ZUBELDÍA OUVE OS GRITOS DE ‘BURRO’ E MANDA A REAL: ‘PARECE PIOR DO QUE É’

No Maracanã, a torcida explodiu em vaias. A resposta de Zubeldía aos gritos de 'burro'? Uma frieza que beira a provocação. Veja o que o argentino disse.

Luis Zubeldía em Fluminense x Vitória — Foto: André Durão

A noite de sábado no Maracanã tinha o roteiro de uma redenção, mas terminou com o som familiar da frustração. O empate em 2 a 2 com o Vitória, depois de uma partida de altos e baixos, foi a gota d’água para uma parte da torcida, que não poupou o técnico Zubeldía. Das arquibancadas, ecoaram vaias e os nada elegantes gritos de ‘burro’.

Em qualquer outro cenário, um treinador poderia se abalar, se esconder em clichês ou prometer uma revolução. Mas não o argentino. Na coletiva de imprensa, Zubeldía encarou os microfones com a mesma frieza com que um cirurgião encara o bisturi. E a sua resposta foi um primor de ironia e realismo.

Questionado sobre a fúria da nação tricolor, ele foi direto. “Sempre os torcedores estão no direito de apoiar ou reprovar, para isso pagam o ingresso”, sentenciou. Uma frase curta, que desarma qualquer crítica sobre sua sensibilidade. Ele sabe onde está. Ele entende a paixão que move o Fluminense, mas não se deixa consumir por ela.

A Calma Argentina Diante do Caos Tricolor

Enquanto o torcedor se descabela com uma sequência de quatro jogos sem vitória, Zubeldía acende um charuto imaginário e pede calma. Para ele, o cenário é menos apocalíptico do que pintam. “Pode parecer um momento muito mais complicado do que realmente é”, analisou, com uma tranquilidade que irrita os ansiosos e conforta os otimistas.

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E ele trouxe dados para sua argumentação. “Poderíamos estar mais avançado no Brasileirão, ok, mas estamos em terceiro, dependemos de nós mesmo na Libertadores, e é isso que temos que fazer como equipe”, afirmou. O Fluzão soma 27 pontos, empatado com o segundo colocado, Flamengo (que ainda joga na rodada), e à frente do São Paulo, quarto com 24. A matemática, segundo o comandante, ainda está ao nosso favor.

A mensagem é clara: o drama é opcional. “O torcedor pode questionar a mim ou minha equipe, mas eles têm que ver estamos mais perto de conseguir nos recuperar do que dramatizar e exagerar uma situação. Temos como recuperar e temos tempo”, completou. É a visão de um profissional que enxerga a temporada como uma maratona, não uma corrida de 100 metros.

O Diagnóstico de Sempre: ‘Não Matamos o Jogo’

Se na análise macro Zubeldía se mostrou sereno, no micro, ele foi preciso. O técnico reconheceu a principal ferida exposta do Time de Guerreiros: a incapacidade de ser letal. “Jogamos várias partidas que não matamos o jogo”, admitiu. Contra o Vitória, o filme se repetiu.

“Hoje tivemos o momento para matar e cometemos erros pontuais que acabaram nos causando sofrimento e reprovação”, explicou. Segundo ele, a equipe tinha o controle até sofrer o empate, mas a falta de contundência e falhas individuais permitiram que o rival, “com pouco”, se colocasse à frente no placar. Jogar com o nervosismo subsequente, como ele mesmo disse, “não é fácil”.

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Apesar do contexto adverso, o comandante fez questão de elogiar algumas peças. “Se querem destacar a equipe, Serna, John fez uma boa partida, equipe buscando…”, citou, mostrando que nem tudo foi um deserto de ideias. A questão, para o torcedor que sofre no estádio, é por que esses lampejos não se convertem em consistência e, principalmente, em vitórias.

Copa do Brasil e o Futuro: Pressão por Demissão?

Com resultados que não aparecem, a palavra ‘demissão’ inevitavelmente surge no ar. Pressionado sobre o tema, Zubeldía não fugiu. “Todos estão expostos a críticas. É normal haver reprovação ao técnico, tenho que assumir isso”, declarou, assumindo a responsabilidade que lhe cabe.

Ele prefere responder com trabalho e foco nos próximos desafios, que são imensos e imediatos. O calendário não dá trégua e o esquadrão de Laranjeiras tem duas decisões em casa pela frente:

  • Copa do Brasil: Fluminense x Operário, na terça-feira, às 21h30 (de Brasília), no Maracanã. A partida de ida foi um amargo 0 a 0.
  • Brasileirão: Fluminense x São Paulo, no sábado, às 20h30, novamente no Maracanã, em um confronto direto na parte de cima da tabela.

Zubeldía também apontou um “déficit importante” na defesa, especialmente em lances de bola parada, admitindo que a correção “está levando tempo”. Ele descreveu o momento do time como “raro, difícil”, onde a equipe se organiza, joga bem, mas sofre gols, e quando se desorganiza no desespero, consegue empatar. A falta de confiança, segundo ele, é um fator mental a ser recuperado com o elenco experiente que tem em mãos.

A postura do argentino divide opiniões. Seria ele um pilar de sanidade em meio à tempestade ou um comandante perigosamente desconectado da urgência que a torcida sente? Sua confiança é o que precisamos ou um sinal de alerta? A resposta, como sempre no futebol, virá dentro de campo. E o Maracanã estará lá para cobrar, apoiar ou, como no sábado, chamar de ‘burro’. Afinal, como disse o próprio Zubeldía, pagamos o ingresso para isso.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.