ZUBELDÍA VENCE, MAS NÃO CONVENCE: As 3 lições da vitória para a ‘guerra’ contra o Bolívar

A vitória sobre o São Paulo deu moral, mas a atuação do Fluzão de Zubeldía acende alertas cruciais para a decisão contra o Bolívar. O que funcionou e o que não pode se repetir?

A vitória que era obrigação, a lição que é salvação

A nação tricolor respira. Por ora. A vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, no Maracanã, era mais do que um desejo; era uma necessidade fisiológica para quem almeja a glória eterna na Copa Libertadores. O resultado, construído com momentos de brilhantismo e outros de pura aflição, serve como um ensaio geral para a verdadeira batalha que se avizinha: a ‘guerra’ de terça-feira (19) contra o Bolívar, valendo a vida no mata-mata.

O esquadrão de Laranjeiras, sob a batuta do técnico Zubeldía, precisava deste triunfo para injetar confiança nas veias. E conseguiu. Mas que o torcedor mais atento não se engane: a exibição, embora vitoriosa, foi um compêndio de lições, um verdadeiro mapa com tesouros e armadilhas para o confronto decisivo. Vencer por um gol não bastará; precisamos de um placar elástico, com mais de dois gols de diferença, para sonhar com a classificação sem depender de calculadoras na última rodada. A tarefa é hercúlea, e a noite contra o São Paulo nos mostrou o caminho… e os desvios perigosos.

Lição nº 1: A pressão que sufoca é a nossa arma

Zubeldía mandou a campo uma linha de frente que, à primeira vista, poderia ser chamada de ‘leve’. Lucho Acosta, Canobbio, Savarino e o predestinado John Kennedy. Leveza? Talvez no papel. Em campo, o que se viu foi um quarteto incansável, transformando a vida da defesa paulista em um inferno.

A pressão alta, aquela marcação que começa no campo de ataque, foi a chave para os nossos melhores momentos. No primeiro gol, a raça uruguaia de Canobbio falou mais alto ao vencer a dividida com o zagueiro Sabino, deixando John Kennedy na condição que ele mais ama: a de fuzilar o goleiro adversário. No segundo, a mesma receita: a perseguição incessante forçou um erro grotesco de Dória, e a bola, caprichosa, procurou novamente os pés de Canobbio para morrer no fundo da rede. Essa postura não é uma opção contra o Bolívar; é uma obrigação. É preciso sufocar os bolivianos desde o primeiro apito, não deixá-los respirar em nosso Maracanã.

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Lição nº 2: O pecado da ineficiência e a arte de ‘girar a faca’

Se o primeiro tempo foi quase perfeito, o segundo nos trouxe de volta a uma velha e incômoda realidade. Com o placar de 2 a 0, o São Paulo se abriu, oferecendo o latifúndio que nossos velocistas tanto adoram para contra-atacar. E as chances apareceram. Em profusão.

Contudo, a máquina tricolor vacilou. Faltou capricho. Faltou aquela frieza para transformar uma vantagem confortável em uma goleada necessária. Faltou, no jargão do futebol, ‘girar a faca’. Cada contra-ataque desperdiçado era um pequeno calafrio na espinha do torcedor que já pensava na terça-feira. Contra o Bolívar, este cenário de vantagem no placar provavelmente se repetirá. A diferença é que, desta vez, errar não será uma opção. Cada chance perdida pode ser o gol que nos faltará para a classificação. É preciso ser letal.

Lição nº 3: O alerta vermelho da defesa e o fantasma da bola parada

Parecia uma noite tranquila. O Fluzão controlava o jogo, a torcida cantava, mas o roteiro de 2024 insiste em ter um capítulo de suspense. E ele veio, como de costume, pelo alto. Em uma jogada de bola parada, nossa defesa foi vazada mais uma vez. Um descuido que pode custar uma temporada.

Os números não mentem e são assustadores. Já são sete partidas consecutivas em que somos obrigados a buscar a bola no fundo de nossa própria rede. A última vez que o paredão tricolor se manteve intacto por 90 minutos foi no empate sem gols com o Operário, pela Copa do Brasil. De lá para cá, a fragilidade se tornou uma constante. Na Libertadores, onde cada detalhe define quem segue e quem volta para casa, um erro como esse é fatal. Zubeldía tem pouquíssimos dias para ajustar uma falha que se tornou o nosso calcanhar de Aquiles.

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Bolívar em má fase? A hora de impor nossa grandeza

Algum cético pode ponderar que a vitória veio sobre um São Paulo em momento frágil. É um ponto válido. Mas a ironia do destino é que nosso próximo adversário, o Bolívar, também não vive seus dias mais gloriosos. A equipe boliviana amarga uma sequência de três empates e uma derrota nos últimos quatro jogos.

Seu único triunfo nesta Libertadores? Justamente contra o Nense, mas com a covarde ajuda dos 3.600 metros de altitude de La Paz. Ao nível do mar, em nosso templo sagrado, a história é outra. Os comandados de Zubeldía precisam entrar em campo com a plena consciência de sua superioridade técnica e fazer valer cada centímetro do gramado. Não há mais espaço para cortesia. É hora de o Time de Guerreiros mostrar sua força, corrigir os erros e dar o primeiro passo rumo à Glória Eterna que tanto sonhamos.

Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.