Uma vitória com gosto de derrota no Maracanã
Meus caros tricolores, que noite de sentimentos conflitantes. Vencemos o Bolívar. Três pontos na conta pela Taça Conmebol Libertadores. Em teoria, deveríamos estar soltando fogos, celebrando o avanço do nosso esquadrão de Laranjeiras. Mas a verdade, nua e crua, é que o placar não reflete a agonia que foi assistir à partida. Saímos do Maracanã com a vitória, mas com uma pulga atrás da orelha do tamanho de um bonde.
O que vimos em campo foi um Fluminense desconexo, apático em diversos momentos e que dependeu mais de lampejos individuais do que de uma orquestra afinada, como nos acostumamos a ver. O adversário, com todo respeito, finalizou apenas duas vezes em nossa meta. Duas! E ainda assim, conseguiu balançar as redes do nosso goleiro Fábio, que, diga-se de passagem, não teve culpa alguma no lance e foi um mero espectador na maior parte do tempo.
A vitória é obrigatória, sempre. Mas a performance acende um alerta vermelho. Certos jogadores pareciam estar em outra sintonia, vestindo a armadura tricolor com um peso que não deveriam sentir. É preciso analisar friamente, com a elegância que nos é peculiar, quem honrou o manto e quem, infelizmente, ficou devendo – e muito.
Savarino e Hércules: A Dupla do Apagão Tricolor
Se uma análise precisa de um ponto de partida, comecemos pelo fundo do poço. E nesta noite, o fundo do poço teve nome e sobrenome. Ou melhor, nomes. Savarino foi, sem a menor sombra de dúvida, o pior em campo. Com uma nota 3.0, sua atuação foi um misto de apatia e equívocos. Ora sumido em campo, ora aparecendo para tomar a decisão errada. Perdeu chances, errou passes e deixou a nação tricolor à beira de um ataque de nervos. Uma performance para ser esquecida.
Ao seu lado no panteão das decepções, Hércules. O meio-campista esteve irreconhecível. Foi constantemente superado pelos adversários, não apresentou a firmeza necessária na marcação e, para coroar a noite desastrosa, foi driblado no início da jogada que resultou no gol boliviano. Foi uma atuação muito, muito abaixo do que se espera de um guerreiro do Fluzão.
A morosidade no banco de reservas em substituí-los é um capítulo à parte. Era evidente que a presença de ambos comprometia a estrutura da equipe, mas as mudanças custaram a acontecer.
Luzes e Sombras: O Desempenho do Restante do Time
Nem só de vilões se fez a noite. Tivemos um elenco inteiro com altos e baixos, uma verdadeira montanha-russa de emoções. Alguns tentaram, outros simplesmente não conseguiram. Vamos aos fatos, tricolor:
- Rodrigo Castillo: O atacante ainda não mostrou a que veio. Perdeu duas grandes oportunidades, sendo uma delas inacreditável, ao furar a bola de forma bisonha. Chegou a marcar, mas o lance foi invalidado por impedimento de John Kennedy. Frustrante.
- Canobbio: O retrato da vontade sem produtividade. Começou bem, participou da jogada do primeiro gol, mas depois caiu no seu padrão de esforço máximo e resultado mínimo. Correu incansavelmente, mas errou quase tudo que tentou.
- Ganso: Nosso Maestro entrou sem a batuta. Com uma intensidade baixíssima, não conseguiu ditar o ritmo com seus passes geniais e ainda foi premiado com um cartão amarelo. Uma noite atípica para o camisa 10.
- Nonato: Teve participação crucial no primeiro gol tricolor, é verdade. Contudo, não conseguiu manter o nível e sua atuação se tornou burocrática, sem brilho, culminando em sua substituição no segundo tempo.
- Guga: Fez um bom primeiro tempo, apoiando o ataque. No entanto, perdeu uma chance clara de gol no início da segunda etapa e seu rendimento caiu vertiginosamente, sendo substituído por cansaço.
Os Suspiros de Alívio e a Crítica ao Comando
Em meio ao caos, algumas luzes se acenderam. Soteldo entrou bem, dando volume pela esquerda e sendo o arquiteto da jogada do gol da vitória. E por falar em gol, ele veio dos pés do predestinado. John Kennedy, o nosso Urso, que vinha numa partida apagada e perdendo chances, encontrou uma finalização difícil, daquelas que só ele sabe, para garantir os três pontos. Foi o seu último ato em campo, sendo imediatamente substituído por Cano, que já aguardava para entrar.
Cano, por sua vez, entrou para ser a referência, ajeitou uma bola para o já mencionado Savarino desperdiçar e participou de alguns lances. Samuel Xavier também entrou na etapa final e quase marcou um golaço, não fosse a grande defesa do goleiro Lampe.
Por fim, uma crítica necessária ao comando técnico. Com Zubeldía suspenso, Maxi Cuberas esteve à beira do campo. A pergunta que não quer calar: por que a demora para mexer? O time não funcionava, o resultado não interessava no intervalo, e as peças que claramente destoavam, como Savarino e Hércules, permaneceram em campo por tempo demais. A inércia no banco quase custou caro.
Vencer é bom, mas jogar à Fluminense é essencial
Que esta vitória sirva de lição. Não podemos e não vamos nos contentar com pouco. Somos o Fluminense, a máquina tricolor, o time que encanta. Vencer é a nossa obrigação, mas jogar com a bola no chão, com inteligência e com a garra dos guerreiros é a nossa identidade. Esperamos ver uma postura radicalmente diferente na próxima batalha. Porque somos e sempre seremos Flu até morrer, na alegria e, principalmente, na cobrança por um futebol à altura da nossa história.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.