O ‘NOVO CONCA’? Lucho Acosta revela idolatria, tatuagem secreta e a mentira para a mãe

Ele se inspira em Conca, 'enganou' a própria mãe com uma tatuagem secreta e vê o Fluzão como o grande desafio de sua vida. Conheça Lucho Acosta.

Lucho Acosta marca para o Fluminense na Libertadores — Foto: Reuters

A Sombra de um Ídolo e a Criação de um Novo Mestre

Baixinho, argentino e com a bola colada nos pés. A descrição lhe soa familiar, nobre tricolor? É natural que o nome de Darío Conca, o maestro do título brasileiro de 2010, venha à mente. Mas hoje, essa descrição pertence a outro portenho que começa a encantar a torcida das Laranjeiras: Lucho Acosta. Em uma reveladora entrevista ao ge, o nosso novo camisa 10 não apenas abraçou a comparação, como demonstrou uma reverência que enche o coração de qualquer torcedor do Fluzão.

A comparação, longe de ser um peso, é vista por Lucho como um elogio. Ele, com a humildade dos grandes, reconhece o tamanho do ídolo que o precedeu. “Não o conheço pessoalmente, mas vi alguns vídeos. As pessoas mandam para mim. Acho que ele foi um dos melhores argentinos no Brasil”, afirmou Lucho, mostrando que fez a lição de casa. A admiração é tanta que ele busca inspiração no craque. “Vi que ele era canhoto, sempre quis ser canhoto e sempre aprendo vendo vídeos. Vi as coisas que ele fez no campo”, brincou o nosso novo maestro.

É esse tipo de respeito pela nossa história que começa a solidificar a relação entre Lucho Acosta e a nação tricolor. Ele não chegou aqui por acaso; ele entende o peso da camisa que veste e a magnitude dos ídolos que passaram por Laranjeiras.

A Tatuagem em Árabe e a ‘Mentirinha do Bem’

Mas nem só de futebol vive um craque. A entrevista revelou um lado pessoal e divertido de Lucho, mostrando o homem por trás do jogador. A história mais curiosa envolve suas tatuagens e uma pequena artimanha para contornar uma regra materna. A mãe de Lucho, segundo ele, tinha verdadeiro pavor da ideia de tatuar nomes ou rostos de outras pessoas no corpo.

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O que fez o jovem Lucho? Desafiou a matriarca com elegância e um toque de genialidade. Suas duas primeiras tatuagens foram, justamente, os nomes de seu pai e de sua mãe. O truque? Foram escritas em árabe. “Ela não gostava das primeiras tatuagens. Mudei (o significado). Ela não gostava que eu tatuasse caras, rostos ou nome de outras pessoas. Eu disse que os nomes que fiz em árabe eram amor e paz, mas era o nome dela e do meu pai”, confessou o jogador, entre risos.

Essa anedota diz muito sobre sua personalidade: um homem de família, mas com uma astúcia que, convenhamos, é muito bem-vinda dentro das quatro linhas. A mesma inteligência para driblar a mãe pode ser usada para driblar zagueiros adversários.

Superação, Messi e a Pechincha de US$ 4 Milhões

As coincidências na vida de Lucho Acosta não param. Nascido em Rosário, mesma cidade de Lionel Messi, ele também enfrentou um grande obstáculo em sua juventude: a questão do crescimento. Assim como o ídolo mundial, que teve uma deficiência hormonal, Lucho ouviu de uma médica que não cresceria mais. A notícia, que poderia ter encerrado um sonho, virou combustível.

“Uma doutora disse que eu não ia crescer mais, mas eu foquei em outras coisas. Fazer academia, outros trabalhos. Foi só isso”, relatou com simplicidade. Essa mentalidade de ‘Time de Guerreiros’ já estava lá, muito antes de ele sonhar em vestir o manto tricolor. Ele não lamentou, ele trabalhou. Ele não se diminuiu, ele se fortaleceu.

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Essa força de vontade o trouxe ao Fluminense. Contratado em agosto do ano passado junto ao FC Dallas, dos Estados Unidos, por US$ 4 milhões (cerca de R$ 22 milhões na época), um valor que hoje soa como uma pechincha monumental. E a decisão de deixar a MLS para voltar à intensidade do futebol sul-americano foi puramente passional. Ele queria o desafio, a pressão, a arquibancada pulsando.

Um Sacrifício Pelo Maracanã Lotado

Para Lucho, cada jogo no Maracanã é a recompensa por uma escolha de vida. Ele abriu mão do conforto para viver a paixão que só o futebol em nosso continente proporciona. E ele faz questão de lembrar disso a cada vez que pisa no gramado sagrado.

“Vivo isso com muita calma, mas não tem como não olhar para o Maracanã lotado e pensar nos meus filhos, nos meus pais podendo assistir aos jogos. Era o que eu tinha na minha cabeça quando cheguei”, desabafou. “Queria um desafio para a minha vida e estou desfrutando. Toda vez que jogo, penso na minha família e no sacrifício que fiz para vir para cá.”

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Por um valor irrisório no mercado atual, o Fluzão trouxe não apenas um meia habilidoso, mas um jogador com alma, com história e com um desejo visceral de vencer. Lucho Acosta entende o que é o Fluminense. Ele se inspira em Conca, dribla as adversidades como quem dribla um marcador e joga pela família e pela torcida. O esquadrão de Laranjeiras ganhou um artista com coração de guerreiro. E nós, tricolores, já o sentimos como um dos nossos.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.