REVIRAVOLTA NA LIBERTA: Caos na Bolívia tira jogo do Bolívar da altitude e reacende a esperança do Fluminense

Uma reviravolta extracampo pode salvar o Fluzão! Conmebol tira jogo do Bolívar da altitude de La Paz e a nação tricolor volta a fazer as contas para a Liberta.

Sport Boys Godoy Cruz Libertadores Estadio Ramón Aguilera Costas — Foto: Divulgação/Godoy Cruz

A quinta-feira trouxe uma daquelas notícias que, para o torcedor calejado das Laranjeiras, soa como uma intervenção divina, um capricho do destino. A Conmebol, em um raro momento de sensatez forçada, anunciou uma mudança que pode alterar drasticamente o futuro do Fluminense na Copa Libertadores: o jogo entre Bolívar e Independiente Rivadavia não será mais na sufocante altitude de La Paz.

Sim, você leu direito, nobre tricolor. O caos social e político que tomou conta da capital boliviana acabou por nos dar uma mãozinha. A partida, que seria um passeio para os bolivianos em seu habitat natural, foi transferida para Santa Cruz de la Sierra. O esquadrão de Laranjeiras, que já se preparava para fazer contas e acender velas, agora vê um novo horizonte se abrir.

O Fim do Fantasma de La Paz?

Vamos aos fatos, que são tão saborosos quanto um gol de placa no Maracanã. O confronto, originalmente agendado para o temido Estádio Hernando Siles, a estonteantes 3.650 metros acima do nível do mar, agora será disputado no Estádio Ramón Aguilera Costas. A diferença? Um abismo. A nova sede está a meros 428 metros de altitude, praticamente nivelando o campo de jogo e retirando do Bolívar sua principal e, sejamos honestos, muitas vezes única, arma.

A decisão da Conmebol não foi por acaso. La Paz vive uma onda de protestos severos, com sindicatos de transportadores e mineradores paralisando a cidade em manifestações contra o governo do presidente Rodrigo Paz. A segurança, item básico para qualquer espetáculo esportivo, simplesmente evaporou-se no ar rarefeito.

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Não é a primeira vez que a instabilidade na região força a mão da entidade. Recentemente, os jogos Always Ready x Mirassol e Independiente Petrolero x Botafogo tiveram que ser realocados para Assunção, no Paraguai. Desta vez, a solução foi caseira, mantendo a partida em solo boliviano, mas em uma cidade mais estável. Para nossa sorte, uma cidade ao nível do mar.

A Matemática da Classificação: O que o Fluzão Precisa Fazer

A mudança de cenário é um alento, mas não uma garantia. A matemática para a classificação do Time de Guerreiros às oitavas de final continua exigente, mas agora, muito mais plausível. A equação é clara e não permite vacilos.

Primeiro, e mais importante, o Fluminense precisa fazer sua parte. É obrigação vencer o La Guaira dentro de um Maracanã que, esperamos, pulsará como nos velhos tempos. Sem essa vitória, qualquer outro resultado é inútil. É o nosso dever, a nossa parte no acordo com os deuses do futebol.

Cumprida a nossa missão, o segundo passo é ligar o secador na potência máxima. Precisamos torcer para que o Bolívar tropece contra o Independiente Rivadavia. Um empate ou uma derrota dos bolivianos em Santa Cruz de la Sierra nos coloca na próxima fase. Sem o seu superpoder da altitude, o time que nos venceu por 2 a 0 em seus domínios se torna uma equipe comum, perfeitamente derrotável.

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É crucial lembrar do critério de desempate. Caso o Bolívar vença seu jogo, mesmo que o Fluzão aplique uma goleada histórica no La Guaira, estaremos eliminados. O confronto direto é o primeiro critério, e aquela derrota em La Paz ainda pesa em nossos ombros. Por isso, a torcida contra eles é tão importante quanto o nosso próprio resultado.

Um Olho no Maraca, Outro em Santa Cruz

A próxima quarta-feira, dia 27, será uma noite de pura tensão e emoção para a nação tricolor. As duas partidas decisivas do Grupo C acontecerão simultaneamente, testando os corações mais fortes. Enquanto a bola rola no gramado sagrado do Maracanã, nossos pensamentos e preces estarão também em Santa Cruz de la Sierra.

O cenário que antes parecia sombrio, agora ganha contornos de esperança. O destino, através do caos alheio, nos deu uma nova chance. Retirou da equação o fator mais injusto e antidesportivo do futebol sul-americano. O Bolívar, sem o ar rarefeito para cansar seus adversários, terá que jogar futebol de verdade.

Cabe ao nosso Fluzão entrar em campo com a faca entre os dentes, honrar nossa história e fazer o resultado. Depois, é confiar que, em um campo de jogo justo, o futebol prevaleça sobre a geografia. A esperança tricolor, que jamais morre, agora respira com muito mais facilidade. E não é por falta de ar.