Um Sábado de Definições no Maracanã
Tricolores, preparem o coração. Este sábado, quando o Fluminense entrar em campo no Maracanã para enfrentar o Vitória, algo muito maior que três pontos estará em jogo. Estará em jogo um pedaço da nossa alma, da nossa identidade. O destino de Paulo Henrique Ganso, nosso camisa 10, o último Maestro em atividade no futebol brasileiro, pode ser selado em 90 minutos. Ou em um único minuto, caso ele pise no gramado.
A matemática é fria e, neste caso, cruel. Ganso já atuou em 12 partidas neste Campeonato Brasileiro. Pelo novo e, convenhamos, questionável regulamento da CBF, se ele jogar a 13ª partida, não poderá mais se transferir para nenhum outro clube da Série A nesta temporada. Na prática, seria a confirmação de sua permanência. Um ‘fico’ forçado pelo calendário.
A Indiferença de Zubeldía e o Silêncio da Diretoria
O que mais inquieta a nação tricolor não é a regra, mas o contexto. Nosso camisa 10, o homem do passe que desafia a física, tem sido uma figura melancólica no banco de reservas. Nas últimas seis partidas do Fluzão, Ganso foi acionado por míseros 14 minutos, somando as entradas contra Santos e Chapecoense. Em outras, foi preterido ou esteve fora por questões médicas. É uma subutilização que beira o descaso.
Enquanto o técnico Zubeldía parece não encontrar espaço para a genialidade em seu esquema, a diretoria adota um silêncio ensurdecedor. Nenhuma proposta oficial chegou à mesa do clube, é verdade. Mas as sondagens existem. E o mais grave: não houve qualquer contato com o jogador para discutir uma renovação ou mesmo para comunicar que ele não está nos planos futuros. Um limbo inaceitável para um ídolo da sua estatura.
O Contrato, o Tempo e a Incerteza
Para adicionar mais uma camada de drama a essa novela, o contrato de Paulo Henrique Ganso com o Tricolor das Laranjeiras vai até dezembro de 2026. Contudo, a partir de julho, ele já poderia assinar um pré-contrato com qualquer outra equipe, caso a decisão seja por não estender o vínculo. Estamos diante de uma encruzilhada: arriscamos perder nosso Maestro de graça ou o ‘prendemos’ com a regra dos 12 jogos?
A situação é delicada e exige a sofisticação que, ironicamente, Ganso sempre emprestou ao nosso meio-campo. Deixar um ativo como ele mofando no banco é um luxo que o Fluminense não pode se permitir, especialmente quando a equipe oscila. O time vem de um empate com o Independiente Rivadavia pela Libertadores e uma derrota por 2 a 0 para o Internacional no Beira-Rio.
Boa Campanha, Má Gestão de Elenco?
Apesar dos tropeços recentes, o esquadrão de Laranjeiras faz boa campanha no Brasileirão, ocupando a 3ª colocação com 26 pontos. Mas a que custo? Será que a posição na tabela justifica o apagamento de um dos maiores talentos do elenco? O que se passa na cabeça de Zubeldía? É uma decisão técnica, tática ou há algo mais que nós, torcedores, não estamos vendo?
A partida contra o Vitória, portanto, se transforma num referendo. A escalação de Ganso, ou sua ausência, será uma mensagem clara da comissão técnica e da diretoria sobre o futuro. A torcida, que sempre soube apreciar a arte e a elegância, observa com apreensão. Queremos os três pontos, como sempre. Mas não queremos vencer perdendo a nossa essência. Não queremos um Fluminense que não tem lugar para um gênio como Ganso.
Que o sábado nos traga a vitória. E que, de preferência, ela venha acompanhada de clareza e respeito pela nossa história e por nossos ídolos. O Maracanã espera por respostas. E nós também.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.