IRA CELESTE: GUERREIRO DO FLUMINENSE, CANOBBIO É CRUCIFICADO APÓS EMPATE URUGUAIO

A estreia do Uruguai na Copa do Mundo virou um tribunal para Agustín Canobbio. A torcida celeste não perdoou, mas será que eles sabem o que dizem?

Canobbio foi destaque negativo na partida entre Arábia Saudita e Uruguai nesta segunda-feira (15). (Foto: CHANDAN KHANNA / AFP)

O Empate Amargo e a Caça às Bruxas

A estreia de uma seleção em Copa do Mundo deveria ser um momento de união, de esperança. Para a nação tricolor, era a chance de ver um dos nossos, o incansável Agustín Canobbio, brilhar com a camisa celeste. No entanto, o que se seguiu ao apito final do empate em 1 a 1 entre Uruguai e Arábia Saudita, nesta segunda-feira (15), foi um espetáculo deprimente, não pelo futebol, mas pela fúria desmedida e míope de uma torcida que parece ter escolhido nosso guerreiro como bode expiatório.

O cenário era de um típico drama sul-americano. Sem seu maestro Arrascaeta, lesionado, o técnico Marcelo Bielsa viu seu time sair atrás no placar, com um gol de Abdulelah Al-Amri para os sauditas. Foi no desespero da busca pelo resultado que Bielsa lançou mão de suas peças no banco, entre elas, o atacante do Fluzão, Agustín Canobbio, que entrou no segundo tempo.

Ainda que Maxi Araújo tenha encontrado o gol de empate na reta final, a semente da discórdia já estava plantada. Para parte da torcida uruguaia, a culpa pelo tropeço não residia na tática, na ausência de um craque ou na competência do adversário. Não. A culpa, aparentemente, tinha nome e sobrenome: Agustín Canobbio.

A Fúria das Redes: “Que Não Jogue Nunca Mais”

As redes sociais, esse tribunal do povo onde a razão raramente prevalece sobre a paixão cega, tornaram-se o palco para um linchamento virtual. A elegância e a história da Celeste foram momentaneamente esquecidas para dar lugar a uma torrente de críticas ácidas e, sejamos honestos, desproporcionais. Nós, da Redação Tricolor, compilamos algumas das “sofisticadas” análises dos torcedores, diretamente da fonte, para que a nação tricolor entenda a dimensão da injustiça.

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A coleção de impropérios é vasta e demonstra uma total falta de memória e gratidão. Vejamos o que os doutos analistas de sofá tiveram a dizer sobre o nosso camisa 9:

  • “Canobbio não pode jogar nunca mais na vida pela seleção, Bielsa tem que deixá-lo o mês todo de gandula, como merece.”
  • “É uma merda, Canobbio, hoje eles tiveram muita má vontade mesmo, mas o goleiro foi outra coisa terrível.”
  • “Viña y Canobbio não podem jogar no que resta do Mundial.”
  • “Canobbio teve mais reclamações de faltas inexistentes que participações, e se irritava porque o colocavam para buscar bolas ao lado da quadra em um treino, que justamente é o lugar dele na seleção.”
  • “Sanabria conquistou a vaga. Canobbio que continue chorando do banco.”
  • “…davam todas pro Canobbio e o Darwin ni la tocó.” (davam todas as bolas para Canobbio e Darwin nem tocou nela).

O ápice da miopia talvez tenha sido a pérola: “Sou eu ou este peito frio de Canobbio só joga porque lhes lembra Forlán no Uruguai. É intrascendente este tipo em seu clube e mais na seleção.” Intrascendente no clube? Senhores, de qual clube estão falando? Certamente não do Fluminense Football Club.

A Miopia Uruguaia: Não Enxergam o Guerreiro que Têm?

É aqui que a ironia atinge seu ápice. Enquanto uma parcela da torcida celeste se apressa em descartar um de seus atletas, nós, que acompanhamos Canobbio semana após semana nas Laranjeiras, sabemos o valor que ele possui. A entrega, a raça, a capacidade de nunca desistir de uma jogada… esses são os atributos que o tornaram parte do nosso Time de Guerreiros.

Acusá-lo de “peito frio” ou de ser “intrascendente” em seu clube é de uma ignorância atroz. É não ver os piques que abrem defesas, a pressão incessante na saída de bola do adversário e a dedicação tática que o fazem peça fundamental no esquema do Fluzão. Talvez o futebol moderno, para alguns, resuma-se a firulas e números de Instagram, mas para nós, o futebol ainda valoriza o suor e o sacrifício. E nisso, Canobbio é um mestre.

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O que a torcida uruguaia parece não compreender é que um jogador como Canobbio é o motor silencioso de uma equipe. Ele pode não ser o artilheiro de capa de jornal todos os dias, mas é o operário de luxo que todo técnico sonha em ter. Aquele que corre por dois, que incomoda, que não deixa o adversário respirar.

Um Recado para a Celeste

A reação ao empate com a Arábia Saudita é compreensível. A frustração é parte do futebol. Contudo, eleger um bode expiatório com base em alguns minutos de um jogo complexo é um erro crasso. A seleção uruguaia tem problemas a resolver, como toda equipe em uma Copa do Mundo. Queimar um ativo como Canobbio, um jogador com o espírito que define a própria camisa celeste, é um luxo que eles não podem se dar.

Enquanto eles se perdem em críticas raivosas, nós, aqui no Rio de Janeiro, apenas sorrimos com a habitual sofisticação tricolor. Se não o querem, se não o valorizam, saibam que nas Laranjeiras ele sempre terá seu valor reconhecido. Afinal, a camisa tricolor parece assentar-lhe cada vez melhor. Talvez, no fim das contas, a Celeste é que não esteja à altura de um Guerreiro como Agustín Canobbio. Flu até morrer!

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Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.