Um Suspiro de Alívio que Tem Gosto de Derrota
Em uma noite que se desenhava como mais um capítulo trágico em nossa campanha na CONMEBOL Libertadores, um herói improvável, ou talvez predestinado, nos salvou do abismo. John Kennedy, o Urso, com um chute nos acréscimos, desviado pela zaga argentina, garantiu o empate por 1 a 1 contra o Independiente Rivadavia. Um ponto. Um mísero ponto que soa como uma vitória para quem flertava com a derrota, mas que, na frieza da tabela, nos mantém afundados na lanterna do Grupo C.
A verdade, nobre torcedor tricolor, é que o empate em Mendoza, no estádio Malvinas Argentinas, serve mais como um analgésico do que como um remédio. A dor da eliminação iminente foi adiada, não curada. Com apenas dois pontos somados e ainda sem nenhuma vitória, o esquadrão de Laranjeiras vê o sonho do bicampeonato continental se transformar em um pesadelo matemático. A situação é, para usar um eufemismo elegante, complicadíssima.
Crônica de uma Noite de Agonia em Mendoza
A partida, transmitida para poucos e bravos assinantes do pacote premium do Disney+, começou com uma falsa promessa de emoção. O jogo era aberto, com chances para ambos os lados. Logo aos 11 minutos, um calafrio percorreu a espinha da nação tricolor quando Arce, sempre ele, carimbou nosso travessão em uma cabeçada perigosa. O Fluzão respondeu com Canobbio, em um cruzamento venenoso que exigiu boa intervenção do goleiro Bolcato.
Contudo, a intensidade inicial se dissipou como fumaça. Após os 20 minutos, o que se viu foi um espetáculo de pouca inspiração. O Rivadavia, já classificado e dono da liderança do grupo com 10 pontos, controlava a posse de bola sem grande ímpeto, enquanto nosso Time de Guerreiros demonstrava uma alarmante dificuldade em transpor a linha do meio-campo. A criação era nula, um deserto de ideias.
No apagar das luzes do primeiro tempo, os argentinos esboçaram uma pressão e criaram a melhor chance. Villa alçou a bola na área e Florentín, antecipando-se à nossa defesa, testou firme para uma defesa salvadora do imortal Fábio. Mais uma vez, nosso goleiro nos mantinha vivos no confronto.
O Gol de Arce e o Roteiro do Desastre
Precisando desesperadamente da vitória, o Tricolor voltou para a segunda etapa com uma postura um pouco mais agressiva. Aos 10 minutos, quase fomos recompensados. Canobbio ajeitou e Nonato, de primeira, soltou uma bomba que passou raspando a trave. Parecia que a sorte poderia virar.
Doce ilusão. Aos 20 minutos, o roteiro do desastre se materializou. Luciano Gómez encontrou espaço pela ponta e cruzou na medida para Arce. O centroavante, implacável, cabeceou com força. Fábio ainda tocou na bola, num reflexo de desespero, mas não foi o suficiente para evitar o que parecia ser o gol da nossa eliminação. 1 a 0 para eles.
O golpe foi duro. O time sentiu. Chegamos a balançar as redes com Castillo, em um lance confuso dentro da área, mas a arbitragem, de forma polêmica, assinalou falta do nosso atacante no goleiro. O destino parecia selado. Para piorar, aos 35, Villa cobrou falta e Costa quase nos aplicou a pá de cal, desviando por cima do gol. A derrota era uma questão de tempo.
A Matemática Cruel e o Futuro do Fluzão
Quando tudo parecia perdido, a bola sobrou para John Kennedy. Na entrada da área, nos acréscimos, ele bateu de primeira. A bola desviou na zaga, enganou o goleiro e morreu no fundo da rede. Um gol chorado, sofrido, com a cara do que tem sido nossa Libertadores. Um gol que não celebramos com a euforia de uma vitória, mas com o alívio de quem escapa de um acidente.
Agora, resta-nos a matemática, essa ciência exata e muitas vezes cruel. O Fluminense segue em 4º e último lugar no Grupo C, com 2 pontos. Faltam apenas duas rodadas para o fim da fase de grupos. O vice-líder, Bolívar, está a três pontos de distância. Enquanto isso, o Independiente Rivadavia celebra a classificação antecipada com seus 10 pontos. A missão, que já era difícil, agora beira o impossível.
O foco agora se divide. Precisamos de um milagre na América e de recuperação imediata em casa. Nossa agenda é implacável:
- 09/05, 18h: Vitória (C) – Campeonato Brasileiro
- 12/05, 21h30: Operário (C) – Copa do Brasil
- 16/05, 20h30: São Paulo (C) – Campeonato Brasileiro
Será que o gol do Urso foi o suficiente para despertar a máquina tricolor? Ou foi apenas o último suspiro antes da cortina se fechar em nosso sonho continental? Apenas o tempo e, principalmente, o futebol, dirão.
Informações com base em reportagem do www.espn.com.br.