Uma vitória com gosto de derrota no Maracanã
Há noites no futebol que desafiam a lógica e o coração do torcedor. A vitória por 2 a 1 sobre o Bolívar, em plena quarta-feira de Libertadores, deveria ser motivo de alívio e celebração nas Laranjeiras. Deveria. Mas o sentimento que pairou no ar, e que foi verbalizado com uma sinceridade cortante, foi outro. Foi o de uma oportunidade de ouro desperdiçada.
Quem deu voz a essa angústia coletiva da nação tricolor foi Maxi Cuberas, o fiel escudeiro de Luis Zubeldía. Com o técnico principal suspenso, coube ao auxiliar a missão de comandar o Fluzão à beira do campo e, depois, encarar os microfones. E ele não se escondeu. Com a elegância que se espera de quem representa o Time de Guerreiros, mas com a frustração de quem viu o placar não refletir a realidade do campo, Cuberas resumiu a noite em uma palavra: ‘lamentavelmente’.
‘Lamentavelmente’: O desabafo que ecoa na arquibancada
A análise de Cuberas foi um espelho do que cada tricolor sentiu. A equipe dominou, criou, empurrou o Bolívar para seu campo de defesa e transformou o goleiro adversário em um candidato a herói. O esquadrão de Laranjeiras fez tudo, menos o essencial em uma noite decisiva de Libertadores: ser letal.
“Creio que a equipe fez um grande esforço, protagonizou o jogo, buscou ganhar a partida, criou situações em vários momentos…”, começou o auxiliar, antes de chegar ao ponto nevrálgico da questão. “Lamentavelmente não conseguimos fazer mais para ficar mais tranquilos”, desabafou. Essa frase, dita com um peso visível, poderia ter saído da boca de qualquer um dos milhares de tricolores que empurraram o time no Maracanã.
A falta de contundência, o famoso ‘gol perdido que não volta mais’, foi o tema central. A máquina tricolor produziu, mas a engrenagem final falhou. O segundo e o terceiro gols, que trariam a paz necessária para a última rodada, teimaram em não sair, deixando um rastro de apreensão para o futuro do Fluminense na competição.
O fantasma da altitude e a conta que não fecha
Maxi Cuberas não fugiu da responsabilidade e foi cirúrgico ao diagnosticar a origem do problema atual. Para ele, o resultado magro em casa foi apenas a consequência de um pecado original cometido a milhares de metros do nível do mar.
“Se falarmos do resultado, realmente não era o que queríamos”, admitiu, para em seguida apontar o verdadeiro vilão desta saga. “Creio que o jogo na Bolívia, na altitude, foi o que não jogamos bem e nos custou essa situação”. A honestidade é brutal, mas necessária. Aquele jogo, aquela performance abaixo da crítica, é o que hoje nos obriga a depender de calculadoras e de outros resultados.
Apesar da autocrítica, Cuberas defendeu a performance geral do time na competição, excluindo o desastre boliviano. “A equipe poderia ter somado mais pontos pelo que gerou. Temos que seguir trabalhando, focar na partida de sábado e depois pensar na Libertadores. Nada é impossível, temos que seguir crescendo para ter possibilidade de classificar”, afirmou, tentando injetar uma dose de otimismo no cenário complicado.
Um pacto com a nação tricolor para a rodada final
Mesmo com a frustração evidente, a mensagem final de Cuberas foi de união e de reconhecimento à força que vem das arquibancadas. Ele justificou as substituições como uma tentativa de manter a pressão, de injetar “jogadores frescos” para buscar o placar elástico até o último segundo.
“Ficamos um pouco tristes porque podíamos ganhar por uma diferença maior, mas a entrega da equipe, que se tentou do inicio ao fim, e também com as trocas, seguiu igual”, elogiou, valorizando o esforço inegável dos guerreiros em campo.
O auxiliar fez questão de se dirigir diretamente à torcida, agradecendo o apoio incondicional e convocando para a batalha final. “Primeiro, tenho que agradecer ao torcedor, que em todo o momento nos apoiou e jogou junto com a equipe até o final. Falta uma partida, vamos nos entregar todos. Precisamos do apoio do torcedor e sei que vamos ter”, disse, antes de proferir a frase que define nosso destino: “Não depende só de nós, mas vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance e espero que consigamos a classificação”.
A noite foi de uma vitória amarga, de um 2 a 1 com gosto de empate. A sinceridade de Maxi Cuberas, porém, serve como um pacto. A comissão técnica sabe onde errou, sabe o que faltou. Agora, resta ao Fluzão fazer sua parte e, como sempre, acreditar. Porque ser tricolor é isso. É lamentar um gol perdido hoje para acreditar na classificação impossível amanhã. Flu até morrer.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.