A noite da verdade para o Time de Guerreiros
A terça-feira no Maracanã não será para cardíacos, nação tricolor. Às 19h (de Brasília), o Fluminense entra em campo para um duelo que vale a sua honra e a sua sobrevivência na Copa Libertadores da América. O adversário é o Bolívar, e o confronto, válido pela quinta rodada da fase de grupos, tem ares de uma final antecipada para o esquadrão de Laranjeiras.
A situação é delicada, não nos enganemos. O Fluzão, com uma campanha até aqui aquém de sua grandeza na competição, ainda não sentiu o sabor da vitória. Com apenas dois pontos, amargamos a lanterna do Grupo C. Contudo, e aqui reside a beleza do futebol, o destino ainda repousa em nossos próprios pés. Uma vitória é mais do que um desejo; é uma obrigação.
Zubeldía e a elegância da simplicidade: em time que está ganhando…
O nosso comandante, Luiz Zubeldía, um homem que parece apreciar a lógica e a meritocracia, não fará invenções mirabolantes para este confronto decisivo. A sabedoria popular, que por vezes é o melhor dos manuais táticos, dita: em time que está ganhando, não se mexe. E é essa a filosofia que guiará o Nense.
Após as vitórias consecutivas e convincentes sobre Operário e São Paulo, o treinador argentino encontrou uma espinha dorsal, um ritmo. A única alteração vista entre essas partidas foi na zaga, com a entrada de Ignácio no lugar de Jemmes. E, ao que tudo indica, o camisa 4, mesmo sem uma atuação de gala, fez o suficiente para conquistar a confiança do chefe e garantir sua permanência entre os titulares. É a consolidação pela performance, como deve ser.
Portanto, o torcedor pode esperar uma equipe que já conhece, com a mesma estrutura que nos deu alegrias recentes. A aposta é na continuidade, no entrosamento adquirido em batalhas recentes para superar mais um desafio monumental.
Um maestro ausente e um reforço de volta
Nem tudo, porém, segue o roteiro ideal. Teremos que lutar sem a presença de nosso maestro à beira do campo. Luiz Zubeldía, acumulando o terceiro cartão amarelo, assistirá à partida das tribunas, cumprindo suspensão. Uma ausência sentida, sem dúvida, mas que servirá como teste final para a autonomia e a maturidade de nossos guerreiros em campo. Eles terão que ser os olhos e a voz do treinador lá dentro.
Por outro lado, há boas notícias. O volante Bernal, que cumpriu suspensão na última partida continental contra o Independiente Rivadavia após ser expulso justamente contra o Bolívar no primeiro turno, está de volta e à disposição. Um retorno crucial, que adiciona força e opção tática ao nosso meio-campo para uma partida que exigirá pegada e inteligência.
A calculadora na mão: o que o Fluminense precisa para se classificar?
Vamos aos números, tricolores. A matemática pode parecer assustadora, mas a esperança é a nossa maior aliada. Com apenas dois pontos, a primeira colocação do grupo já é um sonho distante. O nosso foco, realista e pragmático, é a segunda vaga para as oitavas de final.
E o caminho é claro: vencer os dois jogos que nos restam, ambos em nosso templo, o Maracanã. A primeira final é nesta terça, contra o Bolívar. E aqui entra um detalhe crucial, fruto da mudança no regulamento da Conmebol para este ano. Como perdemos para os bolivianos por 2 a 0 na altitude, o confronto direto é o primeiro critério de desempate.
Isso significa que uma vitória simples não basta para nos colocar à frente deles em caso de empate na pontuação. Para superar o Bolívar no confronto direto, o Fluminense precisa vencer por três gols de diferença. Uma tarefa hercúlea, sim, mas não impossível para quem carrega o peso desta camisa. Vencendo por 3 a 0, 4 a 1, e assim por diante, a vantagem no confronto direto passa a ser nossa. Se este passo for dado, uma vitória simples contra o La Guaira na última rodada, também em casa, carimba nosso passaporte para as oitavas.
Provável escalação do Fluminense
Luiz Zubeldía preza pelo mistério, mas a coerência é sua marca. Não se espera uma revolução, mas sim a consolidação de uma ideia de jogo. A base que atuou contra o São Paulo deve ser mantida.
- Filosofia: Manutenção da equipe que venceu os últimos dois jogos.
- Defesa: Ignácio, o camisa 4, deve ser mantido na zaga, ganhando sequência.
- Meio-campo: Bernal retorna de suspensão e se torna uma opção importante para o setor.
- Ausência: O técnico Luis Zubeldía não estará na área técnica, cumprindo suspensão.
É noite de Libertadores. É noite de Maracanã pulsando. É noite de vestir o verde, o branco e o grená com orgulho e empurrar o time para mais uma página heroica de sua história. A matemática é fria, mas a paixão tricolor é capaz de derreter qualquer gelo. Flu até morrer!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.