Um Banho de Água Fria e uma Dose de Fé Inabalável
A noite que prometia ser de redenção na CONMEBOL Libertadores terminou com o gosto amargo de sempre. O empate em 1 a 1 com o Rivadavia, em uma partida que deveria ser protocolar, nos deixou com uma estatística que envergonha a nossa história: quatro jogos, nenhuma vitória e míseros 2 pontos no Grupo C. Um cenário desolador para qualquer torcedor das Laranjeiras que se preze. Mas, para um homem, e justamente o mais importante deles, a realidade parece ser outra. Luis Zubeldía, nosso comandante, vive em um universo paralelo de otimismo e fé.
Enquanto a nação tricolor faz contas e lamenta as chances perdidas, o técnico argentino dobra a aposta. Em uma entrevista que mesclou a análise fria dos fatos com uma convicção quase messiânica, Zubeldía repetiu o mantra da semana passada, após a derrota para o Bolívar: o Fluminense não apenas vai se classificar, como depende apenas de si para tal. Uma audácia que beira a loucura, ou talvez, a genialidade.
A Profecia de Zubeldía: ‘Estamos Vivos’
Para o nosso treinador, os números que nos assombram são apenas detalhes. Ele enxerga algo que, talvez, a paixão do momento nos impeça de ver. “Somos uma equipe que cria muito, a equipe que mais cria situação de gol no Brasileirão, estamos entre os líderes, mas a Libertadores é diferente”, analisou, com uma calma desconcertante.
Ele reconhece a falha, a ineficiência que nos custou pontos preciosos. “Na rodada passada perdemos chances claras. Hoje criamos situações pontuais, duas situações claras e não conseguimos marcar. Esperamos reverter na hora que precisamos”, admitiu. E então, veio a frase que ecoará em nossas mentes até o apito final da fase de grupos: “Mas estamos vivos. Vamos decidir a classificação em casa, e com toda a fé no que eu disse na última entrevista. A gente esperava ganhar hoje, mas o empate nos deixa dependendo de nós mesmos. Temos que encarar esses dois jogos para podermos nos classificar.”
É uma aposta alta. Zubeldía está colocando sua credibilidade em jogo, prometendo à torcida das Laranjeiras duas vitórias nos dois jogos restantes. Duas finais que serão disputadas no templo sagrado do Maracanã, nosso grande trunfo.
O Fantasma de 2025 e a Lógica Invertida
A matemática, essa ciência exata e muitas vezes cruel, nos diz que, mesmo vencendo o Bolívar e o La Guaira, o Fluzão chegará a apenas 8 pontos. Uma campanha que, sejamos honestos, nos colocaria entre as piores dos 16 classificados para as oitavas. Um motivo para pânico? Não para Zubeldía.
E é aqui que ele saca uma carta da manga, uma lembrança de um passado recente para justificar seu otimismo. Ele nos transporta para 2025, quando comandava o São Paulo. “A Libertadores é sempre complicada. No ano passado classifiquei em segundo do geral com o São Paulo e nas quartas o time foi eliminado. Não garante nada classificar em uma boa posição”, disparou. É a lógica invertida do mata-mata. Para ele, o importante é estar lá, na festa das oitavas. A forma como se chega é um mero detalhe, uma nota de rodapé na história que ele pretende escrever.
Essa filosofia, de que a fase de grupos é um mero aquecimento, pode ser a tábua de salvação para a nossa sanidade. Ou a justificativa para um vexame ainda maior. Só o tempo dirá de que lado da história o nosso comandante estará.
Calendário Cheio Antes das ‘Finais’ da Libertadores
Enquanto a decisão na competição continental não chega, o Time de Guerreiros tem outros compromissos para manter o ritmo e, quem sabe, afinar a pontaria que tanto nos faltou. O Nense terá uma sequência de jogos em casa que pode ser crucial para recuperar a confiança antes de enfrentar Bolívar e La Guaira. A agenda é apertada e não permite vacilos:
- Vitória (C): 09/05, 18h (de Brasília) – Campeonato Brasileiro
- Operário (C): 12/05, 21h30 (de Brasília) – Copa do Brasil
- São Paulo (C): 16/05, 20h30 (de Brasília) – Campeonato Brasileiro
São três batalhas no Maracanã que servirão de termômetro. É a chance de transformar a criação de jogadas em gols, de dar ao torcedor um motivo para acreditar que a profecia de Zubeldía pode, de fato, se tornar realidade. A máquina tricolor precisa voltar a funcionar, e precisa ser agora.
No fim das contas, estamos nas mãos do destino e da fé de nosso treinador. A situação é crítica, o desempenho é questionável, mas a promessa foi feita. Resta à nação tricolor lotar o Maracanã e empurrar o time, na esperança de que, mais uma vez, a camisa tricolor pese e a frase ‘Estamos vivos’ se transforme em ‘Estamos classificados’. Flu até morrer.
Informações com base em reportagem do www.espn.com.br.