A MALDIÇÃO DO MARACANÃ: O tabu de 9 anos contra o Vitória que assombra o Fluminense

Neste sábado, o Fluzão não joga só contra o Vitória. Joga contra um fantasma, uma série de derrotas amargas que assombram o Maracanã há quase uma década.

Há empates e empates. Há aquele ponto suado, conquistado na garra contra um adversário superior fora de casa. E há o empate de sábado, no Maracanã, contra o Vitória. Um 2 a 2 que soa como derrota, que deixa um gosto de fel na boca da nação tricolor. No entanto, na frieza do vestiário, uma voz se ergueu para tentar encontrar uma nesga de luz na penumbra: a do herói improvável, Kevin Serna, autor do gol que nos salvou de um vexame ainda maior nos acréscimos.

Em uma declaração que mescla autocrítica e uma tentativa quase filosófica de resiliência, o atacante colombiano admitiu a frustração, mas buscou uma perspectiva diferente. “É um pouco triste, queríamos a vitória aqui em casa”, confessou, mostrando que sente o mesmo que cada um de nós nas arquibancadas. Mas foi além, em uma análise que merece reflexão: “Não perder é um resultado positivo, para manter a confiança do time”. Palavras que, em um primeiro momento, podem soar como consolo barato, mas que talvez escondam a sabedoria de quem vive a pressão do dia a dia e sabe o peso que uma derrota em casa teria neste momento crucial da temporada.

Um Gosto Amargo de Ponto Conquistado

A noite no Maracanã começou como um roteiro que já conhecíamos e amamos. O Fluzão, com o controle da partida, ditando o ritmo, ainda que sem o brilho estelar de outras épocas. Aos 35 minutos, a estrela do predestinado brilhou mais uma vez. John Kennedy, o Urso, com a frieza que lhe é característica, aproveitou a sobra na área e rolou com categoria para abrir o placar. 1 a 0. O estádio respirou aliviado. Parecia que, finalmente, teríamos uma noite de paz e efetividade, como destacou a crônica do jogo.

O primeiro tempo se encerrou com o Tricolor soberano, sem sofrer sustos na defesa e com a vantagem no placar. O que poderia dar errado? A resposta, dolorosa e recorrente, veio na segunda etapa. O time que voltou do vestiário parecia uma sombra do anterior, um primo distante e apático daquele que controlou as ações iniciais.

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O Apagão Inexplicável e a Virada que Não Deveria Ter Sido

O futebol, em sua essência poética e cruel, pune a soberba. O Fluminense se acomodou na vantagem mínima e pagou o preço mais alto. O Vitória, que até então era um mero espectador, percebeu a brecha, assumiu o controle mental da partida e partiu para cima. Um pênalti infantil nos colocou de joelhos, e Renato Kayzer não perdoou, empatando aos 16 minutos.

O pior, no entanto, estava por vir. Cinco minutos depois, o golpe que selou o apagão. Numa daquelas ironias que só o futebol proporciona, o placar do Maracanã registrou o gol da virada baiana creditado a Renê. Sim, um dos nossos. Um erro na súmula, um gol contra, uma infelicidade do destino? Pouco importa. O 2 a 1 no placar era um soco no estômago da torcida que via o time desmoronar em campo.

O despertar só veio tarde, com as entradas de Riquelme e Guga, que injetaram algum sangue novo e vontade, empurrando o time para um abafa final desesperado. Foi nesse caos que a figura de Serna emergiu.

A Redenção Pessoal do Atacante

O gol de Serna, aos 45 do segundo tempo, foi mais do que um simples empate. Foi um grito de desabafo pessoal. O próprio jogador reconheceu seu momento particular. “No âmbito pessoal, vinha muito bem, mas sem marcar gols. O treinador preferiu outros jogadores e eu tenho que trabalhar para estar à disposição”, admitiu com uma honestidade rara. Ele sabia que precisava daquele momento.

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“Hoje volto a marcar. Estava precisando disso para ganhar confiança”, completou. Para um atacante, o jejum é um fardo pesado. O gol de sábado pode não ter nos dado a vitória que tanto queríamos, mas talvez tenha devolvido ao Fluminense um jogador mais confiante para as batalhas que se avizinham na Copa do Brasil e na Libertadores. É o que o próprio Serna espera, e nós também.

Ficha Técnica do Jogo

Para a história, e para que não nos esqueçamos dos detalhes de uma noite tão agridoce, ficam os registros oficiais da partida.

  • Competição: Brasileirão — 15ª Rodada
  • Data e Horário: Sábado, 9 de maio de 2026, às 18h (de Brasília)
  • Local: Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro
  • Gols: John Kennedy (FLU – 35’/1T), Renato Kayzer (pênalti, VIT – 16’/2T), Renê (VIT – 21’/2T), Kevin Serna (FLU – 45’/2T)
  • Cartões Amarelos: Alisson e Riquelme Felipe (FLU); Ramon, Renato Kayzer (VIT)
  • Fluminense: Fábio; Samuel Xavier (Guga), Ignácio, Millán e Renê; Alisson (a fonte não informa o substituto)… e o time de guerreiros que lutou até o fim.

E você, nação tricolor? Consegue abraçar a filosofia de Serna e ver o copo meio cheio, valorizando o ponto somado e a confiança retomada? Ou a noite de sábado no Maracanã foi apenas a crônica de mais dois pontos jogados fora, um tropeço inaceitável para quem veste as três cores que traduzem tradição? A discussão está aberta, mas uma coisa é certa: com Libertadores e Copa do Brasil batendo à porta, não há tempo para lamentar. É trabalhar, corrigir os erros e seguir em frente. Flu até morrer.