Um Empate com Sabor de Memória
A memória do torcedor tricolor é seletiva, mas impecável. Lembramos das glórias, dos golaços, dos títulos que nos colocam em um patamar distinto. Mas também nos recordamos, com uma ponta de ironia e enfado, daqueles jogos que fogem ao script. Aquele 0 a 0 contra o Mamelodi Sundowns, no inédito Mundial de Clubes da Fifa, foi um desses momentos. Uma partida de forte marcação, onde a máquina tricolor encontrou um ferrolho inesperado. Agora, o destino, sempre ele, nos mostra que aquele ferrolho tinha nome, sobrenome e um talento que transcende o continente africano.
Os adversários que complicaram a vida do Fluzão naquela terceira rodada do torneio agora são protagonistas na maior vitrine do futebol: a Copa do Mundo de seleções. A base da seleção da África do Sul, que encara o México na abertura do mundial, é justamente o Mamelodi Sundowns. O clube cedeu nada menos que oito jogadores para a empreitada, e cinco deles estavam em campo naquele dia, segurando o placar zerado contra nós.
A Muralha que Virou Estrela: Ronwen Williams
O principal responsável por nossa frustração tem nome: Ronwen Williams. O goleiro de 34 anos não apenas fechou o gol contra o Nense, como também ostenta a braçadeira de capitão de sua seleção. Não se trata de um aventureiro qualquer. Williams é uma instituição no futebol africano.
Revelado pelo SuperSport United, foi no Mamelodi Sundowns que ele se tornou uma lenda, empilhando títulos e, mais impressionante, mantendo uma regularidade assustadora sem sofrer gols. Foi essa performance que o catapultou para o cenário global. Durante a Copa Africana de Nações, ele não só foi eleito o melhor goleiro do torneio, como também protagonizou um feito para a história: defendeu QUATRO cobranças de pênalti em uma única disputa, contra Cabo Verde. Uma tarde de herói.
O reconhecimento, para a surpresa de poucos que o viram em ação, chegou em forma de gala. Em 2024, Williams alcançou a nona colocação no prestigioso Prêmio Yashin, da Bola de Ouro, tornando-se o primeiro goleiro atuando em um clube africano a receber tal honraria. Aquele paredão que parou nosso ataque não era um acaso. Era, e é, um dos melhores do mundo em sua posição.
Os Escudeiros do Ferrolho Sul-Africano
Mas seria simplista creditar aquele 0 a 0 apenas ao goleiro. Ele tinha companhia de qualidade. Dois outros nomes daquele time do Mamelodi, também titulares da seleção sul-africana, merecem destaque: Khuliso Mudau e Teboho Mokoena.
Khuliso Mudau, o lateral-direito, é a personificação da energia. Com uma velocidade impressionante e versatilidade para apoiar o ataque, ele foi peça-chave para a África do Sul conquistar o terceiro lugar na Copa Africana de Nações. Seu talento não passou despercebido, rendendo-lhe o prêmio de Jogador Excepcional do Ano no Icons of Africa Awards. Desde que chegou ao Mamelodi em 2022, seu futebol atingiu um novo patamar, tornando-se o motor de uma equipe que domina o cenário local.
No coração do campo, Teboho Mokoena, de 28 anos, atua como o cérebro da equipe. Ele é o elo que conecta defesa e ataque, o pilar que dá equilíbrio tanto ao clube quanto à seleção. Reconhecido por sua visão de jogo apurada e imensa capacidade de marcação, Mokoena é o tipo de jogador que todo técnico sonha em ter. Ao lado dos companheiros Williams e Mudau, ele forma a espinha dorsal de uma geração que recoloca a África do Sul no mapa do futebol.
Do Maracanã ao Palco Mundial
Ver esses jogadores brilhando na Copa do Mundo, reeditando um confronto histórico contra o México que marcou a abertura do mundial de 2010 em seu próprio país, traz uma perspectiva interessante. Aquele empate no Mundial de Clubes não foi um tropeço do Fluminense contra um time qualquer. Foi um duelo contra uma equipe organizada, talentosa e que serve de base para uma seleção nacional competitiva.
É uma prova da grandeza do Fluminense. Até mesmo nossos adversários em empates fortuitos são dignos de palcos mundiais. Que Ronwen Williams, Khuliso Mudau e Teboho Mokoena tenham sucesso em sua jornada na Copa. É a prova de que o nível de competição que o Tricolor das Laranjeiras enfrenta é, de fato, global. Mas, da nossa parte, seguimos de olho nos troféus que realmente importam. Afinal, somos o Time de Guerreiros, e nossa história é feita de conquistas, não de empates.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.