MANOEL ABRE O JOGO SOBRE DINIZ: ‘MALUCO, MAS ME AJUDOU MUITO’

Campeão da América pelo Fluzão, Manoel abre o jogo sobre Fernando Diniz: 'Ele era maluco, mas me ajudou muito'. Zagueiro está livre no mercado e 100% fisicamente.

Manoel em entrevista ao ge — Foto: Marcello Neves/ge.globo

Um Herói da Glória Eterna no Mercado

Tricolores, a memória do futebol é curta, mas a nossa, a da torcida que canta e vibra, é eterna. E na galeria de nossos heróis recentes, o nome de Manoel está gravado. O zagueiro, peça fundamental na conquista da América em 2023, está hoje livre no mercado. Em uma longa e sincera entrevista ao portal ge, o defensor de 36 anos abriu as portas de seu condomínio na Barra da Tijuca para passar a carreira a limpo e mandar um recado claro: ele está pronto para outra.

Após uma lesão no menisco em outubro do ano passado, Manoel garantiu ter feito uma recuperação impecável ainda nas dependências do Fluzão. “Me recuperei muito bem no Fluminense, tive uma recuperação muito boa no final de março e hoje estou apto. Fiz todo tipo de treinos que a gente precisa, de jogo, jogo coletivo, treino de alta intensidade. Estou apto a jogar, estou 100%”, declarou o zagueiro. Enquanto aguarda o telefone tocar, com sondagens da Série B que ainda não se materializaram em propostas, ele mantém a forma com um personal trainer, sonhando com mais três anos em alto nível.

A Loucura Genial de Fernando Diniz

Ao falar do Fluminense, é impossível não tocar no nome que redefiniu nosso futebol: Fernando Diniz. E Manoel, com a autoridade de quem viveu o processo por dentro, não poupa palavras para descrever o ex-comandante. Para ele, Diniz foi um “professor” em um momento de redescoberta na carreira. E a descrição que ele faz dos treinos é um retrato fiel do que víamos em campo.

“O Diniz treina muito, tem muitas repetições e você acaba criando confiança, o jeito de jogar te deixa mais leve dentro de campo”, explica Manoel, antes de soltar a pérola que todo tricolor suspeitava: “O Diniz era maluco, mas era um cara que me ajudou muito”. A cobrança era máxima. “No jogo tinha que fazer a mesma coisa do treino e se errar, f…”. A filosofia era clara: a saída de bola arriscada, a construção desde a defesa, tudo tinha um propósito maior. “Ele dizia que tínhamos que fazer aquilo que ia ajudar lá na frente ao Germán (Cano) fazer gol, o Arias fazer gol… Então tinha que fazer assim para chegar lá. Éramos muito cobrados.”

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As sessões de treinamento de duas horas, objetivas e intensas, forjaram o time que encantou o continente. A confiança, segundo Manoel, era a chave. “Quando você fazia uma jogada certa e as coisas iam acontecendo, você ia ficando mais leve e isso era muito importante”, relembra. Era essa a essência do Dinizismo que nos levou ao topo.

A Glória Eterna e a Provação Inesperada

E por falar em topo, o zagueiro não esconde a emoção ao recordar da Libertadores de 2023, o maior título de sua carreira. “É um título muito importante, não só para mim, mas para todos os jogadores, para os torcedores e para o Fluminense. Foi uma sensação maravilhosa”, afirma. Ele credita a base construída em 2022 como o alicerce para a Glória Eterna. “Em 2022, começamos a formar um time muito forte e ganhar confiança (…) No treinamento, todo mundo muito sério e focado. Isso foi muito importante para 2023.”

Contudo, nem tudo foram flores. O ano da glória também trouxe uma provação imensa. Manoel foi suspenso preventivamente por doping após testar positivo para a substância “ostarina” em um exame após a goleada histórica de 5 a 1 sobre o River Plate — partida na qual ele sequer entrou em campo. Foram oito meses de uma angústia que o afastou dos gramados e do convívio no CT Carlos Castilho.

Ele conseguiu provar sua inocência, mas a experiência deixou marcas profundas e lições valiosas. “(O doping me ensinou) a acreditar cada vez mais na minha família, acreditar mais em Deus… Não ser tão aberto e ter poucas amizades”, desabafa. “É uma página virada, mas é algo que aprendi muito na minha carreira”. Uma volta por cima que só engrandece sua trajetória.

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Um Zagueiro-Artilheiro de Laranjeiras

Com 118 partidas e 10 gols pelo Tricolor das Laranjeiras, Manoel deixou sua marca não apenas na defesa. Quem não se lembra daquela sequência incrível em que balançou as redes em três jogos seguidos? O feito, aliás, lhe custou um churrasco, pago por ele mesmo para o elenco, como ele revelou. Um gesto que mostra o espírito de união daquele grupo.

Agora, aos 36 anos, um zagueiro campeão da América, com experiência em gigantes como Corinthians, Cruzeiro e Athletico-PR (onde jogou 263 partidas), está disponível. Ele afirma ter recebido sondagens, mas espera por um projeto que o seduza. Para a nação tricolor, ficam as memórias de um defensor implacável, um herói improvável e um dos pilares da conquista que nos colocou, finalmente, no lugar mais alto do continente. Boa sorte em sua jornada, Manoel. A história que você escreveu em Laranjeiras jamais será esquecida.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.