O Imperador no Maracanã e um Recado Direto
No último sábado, o Maracanã não pulsava apenas pela vitória categórica do Fluzão por 2 a 1 sobre o São Paulo. Havia uma presença ilustre, quase imperial, nas tribunas. Hulk, o mais novo e bombástico reforço do Time de Guerreiros, foi apresentado e, de camarote, assistiu ao que o futuro lhe reserva. A ansiedade da nação tricolor, que agora conta os dias para o fim da Copa do Mundo para vê-lo em campo, só aumentou.
Enquanto o craque observava, o esquadrão de Laranjeiras dava seu recado. Em uma partida onde a nova estrela era o centro das atenções, foram os heróis já conhecidos que brilharam. John Kennedy, o nosso moleque de Xerém com faro de gol, abriu o placar. O uruguaio Canobbio, com a garra que já lhe é característica, fez a jogada do primeiro gol e marcou o segundo, selando a vitória. Uma atuação de gala para dar as boas-vindas ao novo companheiro.
Mas a pergunta que ecoava das arquibancadas ao sofá de cada tricolor era uma só: com um ataque desses, onde Hulk vai jogar? Se a torcida está ansiosa, o próprio jogador tratou de acalmar os corações e mostrar a mentalidade que o trouxe até aqui. Com a elegância de quem sabe o peso da camisa que vestirá, ele foi direto.
“Vou estar disposto a fazer o que o treinador pedir em prol do time”, afirmou o astro, dissipando qualquer nuvem de vaidade. Uma declaração que soa como música para os ouvidos do técnico Zubeldía e de toda a torcida das Laranjeiras.
A Humildade do Craque e a Versatilidade em Campo
As primeiras palavras de Hulk como jogador do Fluminense foram um banho de profissionalismo e foco. Ele deixou claro que a prioridade imediata não é discutir tática, mas sim a preparação. “Já tive oportunidade de conversar com o professor, mas não falando da questão de jogo diretamente, até porque não posso jogar no momento. Vou conseguir me entrosar com companheiros, entender a melhor maneira que posso ajudar meu time dentro de campo. Importante é chegar 100% fisicamente”, detalhou.
Para aqueles que se preocupam com sua posição preferida, o próprio Hulk fez questão de revisitar sua carreira para provar um ponto: ele joga onde o time precisa. “Na verdade, eu joguei a minha carreira toda na Europa como extremo direito e comecei a me readaptar como centroavante”, relembrou, mostrando uma flexibilidade tática que será crucial para a máquina tricolor.
Ele ainda brincou sobre seu estilo, “Eu brinco que não consigo fazer gol fácil”, mas rapidamente creditou o sucesso coletivo. Relembrando os tempos de Atlético-MG, explicou como sua função mudava de acordo com os companheiros, como Nacho, Savarino, Keno e Diego Costa. A leitura de jogo é clara e o recado para o nosso elenco, animador.
Uma Orquestra de Talentos à Disposição do Maestro
A chegada de Hulk não acontece em um time carente de opções. Pelo contrário. O que ele viu no Maracanã foi um banquete de talento ofensivo. O quarteto titular foi formado por Savarino, seu antigo parceiro de glórias, o maestro Lucho Acosta, o incansável Canobbio e o artilheiro John Kennedy. Só isso já seria um ataque de respeito em qualquer clube do continente.
Mas Zubeldía, o nosso comandante argentino, ainda podia se virar para o banco e encontrar simplesmente Germán Cano, o ídolo que faz o L e que voltou a ser relacionado, além do gênio Ganso, do driblador Soteldo e das opções Serna e Castillo. É uma abundância de talento que transforma o desafio de escalar o time em um quebra-cabeça delicioso.
Hulk, com sua inteligência, já mapeou o terreno. “Aqui vai ser fácil de entrosar: Acosta, Ganso e Savarino acham qualquer passe, é só se movimentar”, elogiou, mostrando que já está estudando as virtudes de seus novos parceiros. Ele sabe que, com esses garçons, a bola chegará em condições primorosas.
A Bendita Dor de Cabeça de Zubeldía
Como disse o próprio técnico Zubeldía, essa é a famosa “dor de cabeça boa”. A contratação de um jogador do calibre de Hulk eleva o patamar do elenco a um nível estratosférico. A questão agora é puramente tática e estratégica. Como montar esse quebra-cabeça sem perder a harmonia que o time já demonstra?
A atuação de John Kennedy, que com seu gol se igualou a nomes como Pedro e Viveros na artilharia do Brasileirão, complica (no bom sentido) ainda mais a decisão. Como sacar um jovem que está em fase iluminada? E Canobbio, que personifica a entrega que a torcida tanto ama e ainda decide jogos? E Germán Cano, nosso artilheiro implacável?
A espera até a estreia de Hulk após a Copa do Mundo será um período de intensa especulação, debates e, acima de tudo, de um otimismo que há muito não se via com tanta força. Teremos tempo para nos entrosarmos com a ideia e para Zubeldía desenhar a nova face dessa máquina tricolor. Que problema maravilhoso para se ter. O futuro, torcedor, é promissor. E ele veste verde, branco e grená.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.