Um Sopro de Esperança nos Andes
Tricolores, respirem fundo. Quando tudo parecia se encaminhar para mais uma daquelas noites de calculadora e reza brava, o destino, esse roteirista irônico, parece ter nos dado um sinal. A classificação do Fluminense na Conmebol Libertadores, que parecia depender de um milagre, agora ganha um capítulo inesperado vindo diretamente do caos social que tomou conta da Bolívia. A partida crucial entre Bolívar e Independiente Rivadavia corre sério risco de não acontecer na temida altitude de La Paz.
Como bem disse o técnico Vladimir Soria após sentir a força do Fluzão e ser derrotado por 2 a 1 na última quinta-feira, a última rodada da fase de grupos começou muito antes de a bola rolar. E para a nação tricolor, ela começou com uma notícia que acende uma chama de esperança. A possibilidade de o Bolívar ser despido de sua maior arma – os 3.650 metros do Estádio Hernando Siles – muda completamente o panorama do Grupo C.
La Paz em Chamas, Fluminense de Olho
A situação na Bolívia é complexa e ultrapassa as quatro linhas. Uma onda de protestos, iniciada no começo de maio, abala a estabilidade social do país, com epicentro justamente em La Paz. Sindicatos de trabalhadores de transporte e mineradores lideram greves e manifestações contra o governo do presidente Rodrigo Paz, pressionando por mudanças em medidas que, segundo eles, elevaram o custo de vida.
Essa turbulência já fez a Conmebol agir. A entidade, sempre atenta (ou nem sempre, mas desta vez parece que sim), já transferiu duas partidas que seriam disputadas no país para a cidade de Assunção, no Paraguai. Os jogos em questão foram Always Ready contra Mirassol, pela Libertadores, e Independiente Petrolero versus Botafogo, pela Sul-Americana. Se até o nosso rival carioca teve seu itinerário alterado, por que não sonhar?
Como o confronto entre Bolívar e Rivadavia está agendado apenas para a próxima semana, a decisão final ainda não foi tomada. No entanto, segundo informações do portal boliviano Visión 360, a Conmebol monitora de perto a situação, e a possibilidade de uma mudança de local é real e iminente. Para nós, tricolores, seria a justiça poética que tanto aguardamos.
A Matemática da Classificação e o Fator Altitude
Vamos aos cálculos, pois o torcedor do Fluminense é, antes de tudo, um estrategista. Nossa missão no dia 27 é clara: vencer o La Guaira no Maracanã. Isso é inegociável, é o nosso dever de casa. Contudo, apenas a vitória não basta. Precisamos que, no outro jogo do grupo, o Bolívar não vença o Independiente Rivadavia. Um empate ou uma derrota dos bolivianos nos coloca na próxima fase.
O problema é que, em condições normais, o Bolívar em La Paz é um adversário quase intransponível. Nós mesmos sentimos isso na pele ao sermos derrotados por 2 a 0 em suas dependências, resultado este que dá a eles a vantagem no critério de desempate do confronto direto. Uma vitória simples deles, por qualquer placar, nos elimina, mesmo que goleemos no Maracanã.
É aqui que a possível mudança de local se torna um divisor de águas. Tirar o Bolívar da altitude é como tirar a força de Sansão. Em campo neutro, o jogo se torna outro. O favoritismo boliviano despenca, e as chances do Independiente Rivadavia arrancar ao menos um empate aumentam exponencialmente. Seria o equilíbrio que a competição pede, nivelando a disputa pela técnica, e não pelo ar rarefeito.
O Dever de Casa e a Fé no Imponderável
Enquanto a Conmebol não bate o martelo, a nós, torcida das Laranjeiras, cabe fazer duas coisas. A primeira é preparar o gogó e a alma para empurrar o Time de Guerreiros no Maracanã. A vitória contra o La Guaira é a nossa parte do acordo com o destino. Sem ela, nada do que acontece na Bolívia importa.
A segunda é acompanhar o noticiário, com aquele otimismo cauteloso que só o tricolor possui. O futebol é feito de momentos imponderáveis, de reviravoltas que parecem saídas de um filme. E, desta vez, o caos político de um país vizinho pode ser o nosso bilhete para a glória. Que a justiça seja feita, e que o Fluzão possa disputar sua vaga em condições de igualdade. Estamos de olho, Conmebol. O mundo tricolor está de olho.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.