A MÃO DE ZUBELDÍA: Fluminense joga com nova cara, mas azar cruel custa vitória no Mineirão

Zubeldía muda a cara do time, Fluminense joga com raça, mas um desvio cruel no fim nos tira dois pontos que eram nossos no Mineirão. Azar define o placar.

John Kennedy comemora gol do Fluminense sobre o Cruzeiro — Foto: Gilson Lobo/AGIF

Um empate com sabor de derrota amarga

Nação tricolor, há empates e empates. Existem aqueles que celebramos como vitórias, arrancados na raça contra todas as probabilidades. E existem aqueles como o deste domingo, no Mineirão: um 1 a 1 contra o Cruzeiro que, no papel, parece um resultado decente fora de casa, mas que na prática, para quem viu o jogo, soa como uma piada de mau gosto do destino. Perdemos dois pontos. Simples assim. E perdemos por uma combinação de uma nova e promissora estratégia e uma dose cavalar de azar.

Na última partida antes da longa pausa para a Copa do Mundo, pela 18ª rodada do Brasileirão, o Fluzão mostrou uma faceta diferente, moldada pelo nosso comandante argentino, Zubeldía. Foi um time mais pragmático, mais competitivo e, por ironia, mais vulnerável à sorte – ou à falta dela. Saímos de Belo Horizonte com a sensação de que o placar não refletiu a história do jogo, e que a bola, essa senhora caprichosa, resolveu punir quem mais tentou vencer.

A revolução tática de Zubeldía: ordem e contra-ataque

Vamos aos fatos. Zubeldía, mostrando que não está para brincadeira, promoveu uma mudança quase radical na filosofia de jogo que vínhamos apresentando. O técnico argentino abdicou de um certo lirismo para abraçar a eficiência, montando um esquadrão focado em se defender com unhas e dentes para, então, explorar a velocidade nos contra-ataques.

A prancheta do nosso ‘mister’ foi clara: Savarino foi deslocado para o centro, atuando como o cérebro das transições, enquanto os velocistas Serna e Soteldo foram abertos nas pontas, prontos para queimar a grama do Mineirão. A ideia era clara: fechar a casinha e morder no bote fatal. E, em termos de postura, funcionou. O Fluminense foi um time de guerreiros, brigando por cada centímetro do campo, mostrando uma competitividade que andava em falta.

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Contudo, toda mudança abrupta cobra seu preço. Quando a bola era recuperada, a ânsia de verticalizar o jogo era tão grande que acabava gerando precipitação. A falta de entrosamento entre os homens de frente era visível, resultando em passes errados e decisões equivocadas. A máquina tricolor ainda precisa de ajustes finos para que as engrenagens girem em perfeita harmonia. Mas foi justamente em uma dessas tentativas de ataque rápido que o talento individual fez a diferença.

John Kennedy: um raio de esperança e genialidade

Quando a tática ainda rateava, a genialidade individual apareceu. E ela atende pelo nome de John Kennedy. O gol do Fluzão foi uma obra de arte forjada na velocidade e na frieza. A jogada começou com uma bola longa, esticada por Jemmes do campo de defesa. Kaiki Bruno, inteligente, apenas raspou de cabeça para trás, desmontando a linha defensiva do Cruzeiro.

Foi o sinal que nosso ‘Urso’ precisava. John Kennedy arrancou com a potência de um trem-bala, deixou dois zagueiros para trás como se fossem postes e, ao entrar na área, teve a calma dos predestinados. De canhota, deslocou o goleiro Otávio com um toque sutil no contrapé. Um golaço. Um gol que parecia dizer: a estratégia de Zubeldía pode e vai funcionar. Um gol que deveria ter sido o da vitória.

A defesa melhorou, mas o azar bateu à porta

Defensivamente, o Fluminense foi outro time. Mais compacto, mais sólido, especialmente quando comparado aos últimos jogos. O primeiro tempo ainda apresentou sustos, principalmente com cruzamentos rasteiros que atravessaram nossa área perigosamente, mas sem que ninguém do time mineiro conseguisse finalizar. Era um aviso.

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No segundo tempo, Zubeldía corrigiu a rota. A entrada de Renê no intervalo foi crucial para dar mais segurança ao lado esquerdo da defesa, um dos nossos pontos vulneráveis. O time se postou melhor, fechou os espaços por dentro e o Cruzeiro, mesmo com a posse de bola, rondava a área de Fábio sem conseguir criar uma chance clara de gol. O jogo estava controlado. Controlado demais, talvez.

O problema é que, ao mesmo tempo em que nos solidificamos na defesa, abdicamos do ataque. Sem levar perigo, permitimos que o Cruzeiro adiantasse suas linhas e nos empurrasse para o nosso campo. E foi aí que a sorte nos abandonou. Em uma jogada na entrada da área, Millán cometeu uma falta em Matheus Pereira. O próprio camisa 10 foi para a cobrança e… o resto é história. Uma história cruel. A bola desviou caprichosamente em Jemmes, nosso zagueiro, e matou qualquer chance de defesa de Fábio. Um gol de puro e absoluto azar, no momento em que menos sofríamos perigo.

Pausa para refletir e agir

O apito final soou com um gosto amargo na boca de cada tricolor. Vamos para o recesso da Copa do Mundo vivos em todas as frentes, com bons resultados acumulados, mas com a certeza de que há muito trabalho a ser feito. A nova estratégia de Zubeldía mostrou potencial, mas precisa ser aprimorada.

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A janela de transferências será fundamental. Precisamos de peças que se encaixem nesse novo modelo, e talvez seja a hora de nos despedirmos de outras. O empate no Mineirão não foi uma tragédia, mas foi um doloroso lembrete de que, no futebol, talento e tática às vezes não são suficientes. É preciso ter a sorte ao seu lado. E hoje, ela vestiu azul. Que essa pausa sirva para afiar as garras do nosso time. Voltaremos mais fortes. Flu até morrer!

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.