ESQUEÇA A EUROPA: Mohammed Kale, o nigeriano que viralizou por amor ao Fluminense e sonha com Xerém

Direto da Nigéria, a história de Mohammed Kale, o 'Marcelo Júnior', prova que o amor pelo Fluzão não conhece fronteiras. Conheça o jovem que sonha em ser um Guerreiro.

Torcedor nigeriano do Fluminense — Foto: Arquivo Pessoal

Enquanto o mundo se curva aos cofres e ao marketing ensurdecedor dos gigantes europeus, uma história de pureza e nobreza emerge de um dos lugares mais improváveis do planeta. Imagine, caro tricolor, nascer na Nigéria e, com a sabedoria que poucos adultos possuem, escolher o Fluminense Football Club como seu norte. Não o Real Madrid, não o Barcelona. O Fluzão. Essa é a saga de Mohammed Kale, um jovem que prova que o pó de arroz tem um alcance que a geografia não pode limitar.

Aos 18 anos, Mohammed, que reside na cidade de Maiduguri — um local, segundo relatos, marcado por perigos que mal podemos conceber —, encontrou no esquadrão de Laranjeiras um refúgio e uma aspiração. Sua história, que ganhou tração no TikTok e já acumula mais de 40 mil curtidas, é um atestado da força de nossa camisa e de nossa história.

De Maiduguri para Laranjeiras: Um Amor Inexplicável

A relação de Mohammed com o Nense começou em 2019. Ele mesmo conta, com a simplicidade dos verdadeiramente apaixonados, como essa conexão nasceu. “Descobri o Fluminense em 2019 e, desde então, digo que sou um torcedor do clube. Nunca tive a chance de assistir a uma partida, mas nunca vi uma torcida como essa ao redor do mundo”, revelou o jovem ao GE, mostrando que a energia da nação tricolor atravessa oceanos.

Viver na Nigéria significa estar quatro horas à frente do fuso horário brasileiro. Assistir aos jogos do Time de Guerreiros ao vivo é uma tarefa hercúlea. Mas isso não o impede. Mohammed devora os melhores momentos, estuda os vídeos e se alimenta da paixão que nos une. Ele é um de nós, mesmo a milhares de quilômetros de distância.

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O Manto Sagrado e o Apelido de Craque

Vestir a armadura tricolor não é tarefa simples em Maiduguri. Mohammed narra uma verdadeira epopeia para conseguir seus uniformes. Ele praticamente implorou aos comerciantes locais que, caso encontrassem uma camisa do Fluminense, a guardassem para ele. Uma dedicação que muitos por aqui, com acesso fácil, deveriam admirar. É a prova de que o manto é um tesouro, seja nas arquibancadas do Maracanã ou nas ruas do nordeste nigeriano.

Sua idolatria tem nome e sobrenome: Marcelo. O craque, cria de Xerém e lenda mundial, é a grande inspiração. Tanto que Mohammed se auto apelidou de “Marcelo Júnior”. “Também tenho o Marcelo (como meu ídolo), que sempre esteve em meu coração”, afirma. É a linhagem de craques, o DNA tricolor, inspirando gerações em todos os cantos do globo.

Muitos zombaram de sua escolha, como ele mesmo admite com um toque de humor. “Muitas pessoas riram do meu amor pelo Fluminense, mas isso não me impediu de amá-lo, e conhecê-lo me faz sentir ainda mais vivo”, brinca o jovem. Mal sabem eles que escolher o Fluminense não é uma questão de lógica, mas de alma.

O Sonho de ser um Guerreiro em Xerém

A paixão de Mohammed Kale não se contenta em ser platônica. Ele sonha alto, como todo tricolor de coração. O desejo de fugir de uma realidade perigosa se funde com a ambição de se tornar um jogador de futebol, e não em qualquer lugar. O destino sonhado é o Fluminense.

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Ele não esconde de ninguém seu objetivo maior. Em suas conversas e vídeos, o pedido é claro: uma chance. Uma oportunidade de mostrar seu valor na fábrica de talentos de Xerém, o berço de onde saíram tantos que nos deram glórias.

“Quero conhecer (o clube e o Rio de Janeiro). Tenho o sonho de ir para o Brasil e de me tornar jogador de futebol, seja no time principal do Fluminense ou em sua base”, completa Mohammed. Sua história é um lembrete poderoso. Enquanto alguns jogadores veem o clube como uma mera passagem, um jovem na Nigéria o vê como o ápice, o sonho de uma vida. Que essa pureza e essa garra sirvam de inspiração dentro e fora de campo. O Fluminense é, e sempre será, imenso. Fluzão até morrer, seja no Rio ou em Maiduguri.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.