Um Ídolo Rompe o Silêncio: O Recado de Felipe Melo
A noite de sábado, que já era amarga para a nação tricolor após a derrota por 1 a 0 para o Mirassol, ganhou contornos de crise institucional. E o estopim veio de onde menos se esperava, mas com a força de um trovão: Felipe Melo. O ex-volante, ídolo de conquistas recentes e com o sangue tricolor ainda pulsando nas veias, usou suas redes sociais para soltar o verbo e não poupou ninguém, mirando principalmente no técnico Luis Zubeldía. Em um desabafo contundente, o agora comentarista do “Sportv” classificou a situação como inaceitável e deixou claro que a paciência, assim como a da torcida, tem limite.
Não foi uma crítica qualquer, de um analista isento. Foi o lamento de um campeão, de alguém que conhece os corredores de Laranjeiras e que sente na pele cada vacilo do Fluzão. A derrota para o Mirassol, com uma atuação que o próprio Felipe Melo classificou como “pífia”, foi apenas a gota d’água para uma insatisfação que, pelo visto, já vinha se acumulando.
‘A Culpa é da Minha Mãe?’: Zubeldía na Mira do Pitbull
Com a ironia afiada que sempre foi sua marca, Felipe Melo rebateu os torcedores que tentavam isentar o treinador da responsabilidade pelo vexame. A lógica do ídolo é cristalina e difícil de contestar. Se o time não rende, de quem é a culpa?
“Estou vendo aqui os comentários do pessoal falando do jogo do Fluminense. Alguns dizendo: ‘Não, tem que falar dos jogadores, não tem que botar a culpa no treinador, não’. Tem que botar a culpa na minha mãe, então? Tem que botar a culpa no meu pai, não é no treinador? Na minha mãe? Vocês estão brincando, pô!”, esbravejou o ex-jogador.
Ele até concede uma parcela de responsabilidade aos atletas, afinal, são eles que entram em campo. Mas, como bem lembrou, a batuta está nas mãos do maestro. “Tudo bem, o jogador tem a sua parcela de culpa, porque quem entra em campo é o jogador. Mas quem escolhe o jogador para entrar em campo é o treinador”, sentenciou, direcionando o míssil para o comandante do esquadrão de Laranjeiras.
A ‘Granada’ de Xerém e a Sombra de Davi Melo
O ponto mais sensível do desabafo de Felipe Melo toca numa ferida aberta para a torcida tricolor: a utilização da base. Historicamente, o Fluminense se orgulha de ser um celeiro de craques, a famosa fábrica de Xerém. E é justamente aí que, segundo o ídolo, Zubeldía tem falhado miseravelmente.
A crítica ganhou um contorno pessoal quando ele citou, ainda que indiretamente no início, a situação de jovens que perderam espaço, um cenário que inclui seu próprio filho, o meia Davi Melo. O jovem, que chegou a estrear pelos profissionais, hoje treina em separado. Para Felipe, isso é um sintoma da política do treinador.
“É esse mesmo treinador aí que não está deixando o profissional treinar com o profissional. É ele. Esse mesmo treinador que não deixa profissional treinar com profissional, mas quem vem de fora está tudo beleza, basta vir de fora”, criticou, expondo uma suposta preferência por atletas que não foram formados no clube.
A frustração culminou na frase mais forte de todo o vídeo, uma metáfora explosiva para descrever a dificuldade que os moleques de Xerém enfrentam para ganhar uma chance. “Mas vai dar oportunidade para a base? Só se for com granada. Bota a granada, tira o pino e aí bota. Só assim para os moleques entrarem. Fora isso, a molecada que subiu não pode nem treinar no profissional”, completou, em tom de denúncia.
Atuação ‘Pífia’ e a Cobrança por Postura
Além da gestão do elenco, a performance do time em campo foi duramente criticada. A palavra “pífia” foi usada para descrever a atuação contra o Mirassol, um jogo em que o Fluminense, segundo ele, só foi chutar a gol aos 90 minutos. Para um elenco que ele acredita ter potencial para “brigar por títulos”, é muito pouco.
Felipe Melo cobrou uma “postura de vencedor” e questionou a passividade do técnico diante da falta de garra em campo. “Se eu sou o treinador de uma equipe e não corre, sai! Tem que ter postura de vencedor, de campeão dentro de campo. Se continua, a culpa é de quem? (…) A falta de postura, o não correr dentro de campo… por que o treinador não tira, então?”, perguntou, deixando no ar uma crítica à autoridade de Zubeldía.
Enquanto a poeira da declaração de Melo ainda assenta, o calendário não dá trégua. O Fluminense já tem um compromisso decisivo nesta quarta-feira (27), pela Libertadores, contra o Deportivo La Guaira no Maracanã. Logo depois, no domingo (31), o desafio é contra o Cruzeiro, no Mineirão, pelo Brasileirão. A pressão, que já era grande, agora se tornou monumental. Resta saber como o elenco e, principalmente, Luis Zubeldía responderão a essa bomba atirada por um dos maiores ídolos recentes do clube.