Uma ‘final’ no Maracanã e um feito inédito em jogo
A Nação Tricolor se prepara para uma noite de roer as unhas. Nesta terça-feira (19), o Maracanã será palco de uma verdadeira final antecipada na Libertadores. O adversário é o Bolívar, e a missão, caros amigos, é hercúlea: para sonhar com a classificação sem depender de ninguém na última rodada, o Fluzão precisa de algo que ainda não conseguiu em todo o ano de 2026: vencer por três gols de diferença.
Sim, você leu certo. Em uma temporada que nos acostumamos a ver um time de toque de bola refinado, que controla o jogo e dita o ritmo, também nos tornamos reféns de uma ineficácia crônica na hora de mandar a bola para o fundo da rede. Dominamos, criamos, mas na hora do ‘vamos ver’, o placar teima em não refletir nossa superioridade. Agora, o preço dessa falta de contundência chegou, e ele é alto.
O paradoxo tricolor em números cruéis
Os números, levantados em parceria com o Sofascore, não mentem e expõem a nossa realidade de forma fria. Se excluirmos o Campeonato Estadual, o Time de Guerreiros disputou 22 partidas e marcou apenas 31 gols. Uma média de 1,4 por jogo, que soa modesta para um time com nossa capacidade ofensiva.
O mais irônico? Produzimos para muito mais. Com uma média de 1,31 de Gols Esperados (xG) por partida, um índice considerado competitivo, e impressionantes 51 grandes chances criadas, o Fluminense deveria estar nadando em gols. Contudo, a estatística que nos assombra é a de 29 grandes chances desperdiçadas. É praticamente uma chance clara de gol jogada fora por jogo. Uma tortura para o coração tricolor.
- Jogos (sem estadual): 22
- Gols marcados: 31 (1,4 p/jogo)
- Grandes chances criadas: 51
- Grandes chances perdidas: 29 (56.9%)
- Finalizações por jogo: 15
- Finalizações no gol por jogo: 5,7
Fantasmas de um passado recente
Quem não se lembra do empate em 1 a 1 com o Bahia, onde criamos cinco grandes chances e acumulamos 1,84 de xG, apenas para desperdiçar quatro delas? Ou da dolorosa derrota por 2 a 0 para o Internacional, onde outras três oportunidades claras foram para o espaço? Até mesmo na classificação sofrida contra o Operário na Copa do Brasil, saímos do Maracanã sob vaias após vermos mais três chances irem pelo ralo.
O roteiro se repete de forma exaustiva. A máquina tricolor empilha volume, finaliza uma média de 15 vezes por partida, com quase seis chutes encontrando o alvo. São números excelentes para o padrão do futebol brasileiro. Mas falta o principal: a conversão. Falta a tranquilidade, a frieza, a bola na casinha.
A esperança tem nome e sobrenome: John Kennedy
É neste cenário de desespero e necessidade que uma luz brilha mais forte. A esperança da torcida das Laranjeiras atende pelo nome de John Kennedy. O nosso camisa 9, o menino do gol iluminado, chega para esta noite decisiva como a principal referência e a personificação da esperança tricolor.
Vivendo sua melhor fase desde que explodiu em 2023, JK tem sido o antídoto para a nossa ineficácia. Seus números, excluindo o Carioca, são um alento: são nove gols em 21 partidas. Mais do que isso, ele tomou para si a responsabilidade, com uma média de 1,43 finalização certa por jogo. John Kennedy não apenas finaliza, ele participa, constrói, cria e inferniza as defesas adversárias com uma presença de área avassaladora.
A comparação com Rodrigo Castillo deixa claro por que a aposta em Kennedy é a mais sensata. Enquanto o nosso JK balançou as redes nove vezes, Castillo marcou apenas três. A diferença no volume de jogo também é gritante: John Kennedy tem uma média de 1,43 chute no gol por partida, contra meros 0,56 do argentino. A escolha parece óbvia.
John Kennedy vs. Rodrigo Castillo (sem estadual 2026)
- Gols: Kennedy 9 x 3 Castillo
- Finalizações no gol p/ jogo: Kennedy 1,43 x 0,56 Castillo
- Finalizações p/ jogo: Kennedy 2,19 x 1,39 Castillo
- Grandes chances perdidas: Kennedy 8 x 2 Castillo
A tarefa é monumental, e a pressão é imensa. Precisamos de um feito inédito na temporada, uma noite de inspiração e pontaria calibrada. Mas se há alguém que pode personificar essa virada e comandar o ataque rumo à glória, esse alguém é John Kennedy. Que os deuses do futebol estejam com o nosso Fluzão. Fluminense até morrer!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.