Uma noite para lavar a alma e fazer as pazes
Ah, o futebol. Quando a gente pensa em jogar a toalha, ele nos presenteia com uma noite como a de sábado. Uma noite em que o Fluminense, nosso Fluzão, não foi perfeito, mas foi aguerrido, foi superior e, acima de tudo, foi vencedor. A vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo foi mais do que três pontos; foi um abraço de reconciliação com a nação tricolor.
Os pouco mais de 28 mil guerreiros presentes, no que foi nosso melhor público no ano (descontando os clássicos, claro), entenderam o momento. Apoiaram, cantaram e vibraram. Sentiram que o time, mesmo com seus já conhecidos defeitos, estava disposto a lutar. E lutou. Foi a injeção de confiança que precisávamos às vésperas de uma verdadeira decisão pela Libertadores.
A mão (quase) firme de Zubeldía
Pela primeira vez desde o início de março, o treinador argentino Luis Zubeldía deu um sinal de que pode ter encontrado um caminho. Ele optou por repetir a escalação. Quer dizer, quase. Dos onze que iniciaram a vitória por 2 a 1 contra o Operário-PR, pela Copa do Brasil, dez estiveram em campo novamente.
A única alteração, no entanto, expõe exatamente onde mora nosso maior temor. Na zaga, Ignácio entrou na vaga de Jemmes. E aqui, caro tricolor, reside o grande ponto de interrogação que paira sobre Laranjeiras. Zubeldía parece promover um rodízio de insegurança na posição, com ambos os atletas falhando com uma regularidade que nos causa calafrios e sem conseguir passar a confiança necessária.
Ainda assim, a manutenção da base trouxe dividendos. Vimos um Fluminense com lampejos daquela máquina que tanto nos orgulha. Intensidade, pressão na saída de bola adversária, velocidade e, principalmente, a inteligência de nossos meias para construir o jogo. Foi com essa receita que o esquadrão de Laranjeiras construiu um placar de 2 a 0 ainda no primeiro tempo, com gols de John Kennedy e Canobbio, e poderia ter sido mais.
O velho fantasma da displicência e o alerta para terça-feira
Mas, como nem tudo são flores no jardim do Éden, o Fluminense insistiu em flertar com o perigo. Velhos problemas, velhos hábitos. A equipe teve, segundo as contas mais generosas, pelo menos quatro chances claríssimas de liquidar a partida em contra-ataques fulminantes. E desperdiçou todas.
O castigo, como de praxe no futebol, veio em uma bola parada. Um gol sofrido que colocou o jogo em um estado de alerta desnecessário e fez a torcida roer as unhas que ainda restavam. É o tipo de displicência que, na Libertadores, costuma custar uma classificação. E a partida contra o Bolívar, na próxima terça-feira, é justamente o jogo mais importante do ano até aqui.
A boa notícia? Mesmo após o susto, o time conseguiu se reorganizar, se assentar em campo e parar de sofrer. Controlou o ímpeto final do adversário e garantiu um resultado que era, acima de qualquer exibição de gala, o mais importante.
Agora é decisão, agora é Fluminense!
A vitória sobre um adversário direto na parte de cima da tabela, mesmo que em crise, foi fundamental. O time chega invicto e com a moral renovada para a batalha contra o Bolívar. A missão não é simples: precisamos vencer por três gols de diferença para encaminhar a vida na Libertadores sem depender de calculadoras.
O desempenho de sábado, com seus altos e baixos, mostrou que é possível. Mostrou que, quando a máquina tricolor decide engrenar, ela pode atropelar. Que a zaga se acerte, que os atacantes calibrem o pé e que o espírito de sábado se multiplique. A torcida já fez sua parte. Agora, é com eles. Pra cima deles, Fluzão! Flu até morrer!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.