Enquanto a arquibancada vaia, o vestiário abraça
No futebol, meus caros tricolores, existe a paixão que ecoa das arquibancadas e a realidade que se constrói no dia a dia, no suor do treino e na cumplicidade do vestiário. E, neste momento, essas duas esferas parecem habitar universos distintos nas Laranjeiras. Enquanto uma parte da torcida, em um compreensível, porém talvez precipitado, acesso de impaciência, escolheu o técnico Zubeldía como alvo, o elenco do Fluminense cerra fileiras em torno do comandante.
As cenas recentes no Maracanã, é verdade, não foram as mais aprazíveis. Os ecos dos xingamentos de “burro” no empate contra o Vitória e as vaias quando seu nome foi anunciado nos duelos contra Operário-PR e São Paulo são fatos. Fatos que, no entanto, parecem não ter atravessado os muros do nosso centro de treinamento.
Segundo apuração do portal ge, a realidade interna é o completo oposto do ruído externo. Fontes de dentro do clube não poupam elogios à relação do argentino com o grupo, destacando a qualidade e a intensidade dos treinamentos. O ambiente, mesmo diante da turbulência de resultados, é descrito como positivo e de trabalho árduo. É a prova de que, por vezes, o que se vê do lado de fora é apenas a ponta do iceberg.
A voz do esquadrão: Canobbio quebra o silêncio
E para que não restassem dúvidas, para que a mensagem fosse clara e direta, um dos nossos guerreiros mais aguerridos veio a público. Canobbio, com a autoridade de quem deixa tudo em campo, verbalizou o sentimento do grupo. Suas palavras são um manifesto de apoio e um recado direto à nação tricolor.
Em uma defesa enfática, o uruguaio não mediu palavras para respaldar o trabalho do “mister”.
“A gente se sente representado por ele [Zubeldía], por sua filosofia, a forma que entende o futebol. A gente apoia ele e o staff, que são muito maneiros. Treino muito intenso, a gente gosta demais dos treinos, da exigência. Ver como ele vive o jogo como se sempre fosse uma final. Colocamos isso na mente e ele representa”, declarou Canobbio, em um testemunho que deveria acalmar os corações mais exaltados.
A fala do nosso atacante é poderosa. Ela revela um grupo que comprou a ideia, que se identifica com a intensidade e que vê no comandante um espelho da própria entrega. Até mesmo os atletas que não têm recebido tantas oportunidades, segundo a reportagem, mantêm uma excelente relação com o treinador, um sintoma claro de um vestiário saudável e unido.
Diretoria joga junto e aposta na continuidade
Se os jogadores estão fechados com Zubeldía, a diretoria do Fluzão segue a mesma linha. Nos corredores do clube, o entendimento é de que a oscilação é parte intrínseca de um calendário brutal e de uma temporada longa. Não há pânico, mas sim confiança no processo.
Apesar da campanha que nos causa calafrios na Libertadores, a avaliação geral do trabalho ainda é positiva. Há uma crença inabalável de que a classificação para as oitavas de final será conquistada. A aposta é na recuperação do desempenho e, claro, na força incomparável da nossa torcida, que sabe ser o 12º jogador como nenhuma outra.
Operação Bolívar: A resposta virá no campo
E o palco para essa demonstração de força e, quem sabe, para o início da reconciliação entre campo e arquibancada, já está montado. O confronto contra o Bolívar, pela quinta rodada da fase de grupos da Libertadores, é o nosso próximo grande desafio.
Os números já indicam a atmosfera que nos espera: mais de 52 mil tricolores já garantiram presença, configurando o maior público do Nense na temporada, excetuando-se os clássicos. Uma prova de que, no fundo, a paixão e a esperança sempre falam mais alto.
A missão é hercúlea, mas perfeitamente ao alcance do Time de Guerreiros: precisamos de uma vitória por três gols de saldo para carimbar o passaporte para as oitavas sem depender de ninguém. É a hora de transformar a desconfiança em apoio, a vaia em canto e a pressão em combustível. Se o elenco se sente representado por Zubeldía, talvez seja a hora da torcida das Laranjeiras dar um voto de confiança a quem os nossos próprios jogadores escolheram seguir. A resposta, como sempre, virá dentro das quatro linhas.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.