O Fim de um Ciclo e o Começo de Outro
Toda temporada tem seu ritmo, sua música. A nossa, em 2026, se aproxima de um interlúdio. Neste domingo, às 20h30, o Fluminense encara o Cruzeiro para fechar a primeira metade do ano e, nos bastidores, a orquestra já afina os instrumentos para o que virá. A janela de transferências, que se abre após a Copa do Mundo, promete ser mais do que uma simples dança das cadeiras; será a redefinição do nosso esquadrão para a glória ou o fracasso no final da temporada.
E, como em toda grande ópera, há chegadas e partidas. Enquanto sonhamos com os reforços que podem pintar nas Laranjeiras, uma lista de despedidas começa a ser rascunhada. São jogadores que, por diferentes motivos, perderam espaço e podem buscar novos ares. Uma faxina necessária? Um erro estratégico? Apenas o tempo, esse juiz implacável, dirá. Vamos aos nomes que podem estar de malas prontas.
A Saída Anunciada: O Adeus do Maestro Ganso
Não há como começar por outro nome. Paulo Henrique Ganso, o maestro que tantas vezes regeu nosso meio-campo com passes de régua e compasso, encabeça a lista de saídas. A situação, para o lamento de parte da nação tricolor, parece insustentável.
O camisa 10 pediu para não ser utilizado no Brasileirão e, como um sinal definitivo, foi cortado até mesmo do último confronto pela Libertadores. O clube, em um gesto que soa como um adeus, liberou o atleta para negociar seu futuro. A tendência é clara e dolorosa: uma transferência nas próximas semanas. O Fluzão parece pronto para virar a página.
Guerreiros na Corda Bamba: Ídolos e Capitão em Xeque
A lista não para em Ganso e inclui nomes de peso, guerreiros que já nos deram muitas alegrias, mas que hoje vivem um momento de incerteza. A renovação, ao que parece, é a palavra de ordem.
- O Ídolo Argentino: Um dos maiores da nossa história. Um centroavante letal. Mas o corpo cobra seu preço. Lesões seguidas o tiraram de combate e hoje ele é a terceira opção para o comando de ataque. Com a iminente chegada de Hulk, seu espaço ficaria ainda mais reduzido. Aos 38 anos e com contrato somente até o fim de 2026, o artilheiro argentino já pode assinar um pré-contrato com qualquer outra equipe. Não há, no momento, qualquer conversa por renovação.
- O Capitão sem Posto: Mesmo com a braçadeira no braço quando joga, o lateral-direito perdeu a titularidade para Guga. Embora seja utilizado com regularidade pelo técnico Zubeldía — somando 11 jogos no Brasileirão —, a reserva pode pesar. Aos 32 anos, a possibilidade de ser titular em outro time da Série A pode ser tentadora. Com Guga consolidado e o jovem Júlio Fidélis, cria de Xerém, pedindo passagem, uma negociação não é impossível, ainda que sua permanência até o fim do ano seja o cenário mais provável.
A Fila Não Anda: Quem Pode Buscar Novos Ares
Além dos medalhões, há aqueles que chegaram com expectativa ou tiveram seu momento, mas não conseguiram se firmar no time de guerreiros. Para eles, a janela de transferências pode ser a luz no fim do túnel.
- O Zagueiro Esquecido: Contratado na reta final de 2025 para compor a defesa, a realidade foi dura. Apenas seis jogos em quase um ano de clube. Foram quatro partidas em 2025 e duas em 2026, atuando com o time sub-20 no Carioca. Zubeldía chegou a elogiá-lo após uma vitória contra o São Paulo, admitindo uma possível “injustiça” por não lhe dar chances, mas a verdade é que, na prática, nada mudou.
- O Volante Sem Espaço: Ele até teve um período de bom aproveitamento com o técnico, mas a paciência da torcida, curta como um tiro de meta, e o desempenho irregular o jogaram para o fim da fila. Relacionado para quase todos os jogos, não entra em campo há mais de um mês. O golpe final foi ficar fora até do banco contra o Deportivo La Guaira. Já existem sondagens de outros clubes da Série A.
- A Estrela Colombiana que Apagou: Ele começou o ano como um foguete: artilheiro, destaque e convocado para a seleção de seu país. Porém, desde que assinou a renovação até 2028, seu futebol despencou. Perdeu a titularidade para Savarino e marcou apenas um gol desde o fim do Cariocão. A queda de rendimento custou uma vaga na pré-lista da Colômbia e o viu ser ultrapassado até por Soteldo na hierarquia do ataque. Cobiçado pelo Boca Juniors no início do ano, seu nome pode voltar a circular no mercado sul-americano.
Promessa de Xerém: O Futuro de Riquelme
O caso do jovem Riquelme, de 19 anos, é emblemático. Promovido em 2024 e visto como grande promessa em 2025, o atacante vive a dura realidade dos garotos de Xerém: poucas oportunidades. Entrar em campo, em média, uma vez por mês, não é o ideal para o desenvolvimento de ninguém.
O clube encara um dilema. Negociá-lo por empréstimo para que ganhe rodagem é uma opção. Contudo, com o interesse de clubes estrangeiros e a necessidade de fazer caixa, uma venda em definitivo não está descartada. O talento existe, mas a paciência e a oportunidade parecem escassas.
E você, torcedor tricolor? O que acha desta possível reformulação no elenco? A barca deve mesmo zarpar com todos esses nomes? Deixe sua opinião nos comentários. Flu até morrer!