Um gosto amargo antes da pausa
Há noites no futebol que desafiam a lógica, que parecem roteirizadas por um dramaturgo com senso de humor sádico. A noite deste domingo, 31 de maio de 2026, no Mineirão, foi uma delas. Em uma partida que deveria ser a celebração do talento tricolor antes da pausa para a Copa do Mundo, o Fluminense saiu de campo com um empate em 1 a 1 contra o Cruzeiro que teve sabor de derrota. Uma obra de arte de John Kennedy foi manchada por um gol de sorte do adversário, e um milagre do goleiro deles nos acréscimos nos roubou o que era nosso por direito.
O resultado, válido pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro, nos mantém na honrosa terceira posição, com 31 pontos. É um atestado da nossa força. Mas a sensação que fica é que poderíamos, e deveríamos, estar ainda mais perto do topo. O esquadrão de Laranjeiras mostrou futebol para vencer, mas o acaso, essa entidade tantas vezes cruel, resolveu jogar pelo time da casa.
A Pintura do Urso em Pleno Mineirão
O primeiro tempo foi um duelo de estratégias. O Cruzeiro, empurrado por sua torcida, tentava manter a posse, mas era o Fluzão quem levava perigo real. Nossos contra-ataques eram como punhais afiados. Serna, em uma dessas jogadas, parou em defesa de Otávio, anunciando o que viria pela frente. Fábio, nosso eterno paredão, também trabalhou, defendendo um rebote de Romero.
Mas a classe, caros tricolores, sempre se distingue. Aos 42 minutos do primeiro tempo, o silêncio tomou conta do Mineirão. John Kennedy, o nosso Urso, recebeu a bola. Diante dele, o zagueiro Jonathan Jesus. O que se seguiu foi poesia em movimento. Um drible seco, um corpo que vai para um lado e a bola para o outro. Com a frieza dos predestinados, ele deslocou o goleiro e estufou as redes. Um gol com a assinatura da base de Xerém, uma pintura que merecia emoldurar uma vitória épica.
O Fluminense ia para o intervalo com a vantagem construída pelo talento puro, pela individualidade que desequilibra. A máquina tricolor parecia perfeitamente ajustada para liquidar o jogo na segunda etapa.
Quando a Sorte Veste Azul-Celeste
Como era de se esperar, os donos da casa voltaram para o tudo ou nada. O técnico Artur Jorge modificou o ataque, e o Cruzeiro partiu para cima. Nosso time, com a inteligência que lhe é peculiar, postou-se para explorar a velocidade e os espaços que certamente apareceriam. Fábio fez mais uma defesa importante em chute de Kaiki, mostrando que a muralha tricolor estava atenta.
Contudo, o futebol tem dessas coisas. Quando o talento não é suficiente para o adversário, a sorte entra em campo. E ela entrou de forma acintosa. Aos 30 minutos da segunda etapa, uma falta na entrada da área. Matheus Pereira, o camisa 10 deles, ajeitou a bola. A cobrança saiu forte, é verdade, mas o destino da bola foi selado por um desvio traiçoeiro na nossa barreira. A bola mudou de direção, enganou Fábio e morreu no fundo do gol. Um gol que o acaso marcou, um balde de água fria na nossa nação tricolor.
Um Milagre Contra o Tricolor
Mesmo com o golpe, o Time de Guerreiros não se entregou. O empate inverteu os papéis: o Fluminense retomou o controle da bola, buscando o gol da vitória que a justiça do jogo exigia. Fomos para cima, encurralamos o Cruzeiro em seu próprio campo, mostrando quem de fato mandava na partida.
E a chance veio. Nos acréscimos, quando os corações já batiam descompassados. A bola encontrou Serna dentro da pequena área. Era o gol da vitória. O gol da justiça. O gol para calar de vez o Mineirão. Mas o goleiro Otávio, em um lance que a crônica esportiva local certamente chamará de ‘milagre’, operou uma defesa impossível, negando a glória ao Fluminense.
Saímos de campo com um ponto, mas com a certeza de que merecíamos os três. Fica a lição e a certeza de que este time tem alma e futebol para brigar pelo título. Que venha a pausa, para que possamos voltar ainda mais fortes. Flu até morrer!
Ficha Técnica: Cruzeiro 1 x 1 Fluminense
- Competição: Campeonato Brasileiro – 18ª Rodada
- Data e Horário: Domingo, 31 de maio de 2026, às 20h30 (de Brasília)
- Local: Mineirão, Belo Horizonte (MG)
- Gols: John Kennedy (FLU, 42’/1°T), Matheus Pereira (CRU, 30’/2°T)
- Cartões Amarelos: Romero e Fabrício Bruno (CRU); Millán e Samuel Xavier (FLU)
- Cartões Vermelhos: Nenhum
- Arbitragem: Lucas Casagrande (PR)
Escalações
FLUMINENSE (Técnico: Luis Zubeldía)
- Fábio; Guga, Jemmes, Millán, Arana (Renê); Bernal (Hércules), Martinelli, Savarino (Samuel Xavier); Serna, Soteldo (Lucho Acosta), John Kennedy (Cano).
CRUZEIRO (Técnico: Artur Jorge)
- Otávio; Fagner (Bruno Rodrigues), Fabrício Bruno, Jonathan Jesus, Kaiki; Lucas Romero (Matheus Henrique), Gerson, Matheus Pereira; Christian, Arroyo (Kenji), Neyser (Sinisterra).
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.