A VAGA É SUA? MILLÁN DEIXA RECADO A ZUBELDÍA E CUBERAS CONFIRMA: ‘SOMOU PARA A EQUIPE’

Em noite de gala no Mineirão, zagueiro colombiano cala os críticos, domina a defesa e recebe elogios diretos da comissão técnica. A vaga é dele?

Villareal em Cruzeiro x Fluminense. — Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Uma Luz no Fim do Túnel Chamada Millán

O empate em 1 a 1 com o Cruzeiro no Mineirão, no último domingo, deixou aquele gosto amargo que a nação tricolor conhece bem. Contudo, em meio à frustração de mais dois pontos que escaparam, uma performance individual brilhou com a intensidade de um holofote, ofuscando o placar: a de Julián Millán. O zagueiro colombiano, finalmente, teve uma chance de ouro e a agarrou com uma autoridade que há muito não se via na nossa defesa.

Em sua quarta partida como titular desde que desembarcou em Laranjeiras, em março, Millán não foi apenas um jogador em campo; foi um pilar. Atuando pelo lado esquerdo da zaga, setor que vinha sendo ocupado por Freytes, o colombiano mostrou por que sua contratação gerou tanta expectativa. Jogou os 90 minutos como um veterano do clube, não como um recém-chegado.

Uma Atuação de Gala no Mineirão

A elegância com a qual Millán saiu jogando com a bola nos pés era de encher os olhos. Sem os habituais calafrios que a torcida sente a cada recuo para a zaga, ele demonstrou uma calma e uma qualidade no passe que fizeram a diferença. Mas foi sem a bola que ele realmente se impôs. O colombiano foi um gigante nas disputas aéreas, ganhando praticamente todas e frustrando o ataque cruzeirense.

E não se engane, não foi apenas uma atuação defensiva. Millán quase nos deu a vitória. Nos acréscimos, sua presença de área foi mais perigosa que a de muito atacante. Primeiro, ajeitou de cabeça uma bola açucarada para Cano, que, infelizmente, não conseguiu o arremate com a perna esquerda. No escanteio seguinte, o próprio Millán subiu mais alto que todos e testou firme, obrigando o goleiro adversário a uma defesa salvadora. Com três finalizações, ele foi o jogador do Fluzão que mais chutou a gol. Sim, um zagueiro.

Publicidade

A Bênção da Comissão Técnica: “Somou Para a Equipe”

A atuação não passou despercebida pelo banco de reservas. Após a partida, Maxi Cuberas, o fiel auxiliar de Zubeldía, fez questão de tecer elogios públicos ao zagueiro, em um recado claro de que o desempenho foi notado e aprovado. As palavras de Cuberas soam como música para os ouvidos tricolores.

“Julián (Millán) se incorporou ao elenco há pouco tempo e há uma competição grande nessa posição”, analisou o auxiliar. “Fizemos rodízio na escalação em várias partidas. A maioria jogou e colaborou para o Fluminense competir em todos os torneios. Esperávamos que Julián fizesse um jogo como o de hoje. É um bom zagueiro, bom no jogo aéreo e em outras competências. Somou para a equipe.” A frase final, “somou para a equipe”, é o carimbo de aprovação que Millán precisava.

O Investimento Começa a Dar Retorno

Vamos aos fatos. A chegada de Julián Millán, aos 28 anos, não foi uma aposta barata. O Fluminense desembolsou US$ 5 milhões (cerca de R$ 26,3 milhões na cotação da época) para trazê-lo. A credencial? Ter sido eleito o melhor jogador do Campeonato Uruguaio. A torcida, que sabe das coisas, pedia sua entrada no time titular constantemente nas redes sociais e nas arquibancadas.

Até o jogo contra o Cruzeiro, porém, as oportunidades foram escassas. Esta foi apenas sua quarta atuação, e a terceira com uma dupla de zaga diferente. A falta de sequência e entrosamento poderia ser uma desculpa, mas Millán a ignorou. Ele entrou em campo e jogou como se estivesse em casa, justificando cada centavo do investimento e mostrando que a torcida estava, mais uma vez, coberta de razão.

Publicidade

E Agora, Zubeldía?

A pergunta que fica no ar é inevitável. Depois de uma exibição tão dominante, segura e até mesmo decisiva no ataque, como deixar Julián Millán no banco de reservas? A comissão técnica elogiou, os números comprovam e os olhos de quem assistiu ao jogo não mentem: o colombiano se candidatou, em letras garrafais, à vaga de titular absoluto na zaga do Fluminense.

Em um time que busca consistência defensiva, a atuação de Millán no Mineirão foi mais do que uma boa notícia; foi uma declaração de intenções. Resta saber se o comando técnico irá ouvir o recado. A torcida das Laranjeiras, com certeza, ouviu. E aprovou. A camisa titular, ao que tudo indica, encontrou um novo dono. Flu até morrer!

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.