A Pausa de 2024: Um Déjà Vu de Esperança e Cautela
A bola parou. Após o empate com o Cruzeiro, o esquadrão de Laranjeiras entra em um período de recesso forçado pela Copa do Mundo. O torcedor tricolor, esse ser acostumado às mais distintas e intensas emoções, olha para a tabela e vê o Fluzão em uma nobre terceira colocação, com 31 pontos conquistados em 18 rodadas. Um desempenho sólido, fruto de nove vitórias, quatro empates e cinco tropeços sob o comando de Luis Zubeldía.
A posição inspira otimismo, claro. Mas a história, caros amigos, é uma senhora elegante e, por vezes, cruel. Ela nos oferece lições, sussurra advertências e acena com glórias passadas. Neste clima de Mundial, nada mais justo que abrir o baú de recordações e ver como o nosso Fluminense se portou nas últimas pausas para a maior competição de seleções do planeta. O que o passado nos diz sobre o futuro? Apertem os cintos, a viagem no tempo começa agora.
2010: O Doce Presságio da Glória Eterna
Ah, 2010. Um ano que ecoa como um cântico sagrado nas arquibancadas do Maracanã. Na pausa para a Copa da África do Sul, o time que viria a ser campeão brasileiro já dava sinais de sua grandeza. Estávamos no G-4, firmes, com 15 pontos em apenas sete rodadas, um retrospecto de cinco vitaratórias e duas derrotas.
A equipe, que alternava a liderança com Corinthians e Cruzeiro, mostrava a que vinha. A despedida antes do Mundial foi um espetáculo de autoridade: uma vitória por 3 a 0 sobre o Avaí, fora de casa. Os gols? Nomes que se tornariam eternos: Leandro Euzébio, o ídolo Fred e um jovem e promissor Alan. Aquela pausa não foi um fim, mas o prelúdio da conquista. O time voltou com a mesma fome e não saiu mais do topo, carimbando a faixa de campeão. Uma memória que nos serve de inspiração.
2014: O Sonho que a Realidade Desfez
Quatro anos depois, com a Copa do Mundo em nosso próprio quintal, o Fluminense novamente nos fez sonhar. A campanha inicial era primorosa. Na nona rodada, quando o campeonato parou, éramos vice-líderes, com 16 pontos, apenas três atrás do Cruzeiro. O time acumulava cinco vitórias, um empate e três derrotas.
A esperança era palpável. Contudo, o retorno do Brasileirão trouxe uma realidade diferente. A máquina tricolor não conseguiu manter o ritmo avassalador do início e, em uma queda de rendimento, terminou o campeonato em uma frustrante sexta posição. O último jogo antes daquela parada foi um empate em 1 a 1 com o Internacional, com Jean marcando para nós. Foi a prova de que um bom começo precisa ser cultivado com cuidado, pois a maratona do futebol brasileiro é implacável.
2018: O Alerta Vermelho e o Fantasma do Rebaixamento
Se 2010 foi o céu e 2014 o purgatório, 2018 foi um flerte perigoso com o inferno. A campanha até começou de forma promissora, chegando a nos colocar na vice-liderança na sétima rodada. Mas o que se seguiu foi um pesadelo. Uma sequência tenebrosa de cinco jogos sem vitória, incluindo quatro derrotas consecutivas, nos jogou para a 12ª colocação na hora da pausa para a Copa da Rússia.
A despedida foi o retrato da crise: derrota em casa para o Santos, por 1 a 0, com gol de um certo Bruno Henrique, que hoje veste as cores de um rival. O segundo semestre foi uma longa e angustiante batalha contra o rebaixamento. O alívio, tricolores, só veio na última e sofrida rodada. Uma lição amarga de como o futebol pode ser volátil e de que a vigilância deve ser eterna. Uma memória que serve de advertência.
2022: O Ano Atípico e a Consolidação de um Estilo
A Copa do Mundo do Catar, disputada no fim do ano, quebrou todos os paradigmas. Por conta do calendário atípico, a temporada brasileira já havia se encerrado quando o Mundial começou. Portanto, não houve uma “pausa” no meio do caminho, mas sim um balanço final de temporada.
E que balanço! Naquele ano, o Fluminense, especialmente após a chegada de Fernando Diniz e seu futebol autoral, encantou o Brasil. Terminamos o Campeonato Brasileiro na terceira posição, atrás apenas do campeão Palmeiras e do Internacional. Foi um ano de afirmação, que plantou as sementes para as conquistas que viriam. Uma prova de que um projeto bem executado pode nos levar a lugares altos.
E Agora, 2024?
Voltamos ao presente. Terceiro lugar na bagagem, com um time que mostra potencial sob o comando de Zubeldía. A história nos mostra que a posição na tabela durante a pausa da Copa é um termômetro, mas não um oráculo. Já fomos da glória de 2010 ao pavor de 2018. Já sonhamos em 2014 e nos consolidamos em 2022.
Qual caminho este Fluminense irá trilhar? O tempo dirá. O que sabemos é que a torcida tricolor, calejada por tantas reviravoltas, estará presente. A história nos ensinou a ter esperança, mas também a manter os pés no chão. Que os jogadores e a comissão técnica usem este período para refletir, ajustar e voltar prontos para escrever um capítulo digno da nossa grandeza. Flu até morrer!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.