A manhã desta terça-feira (26) trouxe consigo um déjà-vu que a nação tricolor preferia ter evitado. Durante o sorteio das oitavas de final da Copa do Brasil de 2026, realizado na sede da CBF, o destino, em seu humor mais irônico, nos reservou um velho conhecido: o Vasco. E com ele, todas as lembranças amargas de um passado recente que ainda dói na alma.
Assim que as bolinhas definiram o Clássico dos Gigantes, as redes sociais foram inundadas por uma onda de apreensão e desabafo. A frase que ecoou com mais força, um verdadeiro mantra de exaustão, foi: ‘Não aguento mais’. E como aguentar? A ferida de 2025 ainda não cicatrizou, e o sorteio pareceu esfregá-la com sal.
Para a maioria dos torcedores, tanto do Fluzão quanto do rival, a preferência era clara: um adversário mais acessível nesta fase da competição. Mas o futebol, em sua essência dramática, adora roteiros repetidos, especialmente aqueles que envolvem grandes rivalidades e contas a acertar.
O Fantasma de 2025: Uma Ferida Ainda Aberta
É impossível olhar para este confronto de 2026 sem ser imediatamente transportado para a semifinal da mesma Copa do Brasil, em 2025. Aquele duelo foi um daqueles que testam o coração do torcedor. O Fluminense, lutando bravamente, acabou sucumbindo nos pênaltis, uma das formas mais cruéis de se despedir de um sonho.
A saga começou com uma derrota dolorosa no jogo de ida, quando um gol de Vegetti no apagar das luzes deu a vitória ao Cruz-Maltino por 2 a 1, deixando um gosto amargo e a obrigação de reverter em casa. Aquele gol tardio já prenunciava o sofrimento que estava por vir.
Para adicionar uma pitada de ironia ao nosso sofrimento, o Vasco, após nos eliminar, chegou à final apenas para ser vice-campeão, perdendo o título para o Corinthians em pleno Maracanã. Um consolo pobre, mas um consolo ainda assim.
Um Gol Contra, Uma Esperança Vã e o Fim nos Pênaltis
O jogo de volta daquela semifinal foi um espetáculo de tensão. Arquibancadas lotadas, a festa das torcidas colorindo o estádio, e uma batalha campal no meio de campo. O roteiro parecia seguir o da primeira partida, com o Vasco, mesmo com a vantagem, começando mais perigoso.
Rayan e Andrés Gómez assustaram, mas tínhamos um gigante em nossa meta. Fábio, em mais uma de suas exibições de gala, segurou o ímpeto inicial do adversário, mantendo o Time de Guerreiros vivo na disputa. Foi a muralha que nos permitiu sonhar.
E então, aos 35 minutos do primeiro tempo, o destino pareceu sorrir para nós. Canobbio, incansável, cruzou rasteiro pela direita. A bola encontrou Everaldo, que finalizou na trave. No rebote, em um ato de puro desespero e trapalhada, o lateral-direito deles, Paulo Henrique, tentou afastar e acabou chutando contra o próprio patrimônio. Gol! Um gol contra, mas um gol que nos colocava de volta no jogo. A esperança explodiu no lado tricolor da arquibancada.
No entanto, a alegria foi efêmera. O segundo tempo viu o esquadrão de Laranjeiras tentar de tudo, mas sem sucesso. As entradas de Ganso e do predestinado John Kennedy não surtiram o efeito desejado. Do outro lado, nomes como Vegetti e Hugo Moura também pouco acrescentaram. O jogo se arrastou para a decisão que todo torcedor teme: os pênaltis. E o desfecho, todos nós lembramos com amargura.
Reação Imediata: A Nação Tricolor Exige Vingança
O sorteio desta terça-feira não foi apenas a definição de um adversário; foi o acender de um pavio. A reação da torcida das Laranjeiras mostra que, por trás do ‘não aguento’, existe uma sede de revanche. Este confronto de 2026 não será apenas mais um jogo. Será a chance de exorcizar os fantasmas de 2025.
É a oportunidade de reescrever a história, de transformar a dor da lembrança em combustível para a vitória. O Vasco está novamente em nosso caminho. Que eles venham. Desta vez, o roteiro precisa ser diferente. Pelo Fluminense, pela nossa história e para que a frase ‘não aguento’ seja, finalmente, substituída por um grito de campeão. Flu até morrer!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.