A noite de sábado no Maracanã foi um deleite para a alma tricolor. Não apenas pela vitória categórica, e necessária, por 2 a 1 sobre o São Paulo pelo Campeonato Brasileiro, mas pelas palavras do nosso comandante, Luis Zubeldía. Em uma entrevista que soou como música para os ouvidos da nação tricolor, o técnico argentino demonstrou ter a exata noção do que é o Fluminense: um clube que não se contenta em vencer, mas que busca a vitória com identidade e elegância.
Em meio a uma sequência que definirá nosso destino na temporada, Zubeldía foi cirúrgico. Com a sabedoria de quem entende a pressão das Laranjeiras, ele colocou os três pontos como prioridade, mas fez questão de ressaltar o inegociável: a alma do time.
Vencer, mas com a nossa cara
Qualquer um pode empilhar resultados, mas só os predestinados o fazem com um estilo reconhecível. Zubeldía sabe disso. Após o triunfo que nos deu fôlego na tabela, ele foi claro sobre o momento decisivo que o Fluzão enfrenta.
“Ainda teremos duas rodadas pela frente, partidas decisivas da Libertadores e também a Copa do Brasil, em que disputaremos um mata-mata por vaga na próxima fase. Então, são três semanas de definições”, analisou o professor, antes de cravar a filosofia que nos guiará: “Me parece que o mais importante é vencer sem perder a identidade da equipe”.
Para os mais afoitos, ele explicou a lógica. “Coloco o resultado como prioridade porque estamos falando de jogos decisivos. Hoje não valia um título, claro, mas era importante abrir vantagem para quem vinha atrás. (…) Era um jogo que precisávamos ganhar”, disse. A genialidade, no entanto, está no complemento: “O fundamental é cumprir o objetivo sem abrir mão da nossa identidade. E isso está acontecendo. Estamos construindo uma identidade”. É exatamente isso que a torcida das Laranjeiras quer ouvir. Vencer, sim. De qualquer jeito, jamais.
A Máquina Ofensiva Ganha um Monstro
Como se a vitória não fosse suficiente, o Maracanã presenciou a apresentação oficial de Hulk à sua nova casa. E se a torcida está ansiosa, Zubeldía parece estar ainda mais, já com o manual de instruções da nova peça em mãos. O treinador tratou de acalmar os corações e projetar uma adaptação veloz para o atacante.
“Está tudo bem. Ele já fez dois treinamentos com o grupo e, pouco a pouco, a adaptação será positiva”, garantiu Zubeldía, com um detalhe que faz toda a diferença: “Por ser um jogador brasileiro, a tendência é que essa adaptação aconteça mais rapidamente do que com outros atletas”. Menos burocracia, mais bola na rede. É o que esperamos.
A chegada de um nome desse peso sempre levanta a questão: como ele vai se encaixar? E foi aí que Zubeldía deu um show de clareza e planejamento, mostrando que a contratação de Hulk não foi um ato impulsivo, mas uma peça meticulosamente pensada para um xadrez ofensivo.
Sim, ele pode jogar com Cano (e com todos os outros)
A pergunta que ecoava do Leblon a Xerém foi respondida de forma direta, sem rodeios. Hulk e Germán Cano podem jogar juntos? A resposta de Zubeldía foi um sonoro e animador “Sim, pode”. Mas ele foi além, desfilando as possibilidades que se abrem para o esquadrão de Laranjeiras.
“A compatibilidade entre os jogadores é fundamental. Contratações desse tipo passam por uma análise prévia justamente para entender se os atletas podem atuar juntos, e não apenas trazer um jogador por trazer”, explicou o técnico, em uma aula de gestão de elenco.
E então, ele listou o arsenal. “Me pergunto: o Hulk pode jogar com o Germán Cano? Sim, pode. Pode jogar com o Castillo, com o Lucho, com o Paulo, com o Soteldo, com o John Kennedy… Pode jogar com todos eles”. A torcida tricolor chega a salivar. Zubeldía descreveu Hulk como “um atacante com características que permitem diferentes combinações dentro da equipe”.
Essa versatilidade, com a rotação dos homens de frente, como já vimos na jogada do primeiro gol contra o São Paulo, com a inversão entre os atacantes, é a arma que Zubeldía pretende usar para desmontar defesas. A máquina tricolor está sendo montada, peça por peça, e a chegada de Hulk parece ser o motor que faltava para atingirmos a perfeição. A temporada promete, tricolores. E ao que tudo indica, seremos protagonistas. Flu até morrer!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.