A vitória com gosto de derrota no Maracanã
Classificados. Em teoria, a noite de quarta-feira deveria ser de alívio para a nação tricolor. Vencemos o Operário-PR por 2 a 1 e carimbamos o passaporte para as oitavas de final da Copa do Brasil. Mas quem esteve no Maracanã, ou assistiu com o coração na mão pela televisão, sabe que a sensação foi outra. Saímos do nosso templo com um gosto amargo na boca e uma preocupação que beira o desespero, especialmente com as decisões da Libertadores batendo à porta.
O Fluminense não convenceu. Pior: deixou um recado terrível. Em um jogo onde a obrigação era não apenas vencer, mas dar uma demonstração de força, o que vimos foi um time apático, que flertou com o desastre e terminou, mais uma vez, sob o som incômodo das vaias. O placar magro não conta a história toda; a postura em campo, sim.
Do céu ao inferno em 90 minutos
O início foi promissor, temos que admitir. O Fluzão entrou em campo com a faca entre os dentes, pressionando a saída de bola e mostrando volume de jogo. O pênalti convertido com categoria por Savarino logo no começo parecia o roteiro perfeito. Quando Lucho Acosta ampliou, a impressão era de que a classificação estava resolvida e a noite seria de festa e tranquilidade.
Ledo engano. A máquina tricolor, que parecia engrenar, simplesmente desligou. O time tirou o pé do acelerador cedo demais, passando a administrar uma vantagem que, no futebol, nunca é segura. O ritmo caiu vertiginosamente, a intensidade desapareceu e, como um filme de terror que já vimos antes, permitimos que um adversário tecnicamente muito inferior crescesse na partida.
O pênalti da soberba e a fome que faltou
A segunda etapa foi a materialização da nossa angústia. Tivemos a faca e o queijo na mão para transformar a vitória em goleada, calar os críticos e injetar confiança na veia do time e da torcida. E o que fizemos? Em uma nova penalidade, Savarino, o cobrador oficial, em um gesto de companheirismo ou excesso de confiança, entregou a bola para John Kennedy.
O resultado foi o pior possível: nosso “iluminado” desperdiçou a cobrança. O erro não foi apenas um gol perdido. Foi um símbolo da displicência. O próprio técnico Zubeldía explicou após o jogo: “Nós sempre colocamos dois cobradores. Colocamos um responsável pelo pênalti, nesse caso o Savarino, e um segundo cobrador, que é o John Kennedy”. A lógica existe, mas o momento pedia segurança, não testes de confiança. Pedia o 3 a 0, não o risco do 2 a 1.
‘Não sei o que ele pensou’: A confissão de Zubeldía e o caos em campo
O castigo, como sempre, veio. O Fluminense se arrastava em campo quando o Operário, valente, diminuiu. E o gol sofrido é um retrato fiel da nossa atual situação. Jemmes, em um lance que parecia controlado, simplesmente dormiu no ponto e a bola sobrou limpa para Felipe Augusto marcar. Uma falha individual grotesca, mais uma para a coleção recente.
A perplexidade não foi só da torcida. O próprio Zubeldía, na coletiva, não escondeu a frustração e expôs o zagueiro com uma sinceridade assustadora. “A verdade é que eu não conversei com o Jemmes sobre o que aconteceu naquele cruzamento, quando parecia que ele tinha a bola controlada para afastar. Não sei o que ele pensou naquele lance”, disparou o treinador.
Para completar o cenário de caos, Lucho Acosta quase foi expulso em um lance que precisou do VAR para ser anulado. O time estava perdido, e Zubeldía admitiu o problema: “Estamos vivendo esse momento e sinceramente não saberia te dizer exatamente por quê. Pode ser um pouco de insegurança, because não vínhamos vencendo”. Essa insegurança é palpável e nos assombra antes dos duelos decisivos contra Bolívar e Deportivo La Guaira.
E agora, Tricolor?
A classificação veio, mas a que custo? O time que saiu de campo vaiado é o mesmo que precisa de vitórias cruciais na Libertadores. A fragilidade mental e os erros individuais recorrentes são um sinal de alerta vermelho piscando em Laranjeiras. O próximo compromisso é já no sábado (16), contra o São Paulo, no Maracanã, pelo Brasileirão, jogo que marcará a apresentação do atacante Hulk ao torcedor.
Que a chegada de um novo guerreiro traga novos ares. Porque, no momento, a pergunta que não quer calar na mente de cada tricolor é: este time, que sofre para vencer o Operário em casa, está realmente pronto para as finais que a Libertadores nos reserva? A torcida, como sempre, fará sua parte. Resta saber se o time fará a sua. Flu até morrer, mas não precisa ser de susto.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.