A vida, caros tricolores, é feita de oportunidades. E no futebol, essa máxima se aplica com uma crueldade poética. Para um jogador entrar em campo e brilhar, outro, muitas vezes, precisa sair. Neste domingo, o destino sorri, ou talvez apenas acene com um desafio, para Julián Millán. O zagueiro colombiano, que chegou às Laranjeiras em março cercado de boa expectativa, terá contra o Cruzeiro a sua grande audição no time titular do Fluzão.
A porta se abriu por uma suspensão. Freytes, o argentino que o técnico Zubeldía bancou publicamente como seu titular absoluto, está fora de combate pelo acúmulo de cartões amarelos. Um desfalque sentido para o comandante, mas uma chance de ouro para quem aguarda pacientemente no banco de reservas.
E que paciência tem demonstrado o nosso guerreiro colombiano. Desde que desembarcou no Rio de Janeiro, sua trajetória tem sido mais de treinos do que de jogos, mais de suor no CT do que de glórias no gramado. A partida no Mineirão será apenas a sua quarta aparição com o manto tricolor em quase três meses. Um número que soa quase inacreditável para um reforço.
Uma estatística incômoda e a busca pela primeira vitória
Os números, frios como são, ainda não jogam a favor de Millán. Em suas participações anteriores, o Fluminense ainda não conheceu o sabor da vitória. É um dado que, isoladamente, pode parecer injusto, mas que certamente pesa na mente de um atleta que busca afirmação.
A única vez que o colombiano esteve em campo e a nossa defesa saiu ilesa foi no empate em 0 a 0 contra o Operário, pela Copa do Brasil. E aqui, um detalhe que acende um alerta para toda a nação tricolor: aquele jogo, no distante 23 de abril, foi a última vez que o esquadrão de Laranjeiras terminou uma partida sem sofrer gols. Uma eternidade no calendário frenético do futebol brasileiro.
É contra esse retrospecto que Millán entrará em campo. Não apenas para buscar sua primeira vitória, mas para tentar ser o pilar de uma defesa que precisa urgentemente reencontrar sua solidez.
O “problema” canhoto e o prestígio de Freytes
Mas por que um jogador bem avaliado internamente joga tão pouco? A resposta, segundo a comissão técnica, tem nome e sobrenome: Freytes. O argentino, apesar de ser alvo constante de críticas de parte da torcida, goza de imenso prestígio com Zubeldía. Sua qualidade na saída de bola e na construção das jogadas é vista como fundamental para o esquema do time.
Além do mérito do concorrente, há uma questão tática. Tanto Millán quanto Freytes são zagueiros canhotos. A comissão técnica, em uma preferência clara, evita escalá-los juntos para não desequilibrar o setor. A única exceção foi por 45 minutos, contra o Internacional, em um esquema com três zagueiros, quando Jemmes foi substituído no intervalo.
Isso demonstra que a falta de minutos de Millán não é por demérito ou mau desempenho nos treinos – onde, aliás, é elogiado pela dedicação. É, antes de tudo, uma consequência da consolidação de seu concorrente direto e de uma opção tática do treinador.
Mais que três pontos em Belo Horizonte
O palco para a afirmação de Millán não poderia ser mais imponente: o Mineirão. E o jogo carrega um peso que transcende a briga individual do colombiano por espaço. O Fluminense foi momentaneamente ultrapassado pelo Athletico-PR na tabela do Brasileirão, após a vitória dos paranaenses sobre o Mirassol.
Agora, o Time de Guerreiros precisa de, no mínimo, um empate para retomar a terceira colocação. Uma vitória, contudo, seria o cenário ideal, não só pela tabela, mas para dar moral ao time e, claro, para coroar a atuação daquele que terá a responsabilidade de comandar a zaga.
Este domingo não é apenas mais um jogo para o Fluminense. É o dia em que Julián Millán tem a faca e o queijo na mão para mostrar que pode ser mais do que um reserva de luxo. É a sua chance de virar o jogo, de calar os números e de começar a escrever, em campo, a sua própria história no Tricolor das Laranjeiras. Que ele aproveite. A torcida estará de olho. Flu até morrer!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.