis Zubeldía decifrar o enigma que paira sobre nosso herói.
Em sua análise, o comandante argentino foi cirúrgico ao explicar por que o autor de gols decisivos nem sempre figura entre os onze iniciais. Para Zubeldía, o valor de John Kennedy transcende a titularidade. É uma arma estratégica, um elemento de caos para defesas cansadas. ‘Me parece que John (Kennedy) é um jogador que entra muito bem, revoluciona o ataque quando a partida está difícil. É uma das qualidades principais dele’, sentenciou o treinador, com a tranquilidade de quem entende o tabuleiro.
Zubeldía aprofundou seu raciocínio, oferecendo à nação tricolor uma perspectiva tática clara. ‘Sempre entra bem, isso tem valor agregado. É difícil encontrar jogadores que entram bem, mas quando é titular muitas vezes se desgasta, as defesas adversárias estão mais fechadas, difíceis. Quando entra sempre responde bem’, explicou. Ele reconhece que, como titular, o desempenho oscilou, mas o que importa é o fato irrefutável: ‘o importante é que está fazendo gols. É um jogador importante’. Uma declaração que acalma os corações mais afoitos e estabelece o papel do nosso ‘Urso’ no esquadrão de Laranjeiras.
Um Bom Jogo, Mas e a Pontaria, Fluzão?
Apesar do sufoco e do placar magro, a avaliação de Zubeldía sobre a performance do time foi, surpreendentemente, positiva. O técnico viu uma equipe que lutou e se impôs, mesmo saindo atrás no marcador. ‘A partida de hoje foi muito equilibrada. O Independiente com a bola parada e as jogadas laterais gera situações de gol, mas fizemos um bom jogo. Gostei do que fez a equipe, como jogaram’, analisou, demonstrando confiança no trabalho que está sendo construído.
No entanto, nem mesmo o otimismo do professor pode mascarar uma deficiência que nos tem custado caro: a falta de precisão. O Fluminense teve um volume considerável de finalizações, mas acertou o alvo em apenas duas ocasiões — o chute de Guga e, claro, o gol salvador de Kennedy. Zubeldía admitiu a falha, lembrando de outras chances claras desperdiçadas ao longo da competição.
‘Somos uma equipe que gera muitas situações de gol, uma das que mais gera no Brasileirão. Mas vê como é a Libertadores, são diferentes, difíceis. Nos aconteceu de errar gols sem gerar tantas situações, gols que geralmente não erramos’, lamentou. ‘Tivemos duas chances claras que não concretizamos. Esperamos reverter nos jogos que restam’. A sinceridade é bem-vinda; a correção, urgente.
A Calculadora na Mão: A Missão no Maracanã
O ponto conquistado, embora amargo, nos deixa com o destino nas próprias mãos. Uma posição de luxo, considerando que ocupamos a lanterna do grupo com apenas dois pontos após quatro rodadas. A matemática para a classificação é desafiadora, mas longe de ser impossível, e o palco para a reviravolta será o nosso Maracanã. A missão do Time de Guerreiros é clara:
- Contra o Bolívar: Precisamos de uma vitória por três gols de diferença para superar o confronto direto.
- Contra o La Guaira: Uma vitória simples basta para garantir os três pontos.
Dois jogos em casa. Duas finais. Zubeldía sabe da responsabilidade e do poder da nossa torcida. ‘Seguimos vivos e temos dois jogos em casa’, reforçou. ‘Esperávamos ganhar, mas o empate nos faz depender de nós. Respeitando sempre as outras equipes. Temos que encarar os dois jogos para classificar’. A convocação está feita. Cabe a nós, tricolores, transformar o Maracanã em um caldeirão e empurrar o Fluzão para as oitavas. A glória eterna exige sacrifício e precisão. Estamos vivos. E isso, por ora, é o que importa. Flu até morrer!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.