SAÍDA PROGRAMADA? Ganso é ‘escondido’ no Brasileirão e futuro no Fluminense fica em xeque

O Maestro não joga mais no Brasileirão e o motivo pode ser o adeus. Entenda a estratégia que pode tirar Ganso do Fluminense ainda nesta janela.

Ganso em atuação contra o Bolívar, na Libertadores — Foto: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.

De Maestro a Mero Espectador: A Melancolia do Fim

Há um silêncio incômodo que precede o fim de grandes histórias de amor. Para a nação tricolor, esse silêncio tem nome, número e uma elegância que, hoje, assiste ao jogo do banco. Paulo Henrique Ganso, o maestro que regeu a orquestra do Fluminense na conquista da Glória Eterna em 2023, vive o crepúsculo de sua jornada em Laranjeiras. O protagonista técnico de Fernando Diniz, a peça central de nossa construção ofensiva, hoje é uma sombra do que foi.

A cena que talvez sele o capítulo final dessa saga ocorreu no último sábado, na derrota para o Mirassol. Com o time precisando de um milagre, de um passe de mágica, de um toque de gênio, o técnico Luis Zubeldía preferiu o improviso. Olhou para o banco e, em vez de chamar o camisa 10, optou pelos jovens Riquelme e Wesley Natã — atletas que, sejamos honestos, mal figuram entre os relacionados em dias normais. Ganso? Permaneceu sentado, assistindo a tudo, um rei deposto em seu próprio trono.

Os Números Não Mentem: A Queda do Camisa 10

Para quem ainda se apega à esperança, os números são um balde de água fria. A situação contratual do maestro é um xadrez delicado e revelador. Com contrato vigente até dezembro de 2026, a diretoria já sinalizou, segundo informações do Lance!, que não haverá renovação. O Fluzão não fará esforço para manter o ídolo.

Pior: Ganso soma exatas 12 partidas no Campeonato Brasileiro. A 13ª partida seria o ponto sem retorno, impedindo-o de atuar por qualquer outro clube da Série A nesta temporada. O fato de ele continuar sendo relacionado, mas sem entrar em campo, soa menos como estratégia e mais como uma vitrine. Uma placa de “negociável” pendurada no pescoço de um de nossos heróis recentes. A partir do meio do ano, ele já pode assinar um pré-contrato, e o clube, em nome da boa relação, deve facilitar uma saída imediata.

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A queda de rendimento é brutal e explica a perda de status:

  • Ano da Glória (2023): Disputou 56 partidas, sendo titular em 49, com 10 assistências. Era o cérebro do time.
  • Início da Queda (2024): A média de passes, que era superior a 44 por jogo, desabou.
  • Realidade Atual: Hoje, acerta pouco mais de 23 passes por partida. A criação de grandes chances, sua marca registrada, evaporou.

O jogador que ditava o ritmo do Fluminense, que encontrava espaços onde só havia paredes, agora luta por migalhas de minutos em jogos onde, ironicamente, sua ausência criativa é sentida como um soco no estômago.

A Profecia de Abel Braga

Curiosamente, a carreira de Ganso no Fluminense renasceu de uma situação parecida, sob a batuta de Abel Braga em 2022. Mas o tempo, tricolores, é implacável. Em entrevista ao Lance!, o próprio Abel relembrou a conversa dura que teve com o meia, uma bronca que mudou tudo.

“Quando cheguei ao Fluminense em 2022, ele teve uma atitude de um atleta de verdade. No primeiro dia, eu falei para ele: ‘Ganso, há três ou quatro anos as pessoas estão querendo que você saia, você não sai e também não joga. O teu percentual de gordura está alto'”, contou o ex-treinador. Segundo Abel, falar “olho no olho” pode ter mexido com o camisa 10.

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Naquela época, a sacudida funcionou. Ganso respondeu, tornou-se fundamental e nos guiou ao topo do continente. Hoje, quatro anos mais velho, a mesma fórmula parece improvável. A magia parece ter se esvaído, e o clube já não demonstra a mesma paciência.

E Agora, Fluminense?

A despedida se aproxima, e com ela, uma dor agridoce. A gratidão pelo que foi feito é eterna, mas a realidade do futebol se impõe. Ganso não pensa em aposentadoria e certamente terá mercado no Brasil ou no exterior. Para nós, fica a pergunta: quem irá reger a máquina tricolor?

Ver um ídolo da magnitude de Ganso ser preterido por jovens em um momento de desespero é um sinal claro. O ciclo está se fechando. Resta-nos aplaudir o último tango do maestro, agradecer pela música e nos preparar para um futuro onde a camisa 10 do Fluminense buscará um novo dono. O adeus, ainda que não oficializado, já acontece diante de nossos olhos. E dói.