O Predador voltou: um gol para lavar a alma tricolor
Havia uma angústia pairando no ar, uma desconfiança teimosa que nos acompanhava a cada viagem para longe do Maracanã. Mas aos 43 minutos do primeiro tempo, em pleno Mineirão, o silêncio se fez grito. E o grito tinha nome e sobrenome: John Kennedy. O nosso Urso, o predador da área, fez o que dele se espera. Recebeu, partiu para cima da defesa do Cruzeiro como se fosse um trem desgovernado e, com a frieza dos gênios, bateu de canhota para vencer o goleiro Otávio. Um gol para calar os críticos e, principalmente, para quebrar um jejum que já nos incomodava.
Neste domingo (31), pela 18ª rodada do Brasileirão, o Fluminense não entrou em campo apenas para jogar futebol. Entrou para fazer uma declaração. Em um jogo de peso simbólico, o último antes da longa pausa para a Copa do Mundo em julho, era preciso mostrar força. E não há demonstração de força maior do que um gol de puro instinto e talento de John Kennedy.
Enquanto a torcida local ainda sonhava com as firulas de seu camisa 10, Matheus Pereira, que de fato teve boa atuação contra o Barcelona do Equador na Libertadores, nós fomos agraciados com a objetividade letal. Eles têm o maestro; nós temos o matador. E no futebol, caros tricolores, é o gol que define a melodia.
Um jejum indigesto finalmente quebrado
Não nos enganemos, a caminhada tem sido árdua longe de nossos domínios. A última vez que a nação tricolor comemorou uma vitória fora de casa foi em 19 de abril, naquele emocionante 3 a 2 contra o Santos na Vila Belmiro, também pelo Campeonato Brasileiro. De lá para cá, a estrada foi tortuosa. Foram cinco jogos, somando três derrotas amargas e dois empates com sabor de frustração.
Essa sequência era uma pedra no sapato de um time que mostra tanta qualidade. Um esquadrão que, em casa, venceu o Deportivo La Guaira por 3 a 1 e carimbou com autoridade sua passagem para as oitavas da Libertadores. Faltava traduzir essa imponência para os jogos como visitante. O gol de Kennedy não é apenas o primeiro do jogo; é o primeiro passo para exorcizar esse fantasma.
A verdade é que o desempenho longe do Rio estava longe da regularidade que se espera de um clube com a nossa grandeza. A vitória no Mineirão, se confirmada, não vale apenas três pontos. Vale a tranquilidade para trabalhar, a confiança para sonhar e o respeito dos adversários.
A pausa da Copa: tempo para ajustar a máquina
A comissão técnica não é cega. Sabemos, e eles também, que há problemas a serem resolvidos. A nossa defesa, por vezes, tem sido generosa demais com os atacantes adversários, sofrendo gols em excesso. A regularidade, essa musa tão desejada no futebol, ainda não se fez presente em tempo integral. Mas há uma diferença abissal entre ir para uma pausa pressionado e ir com a moral elevada.
Este gol, esta vantagem no placar, nos coloca no segundo cenário. A pausa para a Copa do Mundo será um oásis para ajustes. Será o momento de corrigir as falhas estruturais sem a pressão diária da competição, de recuperar atletas e, crucialmente, de integrar reforços do calibre de Hulk, um nome que já mexe com a imaginação da torcida.
Encerrar o semestre com uma vitória maiúscula no Mineirão significa consolidar a reaproximação com a torcida, afastar qualquer espectro de crise institucional e, o mais importante, olhar para a tabela do Brasileirão e para o chaveamento da Libertadores com a certeza de que somos protagonistas. Permanecemos vivos na América, estamos entre os primeiros no Brasil, e agora temos tempo e moral para afiar nossas armas.
O Cruzeiro chegou embalado, é verdade. Mas encontraram pela frente o Time de Guerreiros. E, mais especificamente, encontraram um Urso faminto. Que este gol seja o prenúncio de um segundo semestre avassalador. Flu até morrer!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.