A Oração de uma Mãe no Templo Sagrado
No futebol, há glórias que não se medem em placares ou troféus. Existem vitórias silenciosas, construídas longe dos holofotes, no dia a dia de sacrifícios e persistência. A estreia de Wesley Natã no Maracanã, com o manto tricolor, em plena Libertadores, foi uma dessas. Para a nação tricolor, um jovem de Xerém dando seus primeiros passos. Para Jack Freitas, sua mãe, foi o cumprimento de uma profecia sussurrada aos céus do mesmo estádio anos antes.
Ver um de nossos ‘Moleques de Xerém’ pisar naquele gramado é sempre um evento. Mas a história de Wesley, recém-chegado aos 18 anos, carrega um peso dramático que todo torcedor do Fluzão entende: a de que, para ser um Guerreiro, é preciso ter uma fortaleza ao seu lado. E a fortaleza de Wesley tem nome e sobrenome.
“Mãe, é muito difícil”: O Dia em que um Guerreiro Quase Desistiu
A jornada começou cedo, no futsal do Fluminense, quando Wesley tinha apenas nove anos. O brilho do clube, a mística das três cores que encantam o mundo, podem ser intimidantes para uma criança. A pressão, a novidade, a distância de casa… tudo isso pesou.
Foi num retorno de ônibus, no anonimato da vida de atleta de base, que o menino confessou à mãe o peso do sonho. “Mãe, é muito difícil”, disse ele. É nesse ponto que a maioria das histórias poderia terminar. Mas não esta. Não com uma mãe como Jack.
A resposta dela, conforme relatou, foi a frase que deveria ser gravada em bronze nos muros de Laranjeiras: “Filho, Deus não te trouxe até aqui para que você desistisse. Vai lá, tenta.” E ele tentou. E o Fluminense ganhou um talento que, anos depois, sentiria o calor da torcida no maior palco do mundo.
A Angústia do Banco e o Olhar de Zubeldía
A transição para o profissional nunca é simples. O elenco do Time de Guerreiros é vasto e qualificado. Para um garoto de 18 anos, cada minuto em campo é uma conquista. Wesley Natã, observado de perto pelo técnico argentino Zubeldía, sente isso na pele.
Ele treina com o time principal, é relacionado para jogos, viaja. Mas as oportunidades, por enquanto, são raras. Foram apenas dois jogos, entrando nos minutos finais. E é aí que o papel da família se torna ainda mais crucial. A angústia de não jogar é um teste de fogo.
Jack Freitas descreve essa dor com a sabedoria de quem vive cada segundo ao lado do filho. “A parte mais difícil que tem é quando tem um jogo e seu filho não entra nem cinco minutos. Ali a gente vê o semblante dele, a gente que é mãe sente também, mas nem por isso deixa de apoiar.” A receita dela? “Estamos ali para isso, para levantar o astral. Levanta, sacode a poeira, bate o pé e ergue a cabeça.” Puro espírito de Guerreiro.
As Lágrimas que Lavaram a Alma na Libertadores
E então, o dia chegou. Fluminense contra o Independiente Rivadavia, pela Libertadores. O Maracanã pulsando. E Wesley Natã foi chamado. Aqueles poucos minutos em campo foram a materialização de um sonho antigo, compartilhado entre mãe e filho.
Anos antes, após um título no futsal, os dois deram uma volta olímpica no estádio. Naquele dia, olhando para o gramado e para o céu, Jack fez uma oração, uma promessa. “Deus, um dia eu vou ver o meu filho estrear nesse gramado pelo profissional.”
Quando o momento finalmente aconteceu, a emoção foi inevitável. “Quando eu vi de perto, eu já sabia chorar. Chorei muito, porque passa um filme na nossa cabeça de todas as dificuldades”, contou a mãe. O resultado do jogo, naquela noite, tornou-se um detalhe. A verdadeira vitória estava ali: um filho realizando seu sonho, e uma mãe vendo sua fé recompensada.
A carreira de Wesley Natã está apenas começando. O caminho é longo e árduo. Mas uma coisa é certa: forjado no Fluminense e blindado pelo amor incondicional de sua mãe, este jovem tem tudo para se tornar mais uma lenda a vestir nosso sagrado manto tricolor. A torcida das Laranjeiras agradece, Jack. O Nense precisa de mais guerreiros como o seu filho. E de mais mães como você.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.