ADEUS, GUERREIRO? Canobbio se despede com golaço e recado de Zubeldía agita o Fluminense

A noite de glória na Libertadores pode ter sido o último ato de Canobbio. Convocado, valorizado e com um recado emocionante de Zubeldía, o futuro do uruguaio é incerto.

A Vitória com Gosto Amargo: 10 Jogos de Agonia

A vitória sobre o La Guaira, em teoria, deveria ser motivo de pura celebração. Classificação, gols, o Maracanã pulsando. No entanto, para o torcedor tricolor mais atento, aquele que vive e respira o Fluminense em sua essência, a noite carregou um eco incômodo, uma melodia dissonante que já conhecemos bem: o som da nossa rede balançando mais uma vez.

Com o gol sofrido, o Fluzão atingiu a desoladora marca de 10 jogos consecutivos sendo vazado. Uma sequência que nos corrói a alma e que transforma cada ataque adversário em um suplício. A solidez que já foi nossa marca registrada parece ter se esvaído, deixando um rastro de preocupação no ar das Laranjeiras.

A última vez que pudemos respirar aliviados por 90 minutos, sem sofrer gols, foi em um passado que já parece distante: 23 de abril, no empate sem gols contra o Operário, pela Copa do Brasil. Desde então, um deserto de ‘clean sheets’.

Os Números Não Mentem: Uma Fragilidade Exposta

As estatísticas são cruéis e pintam um quadro que não podemos ignorar. Em 35 jogos disputados nesta temporada, o esquadrão de Laranjeiras viu o goleiro buscar a bola no fundo do gol em 42 ocasiões. Quarenta e duas facadas na esperança tricolor.

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Conseguimos manter nossa meta intacta em apenas nove oportunidades. Um número irrisório para a grandeza do Fluminense. Foram três jogos no Campeonato Brasileiro, um na Sul-Americana, um na Copa do Brasil e quatro no Carioca. A matemática é simples e dolorosa: em mais de 70% das partidas do ano, sofremos gols.

É um padrão que se repete, uma vulnerabilidade que os adversários já farejaram. E a pergunta que não quer calar ecoa do topo da arquibancada ao gramado: por quê?

A Palavra do Comandante: Zubeldía Diagnostica o Problema

Após o apito final contra o La Guaira, o técnico Luis Zubeldía não se escondeu. Com a seriedade que lhe é característica, o argentino encarou os microfones e ofereceu um diagnóstico franco, sem anestesia, sobre a crise defensiva que assola o Tricolor. Suas palavras são um misto de reconhecimento do problema e um pedido de paciência.

Primeiro, ele apontou para um fantasma que ainda assombra nosso sistema defensivo: a saída de uma lenda. “Quando cheguei, em setembro, a presença de um jogador como Thiago Silva na defesa não era um detalhe pequeno. Estamos falando de um jogador com experiência absurda, liderança, segurança e influência sobre os companheiros. Desmontar essa estrutura e montar outra rapidamente não é fácil”, confessou Zubeldía, verbalizando o que todos sentimos. Perder o Monstro não foi apenas perder um zagueiro; foi perder o pilar que sustentava a casa.

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Em seguida, o comandante foi direto ao DNA da equipe, uma faca de dois gumes. “Somos um time muito ofensivo. Criamos muito e fazemos muitos gols, mas isso também tem um custo defensivo. Precisamos analisar e ajustar melhor isso daqui para frente”, afirmou. É o nosso eterno dilema: a busca pelo gol, a vocação para o espetáculo, que por vezes nos deixa de guarda baixa. Um pacto de risco que, no momento, está cobrando um preço alto demais.

A Pressão do Maracanã sobre Jemmes e Freytes

Zubeldía também tocou em um ponto nevrálgico: a relação entre a arquibancada e os jovens defensores que hoje carregam o peso da camisa tricolor. Ele citou nominalmente Jemmes e Freytes, expondo a pressão que os atletas sentem em campo.

“Acredito que esses momentos fazem o jogador amadurecer muito. O caso do Jemmes é um exemplo. Ele começou muito bem, mas hoje, se perde uma bola, erra um passe ou sobra uma jogada perto da área, sente imediatamente a pressão da torcida, como aconteceu antes com o Freytes”, detalhou o técnico.

É uma análise cirúrgica do ambiente do futebol. A mesma torcida que empurra pode, em sua ânsia por perfeição, se tornar um fardo. Zubeldía sabe que essa pressão “pode servir como trampolim para amadurecer ou pode fazer o jogador travar e não evoluir”. O desafio, segundo ele, é do atleta. Mas, sejamos honestos, é nosso também. Cabe a nós, nação tricolor, entender o processo de maturação desses guerreiros.

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O Próximo Capítulo: O Desafio Contra o Cruzeiro

Enquanto busca desesperadamente por esse equilíbrio perdido entre a força do ataque e a segurança da defesa, o Fluminense já tem um novo e importante compromisso. O Time de Guerreiros volta a campo para mais uma batalha pelo Campeonato Brasileiro.

O adversário da vez é o Cruzeiro, em um confronto marcado para o próximo domingo (31), às 20h30 (horário de Brasília). Será mais um teste para os nervos da torcida e para as convicções de Zubeldía. A pergunta que fica é: veremos em campo os primeiros sinais de um Fluminense mais sólido e equilibrado? Ou a agonia do gol sofrido continuará? Só o tempo, e os 90 minutos, dirão. Flu até morrer.