Ah, o futebol. Uma epopeia moderna, capaz de nos levar do céu ao inferno, da Glória Eterna à frieza de um tribunal. A notícia que cai como uma bomba em Laranjeiras nesta semana tem nome e sobrenome: Manoel. Sim, o zagueiro que ergueu conosco a taça da Libertadores em 2023 agora aciona o Fluminense na Justiça. E a conta, caros tricolores, é salgada: exatos R$ 11.863.377,57.
É um roteiro que nem o mais pessimista dos dramaturgos ousaria escrever. Um dos guerreiros daquela campanha histórica, que deveria ter seu nome gravado em mármore, hoje protagoniza uma disputa judicial que mancha uma das páginas mais bonitas de nossa história recente. O sentimento é de perplexidade. Como chegamos a este ponto?
A Lesão que Deu Início ao Fim
Tudo parece ter começado, ironicamente, após um confronto contra o Vasco da Gama em maio de 2025. Segundo a ação movida pelo defensor, foi ali que um desconforto no joelho esquerdo surgiu pela primeira vez. Na ocasião, o departamento médico do Fluzão teria realizado exames que, surpreendentemente, não apontaram qualquer lesão. Vida que segue, treinos que seguem, jogos que seguem.
A corda, no entanto, esticou até arrebentar. Em outubro do mesmo ano, durante um treinamento, um estalo. A dor aguda. Novos exames e, desta vez, o diagnóstico cruel: uma lesão grave que exigiria procedimento cirúrgico. A partir daqui, a relação entre clube e atleta, que parecia sólida, começou a ruir de forma assustadora.
A defesa de Manoel alega que, antes da cirurgia, o clube teria apresentado um termo para isentá-lo de qualquer responsabilidade sobre a contusão. Como se não bastasse, após a operação, o zagueiro afirma ter ouvido que seu tratamento correria “por sua conta e risco”. Uma frieza que não combina com o calor de nossa torcida.
Do Bisturi à Baixa na Carteira
Com um tempo de recuperação estimado em cinco meses, o esperado era um suporte incondicional do Tricolor das Laranjeiras. Contudo, a realidade descrita no processo é outra. Apenas dois meses após a cirurgia, o clube deu baixa em sua carteira de trabalho, cumprindo a data de encerramento de seu contrato.
Mesmo sem vínculo formal, Manoel continuou a usar as instalações do Nense para sua reabilitação até receber alta médica, no fim de março. A questão central, para seus advogados, é a estabilidade. A lei trabalhista prevê um período de 12 meses de estabilidade em casos de acidente de trabalho, algo que, segundo eles, foi completamente ignorado pelo Fluminense.
É um imbróglio que fere a alma do torcedor. Vimos este jogador lutar em campo, celebrar conosco, e agora o vemos em uma batalha por direitos que, segundo ele, lhe foram negados. Onde ficou a gratidão? Onde ficou o respeito pelo profissional que ajudou a nos colocar no topo da América?
A Conta Salgada de R$ 11,8 Milhões
A cifra milionária não é um número aleatório. Ela é a soma de diversas pendências e indenizações que o atleta alega ter direito. Quase metade do valor, por exemplo, refere-se à quebra da estabilidade provisória. É um pedido que, se acatado, expõe uma falha grave de gestão. Para que a nação tricolor entenda a dimensão do problema, os valores cobrados se dividem da seguinte forma:
- R$ 5 milhões: Indenização pela suposta quebra da estabilidade de 12 meses após acidente de trabalho.
- R$ 3,1 milhões: Referente ao seguro obrigatório desportivo que, segundo a defesa, não foi contratado pelo clube.
- R$ 1,5 milhão: Honorários advocatícios.
- R$ 640 mil: Depósitos de FGTS que não teriam sido realizados.
- R$ 600 mil: Valores referentes a férias.
- R$ 550 mil: Bichos e premiações, incluindo o bônus pelo título da Libertadores de 2023. Sim, o prêmio pela nossa maior glória está no meio da disputa.
- R$ 261 mil: Multa contratual.
- R$ 100 mil: Indenização por danos morais.
Procurado pela reportagem do Lance!, o Fluminense optou por uma postura que, por enquanto, diz muito: o silêncio. O clube não quis se pronunciar sobre o caso, deixando um vácuo que a torcida preenche com angústia e especulações.
A história de Manoel no Fluminense, que deveria ser lembrada por desarmes e pela medalha no peito, ganha um capítulo amargo e inesperado nos tribunais. Resta-nos, torcedores, aguardar os próximos desdobramentos, torcendo para que a imagem do nosso amado clube seja preservada e que a justiça, seja para qual lado for, prevaleça. Mas a ferida, essa já está aberta. Flu até morrer, mesmo quando as notícias doem.