Uma vitória que não libertou
A noite de terça-feira no Maracanã deveria ter sido uma catarse. Uma celebração. O Fluminense venceu o Bolívar por 2 a 1, cumpriu parte do seu dever, mas a sensação que paira sobre as Laranjeiras é a de uma vitória com gosto de empate. O esquadrão de Luis Zubeldía precisava de mais, e a nação tricolor, que fez sua parte, saiu do estádio com uma calculadora na mão e o coração na outra.
O triunfo manteve a chama da esperança acesa na Copa Libertadores, mas não nos tirou da incômoda posição de depender dos outros. Com cinco pontos, empatados com os próprios bolivianos, o Fluzão chega à última rodada do Grupo C sob uma pressão colossal. A vitória era obrigatória, mas o placar, ah, o placar foi cruel.
A matemática do sofrimento: o que o Fluzão precisa?
Para o torcedor que já separou o terço e a tabela, o cenário é claro, embora nada confortável. A equipe de Zubeldía entrou em campo nesta terça (19) com uma missão hercúlea: vencer por três gols de diferença para reverter a vantagem no confronto direto, o principal critério de desempate desta edição da Libertadores. Como havíamos perdido por 2 a 0 na altitude desumana, a tarefa era clara. A vitória por apenas um gol nos mantém em desvantagem.
Agora, o destino do Time de Guerreiros depende de uma combinação de resultados na rodada final. Não há margem para erro. O roteiro para a classificação é o seguinte:
- Cenário 1 (O mais provável): O Fluminense precisa vencer o Deportivo La Guaira, no dia 27, no Maracanã. Além disso, teremos que ligar o ‘secador’ no máximo e torcer para que o Bolívar não vença o já classificado Independiente Rivadavia. Um empate ou derrota dos bolivianos nos serve.
- Cenário 2 (O milagre): Existe uma rota ainda mais tortuosa. Se o Nense apenas empatar com o La Guaira, a classificação ainda é matematicamente possível, mas beira o impossível. Para isso, precisaríamos de uma derrota do Bolívar para o Rivadavia e, crucialmente, que os venezuelanos do La Guaira não vençam os argentinos nesta quinta-feira (21).
De olho na Venezuela e em uma ajuda do destino
Antes de nossa batalha final, todos os olhos tricolores se voltam para a Venezuela. Nesta quinta-feira (21), Deportivo La Guaira e Independiente Rivadavia se enfrentam. Para nós, o melhor dos mundos é um empate ou uma vitória dos argentinos, que, vale lembrar, já estão com a vaga garantida e podem jogar com mais leveza.
E há uma luz, ainda que tênue, no fim do túnel. Uma notícia vinda da Bolívia pode dificultar a vida do nosso rival direto. Devido a conflitos sociais em La Paz, existe a possibilidade de que a partida entre Bolívar e Independiente Rivadavia não seja realizada na temida altitude. Seria uma pequena ajuda do destino, tirando do nosso adversário a sua maior arma. Resta-nos torcer para que a logística jogue a nosso favor.
Entre a Libertadores e o Brasileirão
Enquanto a cabeça do torcedor ferve com as contas da Libertadores, o elenco precisa virar a chave. O calendário não perdoa e o próximo compromisso do Fluminense já é neste sábado (23), fora de casa, contra o Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro. É um teste para a concentração e para a gestão do elenco por parte de Luis Zubeldía, que precisa manter o time competitivo em uma frente enquanto a outra define nosso futuro continental.
A vitória contra o Bolívar foi um passo, mas a caminhada ainda é longa e íngreme. A calculadora virou nossa companheira inseparável até o dia 27. Que o espírito guerreiro que habita em Laranjeiras se faça presente. Acreditaremos até o último segundo. Flu até morrer!